Entidades da construção civil eram próximas do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa que está preso por fraudes no escândalo do Master
Por SAMANTA SALLUM
No dia seguinte à decisão da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), que aprovou o aporte de R$ 6,6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB), a governadora Celina Leão se reuniu com as lideranças do setor imobiliário do Distrito Federal.
“Talvez seja muito simbólico estarmos aqui no dia seguinte à solução do BRB. Nós sabemos o que o banco significa para o DF. Confiem no BRB”, disse. Ela participou da reunião de diretoria da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (ADEMI DF), na sede da entidade em Brasília, na manhã dessa quarta-feira. O encontro foi fechado, sem a presença da imprensa.
As construtoras pediram mais ação do governo no combate à ocupação ilegal de terras públicas no DF, que se tornam novos aglomerados irregulares de moradias. Esse mesmo grupo reagiu à regularização da Colônia Agrícola 26 de Setembro, que, de núcleo rural, virou ocupação urbana com 12 mil moradores.
A governadora do DF tem, na área, reduto eleitoral, trabalhando ativamente pela legalização da ocupação. E acaba de criar oficialmente uma administração regional para o local.
Grupo ligado a Ibaneis
Também participaram do encontro os presidentes do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-DF), Adalberto Valadão Júnior; da Associação Brasiliense de Construtores (ASBRACO), Afonso Assad; do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (CODESE DF), Dionyzio Kavdianos; e o vice-presidente financeiro da Câmara Brasileira daIndústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira Almeida.
O grupo sempre teve próxima relação com o ex-governador Ibaneis Rocha e com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O BRB, nos últimos anos, tornou-se o principal financiador de empreendimentos imobiliários no DF e também para quem precisava comprar a casa própria.
A influência de Paulo Henrique Costa no setor fez com que o atual presidente do Sinduscon, Adalberto Valadão; e o empresário Leonardo Ávila, integrante da direção da Ademi, comprassem ações do BRB e depois as revendessem para Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

