Brasil conseguiu ampliar lista de itens fora da nova taxação norte-americana. Mais 429 produtos nacionais ficaram isentos
Por SAMANTA SALLUM
A nova taxação do governo norte-americano sobre a importação de produtos brasileiros atinge de forma negativa quatro mil itens. O impacto negativo afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras. Mas contempla cerca de outros dois mil produtos com a isenção da tarifa. E foram incluídos na lista que já existia outros 429 produtos. Entre eles: café instantâneo não aromatizado; mel natural orgânico; filés de tilápia, frescos ou refrigerados; ferro guza (importante na moldagem de peças de metal, como fogões e latarias de carro); além de hidróxido de alumínio.
O setor de aviação, que contempla a Embraer, seguiu na lista de exceções. Celulose brasileira, insumo para o papel, também foi poupado
Outros produtos permanecem isentos como suco de laranja; carne bovina fresca, refrigerada ou congelada; aeronaves novas para transporte de passageiros, não militares; açúcar de cana em forma sólida bruta; e carne suína; entre outros.
Os itens isentos pela nova cobrança são considerados sensíveis para a economia norte-americana. A flexibilização se deve a necessidades internas dos EUA de abastecimento.
Os produtos que não sofrerão com as novas tarifas se enquadram em ao menos um de quatro critérios: matérias-primas cuja tarifação poderia causar desabastecimento interno; itens capazes de provocar crises em toda a economia; bens que os EUA não produzem em quantidade ou preço razoáveis, nem conseguem obter de outras origens; ou produtos cuja tarifação pouco contribuiria para os objetivos da investigação )argumento usado pelo governo de Donald Trump para punir o Brasil com o tarifaço.).
Amortização de prejuízos
As novas exceções consideradas pelo governo norte-americano reduziram US$ 2,3 milhões de possíveis prejuízos para a indústria brasileira. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou extrema preocupação com a adoção da tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos. Mas considerou a ampliação da lista de produtos isentos um alívio para alguns setores da indústria brasileira.
“Avanço importante, mas ainda distante do cenário ideal”, diz CNI
“A ampliação da lista de produtos isentos representa um alívio para alguns setores da indústria brasileira e demonstra que o trabalho técnico e o diálogo conduzidos pelo setor produtivo produziram efeitos práticos. É um avanço importante, mas ainda distante do cenário ideal que buscamos. Agora, precisamos concentrar esforços nos demais segmentos que continuarão sujeitos à sobretaxa e enfrentarão perdas de competitividade no mercado norte-americano”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.
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