Coluna Capital S/A de 15 de julho
Por SAMANTA SALLUM
A situação financeira das famílias brasilienses chama atenção, pois os indicadores de inadimplência permanecem muito acima do restante do país. O que revela que o problema local não está no acesso ao crédito, mas na capacidade de pagamento das dívidas. Metade dos endividadas do Distrito Federal (50,0%) possui contas em atraso, o equivalente a 527.848 famílias, enquanto a média brasileira permaneceu em apenas 29,9%. A diferença de mais de 20 pontos percentuais aponta que o comprometimento financeiro local é significativamente mais grave do que o observado no restante do país.
Endividamento recua no mês, mas aumenta na comparação anual
No índice de endividamento, o Distrito Federal encerrou junho de 2026 com 79,7% das famílias atingidas pelo problema, percentual praticamente estável em relação a maio (79,6%) e inferior à média nacional, de 81,6%. Na comparação anual, observa-se uma forte expansão do endividamento. Em junho de 2025, 72% possuíam algum tipo de dívida; um ano depois, esse percentual alcançou 79,7%, representando 841.845 famílias. Entre elas, 15% se consideram muito endividadas. Os dados são da Pesquisa pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Três meses de contas atrasadas
A maioria está com contas vencidas há mais de 90 dias, enquanto o comprometimento médio com dívidas alcança oito meses, superior à média nacional de sete meses. O aperto financeiro atinge, principalmente, as famílias com rendimento de até 10 salários mínimos: 85,7% delas estão endividadas.
Preocupação no varejo
“O cenário alerta para a situação de muitas famílias que já alcançaram seu limite financeiro. Isso exige atenção, pois compromete o consumo, reduz a capacidade de recuperação do varejo e limita o crescimento econômico. É importante apoiarmos iniciativas de educação financeira e programas de renegociação de dívidas”, avalia o presidente da Fecomércio DF, José Aparecido Freire.
Depois de BC, Celina vai se reunir com pool de bancos para destravar aval de empréstimo
A governadora do DF, Celina Leão (PP), está articulando uma reunião para esta semana ainda e que poderá ser em São Paulo, com Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Itaú Unibanco, Caixa e BTG Pactual. A missão é destravar o processo de aval para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões em socorro ao BRB. Conforme a Capital S/A revelou, semanas atrás, o processo encontra-se em ritmo lento. As instituições financeiras ainda estão receosas em relação às garantias oferecidas pelo GDF.
Menos uma dor de cabeça para Galípolo
Partiu do GDF o pedido de reunião com o Banco Central. No encontro de ontem com o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, a governadora foi mostrar que está “fazendo a parte” dela no âmbito do GDF para obter o aval. Mostrou que já enviou toda a documentação necessária. Galípolo está apoiando a solução mediada pelo STF e vem demonstrando que também está na expectativa para que o empréstimo seja concedido, o que seria menos uma dor de cabeça com quebradeira de instituições financeiras na esteira do Master e do DigiMais.
Impasse
Mesmo com o acordo judicial — mediado pelo STF com o Ministério da Fazenda —, o processo de aval com os bancos não estava andando com a celeridade esperada. O Banco do Brasil, que lidera as tratativas, estava acrescentando exigências e mais garantias ao GDF para desenrolar o processo do empréstimo, que sairá do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Taxas de juros são principal atrativo dos Fundos Constitucionais de Financiamento
Levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que as taxas de juros foram a principal motivação para 94% das empresas industriais buscarem crédito junto aos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) entre 2022 e 2025. Por outro lado, o excesso de burocracia e de garantias exigidas pelos bancos, além da falta de conhecimento sobre os fundos, impediram maior acesso do setor aos recursos.
Falta de conhecimento sobre acesso a recursos
De acordo com o levantamento, quase quatro em cada 10 indústrias (38,1%) não conhecem os fundos, sinalizando que a política pública não está alcançando todo o público-alvo ou que, embora esteja, não é adequadamente reconhecida. Esse dado sugere que as empresas podem acessar o crédito sem relacioná-lo à política de desenvolvimento voltada à região.
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