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“Diretor da Anvisa que cuida de suspensão foi indicado pelo governo Bolsonaro”, diz Padilha sobre caso Ypê

Publicado em Coluna Capital S/A

Decisão de suspender venda de produtos da Ypê trouxe à tona acirrada disputa política e comercial no meio empresarial. Mercado movimenta R$ 3,6 bilhões por ano. Ypê ocupa a primeira posição, com 39% de participação neste valor. 

Por SAMANTA SALLUM

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, partiu para uma forte ação nas redes sociais na missão de rebater as críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que acusaram a Anvisa de retaliação política à marca Ypê. “Não queremos destruir empresa alguma !”, frisou 

O ministro afirmou que a decisão da Anvisa foi estritamente técnica, e que não tem relação alguma com tramas políticas ou comerciais

Apontou ainda que a responsabilidade pela medida não cabe exclusivamente a uma instância ligada ao PT. Citou  a participação de  órgãos de três governos sob administração da esquerda e da direita: o federal, o estadual de São Paulo e o municipal da cidade de Amparo, onde fica a fábrica inspecionada. “O diretor que cuida desta área de suspensão de produto na Anvisa  foi indicado na gestão Bolsonaro”, completou.

Padilha se referiu ao diretor de área técnica da Anvisa, Daniel Meirelles Fernandes Pereira, indicado ao cargo durante o governo Bolsonaro. E lembrou que participaram das inspeções técnicos ligados ao governo do governador Tarcisio de Freitas (Republicanos).

Padilha alertou que a politização da medida da Anvisa coloca em risco a saúde da população, que estaria sendo levada a desacreditar no perigo que os produtos listados podem representar.

Mercado bilionário

A Ypê é a segunda marca mais presente na casas dos  brasileiros, atrás apenas da Coca-Cola, com presença estimada em 95% das residências do país, segundo levantamento referente a 2024 do Kantar, empresa de levantamento de informações sobre consumo e audiências. O mercado nacional de detergentes lava-louças cresceu 10,8% em valor entre 2024 e 2025, chegando a R$ 3,6 bilhões, pelos dados sa Euromonitor International.

A projeção é de que o segmento alcance R$ 4,7 bilhões até 2028, o que representaria uma expansão de 30% em três anos.E a Ypê ocupa a primeira posição, com 39% de participação em valor, mais do que o dobro da segunda colocada, a Bombril, com 19%.

A decisão da Anvisa, de suspender a comercialização de diversos produtos da Ypê, abre espaço para as concorrentes: Unilever, P&G, Reckitt e Bombril.

Acusações

O caso viralizou nas redes sociais, dividindo influenciadores e politicos, porque entrou no embate político entre a direita e a esquerda. Bolsonaristas acusam a Anvisa de ter feito retaliação política à Ype, já que os empresários ligados à marca fizeram doação de R$ 1 milhão à campanha de Jair Bolsonaro, em 2022. E que a Minuano, empresa da holding JBS, estaria sendo beneficiada, pois os irmãos Batista têm proximidade com o presidente Lula.

Michelle vira garota propaganda

A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro divulgou a marca Ypê em reação à medida da Anvisa. Em seu Instagram, epublicou no sábado uma foto de um detergente Ypê. “Que dia lindo”, escreveu.

Por motivos bem diferentes, vale lembrar o avanço da marca de chinelos Ipanema, quando a Havaianas divulgou comercial com a atriz Fernanda Torres, convidando as pessoas a começarem o ano com o pé esquerdo. A polarização política impactou diretamente no consumo dos produtos.

Discurso negacionista

A esquerda rebate afirmando que a Anvisa não se prestaria a provocar um falso comunicado para atender a interesses políticos e empresariais. É que a narrativa “negacionista” de bolsonaristas diminui a questão sanitária para alimentar a polarização política.

Nova decisão na quarta-feira 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária suspendeu a comercialização de 24 produtos da marca Ypê com lote de número com final 1. Segundo o órgão, uma superbactéria contaminou os produtos. Apresentou imagens das condições ruins da fábrica da empresa  em São Paulo. A Ypê recorreu e conseguiu reverter, temporariamente, a decisão da Anvisa. Mas amanhã sai uma nova decisão do órgão.

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