Câmara não aprova regime de urgência para venda de remédios em supermercados. Farmacêuticos comemoram

Compartilhe

Por Samanta Sallum

Mesmo com maioria de votos a favor, não foi aprovado agora no plenário da Câmara dos Deputados o pedido de urgência para o projeto de lei que libera a venda de medicamentos em supermercados. Era preciso ampla maioria.  Foram 225 votos a favor e 222 contra. Eram necessários 257 para a proposta passar. O projeto continua na Casa, mas seguindo o trâmite normal.

O Conselho Federal da Farmácia (CFF) reagiu contra o parecer que o Ministério da Economia emitiu favorável à venda de medicamentos isentos de prescrição médica, os MIPs. Entre eles, analgésicos e anti-inflamatórios. A Associação Brasileira das Farmácias e Drogarias (Abrafarma) também se posicionou contundente ao projeto de lei e ao parecer do ministério.

“A economia apregoada pelo Ministério da Economia, com a redução de preços ao consumidor final, resultará em aumento de gastos para o SUS. Quanto maior for o acesso, maior será a ocorrência de danos causados por medicamentos”, argumenta Walter da Silva Jorge João, presidente do Conselho Federal de Farmácia.

Segundo a entidade, para cada real gasto com medicamento, o SUS despende 5 com tratamentos de problemas causados por medicamentos. “Esse gasto será multiplicado com o aumento de 100 mil pontos de venda se a lei for aprovada”, reforça o CFF.

A grande polêmica é em relação à não previsão no projeto de lei de um farmacêutico nos supermercados para dar orientações. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) diz que pretende contratar, mas isso não está expresso no texto do projeto.

“A responsabilidade técnica admitida pelo segmento é comparada com a dos médicos-veterinários, que são RT pelos açougues dos mercados. Quantas vezes você foi ao mercado e encontrou o veterinário para orientá-lo sobre o produto? Medicamentos não são produtos quaisquer”, destaca Walter de Silva.

Nas farmácias, a legislação obriga a presença do farmacêutico durante todo o tempo de funcionamento do estabelecimento. “Teremos regras diferentes para dois segmentos?”, questiona o farmacêutico.

O CFF esclarece, no entanto, que não é contra a venda de medicamentos em supermercados no modelo atual, “pelo qual 17% desses estabelecimentos já contam com farmácias próprias, com os medicamentos no ambiente adequado, sob supervisão contínua do farmacêutico”.

samantasallum

Publicado por
samantasallum
Tags: #CFF #ConselhoFederaldeFarmácia #medicamentos #projetodelei #vendademedicamentos

Posts recentes

  • Coluna Capital S/A

Comissão Cruls: livro celebra Brasília com diários inéditos sobre a saga à nova capital

Por SAMANTA SALLUM Diários inéditos do engenheiro Hastimphilo de Moura, integrante da Comissão Cruls, viraram…

2 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

Celina Leão volta atrás e mantém Raquel Galvão no Iprev

Presidência do órgão é por mandato e atual gestora fica até junho. Por isso, há…

2 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

Celina Leão troca comando do Iprev e do Inas

A crise do Banco de Brasília também atingiu o Iprev, que investiu R$ 6,5 milhões…

3 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

“Deal Mode” no BRB: corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Então presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, era “mandatário”’de Daniel Vorcaro. Missão: fazer…

3 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

Depois de acesso à investigação sigilosa, Vorcaro mandou suspender propina a PHC

Por SAMANTA SALLUM  A teia de influência de Daniel Vorcaro em diversas esferas de Poder…

6 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

Itaú Unibanco confirma que vai comprar ativos do BRB

Bradesco também está na negociação. em consórcio e informou à CVM Por SAMANTA SALLUM  O…

1 semana atrás