Anderson Braga Horta celebra 92 anos com lançamento de sua poesia reunida

Publicado em Agenda, Cultura, Literautura de brasília

Após dois anos de trabalho editorial, “Campo sem Tempo” chega em edição limitada, com 848 páginas, capa dura e exemplares numerados à mão. O lançamento será em 19 de novembro, na Associação Nacional de Escritores, em Brasília.

Anderson Braga Horta comemora seus 92 anos, na quinta-feira, 19 de novembro ao apresentar aos leitores Campo sem Tempo — Poesia Reunida, publicado pela Tagore Editora. O volume reúne décadas de criação de um dos nomes mais expressivos da literatura produzida em Brasília.

O encontro acontecerá na Associação Nacional de Escritores (ANE), com a acolhida de seu presidente, Fábio de Sousa Coutinho, que fez questão de receber e apoiar a celebração. A escolha do local tem significado especial: Anderson é um dos cofundadores da instituição. O lançamento será, assim, também um reencontro entre o escritor e uma parte da história cultural que ajudou a construir.

Dois anos para reunir uma vida de poesia

Campo sem Tempo é resultado de dois anos de trabalho, entre provas, correções e sucessivas conferências. Reunir uma trajetória poética exige mais do que colocar livros em sequência: é preciso respeitar a história dos textos e as decisões de um autor que volta à própria obra.

Na nota de abertura, assinada com suas conhecidas iniciais, ABH explica a composição do volume e registra mudanças de posição de alguns poemas, além de emendas pontuais. O leitor encontra, portanto, uma reunião acompanhada pelo próprio poeta.

A edição reúne os livros que integram Fragmentos da Paixão, entre eles Altiplano e Outros Poemas, Marvário, Incomunicação, Exercícios de Homem e Cronoscópio, além de títulos como Pulso, Quarteto Arcaico, Soneto Antigo, De Viva Voz, Vozes ao Vento, Iniciações e E de Repente.

O percurso permite acompanhar diferentes momentos de sua escrita e reconhecer a amplitude da sua poesia que convive com memória, amor, inquietação espiritual, consciência social e reflexão sobre a própria linguagem.

Um cavaleiro entre o mistério e a matéria

Entre os poemas do volume, “Cavaleiro” oferece uma entrada para esse universo. Nele, a voz poética atravessa o mistério e a experiência da matéria, até chegar à possibilidade de transformar a queda em criação:

CAVALEIRO

Desci das culminâncias do Mistério,
anseio do Mistério as aleluias.
Fui como estrelas do não-tempo, fui-as.
Reino agora no exílio desse Império.

Como a luz virginal que arde os espaços
e se perde das fábricas celestes,
eu me despi das principescas vestes
e mergulhei do alto dos áureos paços.

Nos confins do universo, em transe, a etérea
mansão deixei, qual luz que se derrama,
e atrevi-me aos abismos da Matéria.

Para cumprir a Lei do meu Senhor,
do negrume em que vou forjo uma flama,
dos desastres que fui nasço uma flor.

— Anderson Braga Horta.

De Carangola à construção literária de Brasília

Nascido em Carangola, Minas Gerais, em 17 de novembro de 1934, Anderson Braga Horta é filho de dois poetas: Anderson de Araújo Horta e Maria Braga Horta. A literatura, portanto, também faz parte de sua história familiar.

Radicado em Brasília desde 1960, lança seu primeiro livro em 1967, O horizonte e as setas com Elza Caravana, Izidoro Guelman e Joanyr de Oliveira participou da formação de instituições que deram espaço e continuidade à vida literária da capital. Além da ANE, ajudou a fundar o Clube de Poesia de Brasília e o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal. Integra a Academia Brasiliense de Letras e a Academia de Letras do Brasil.

Poeta, contista, ensaísta, crítico e tradutor, colaborou com jornais e revistas literárias no Brasil e no exterior. Em 2001, recebeu o Prêmio Jabuti por Fragmentos da Paixão, marco de sua trajetória.

Como tradutor, participou de projetos dedicados a autores como Victor Hugo e aos poetas do Século de Ouro Espanhol, em parceria com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera.

Uma história que atravessa duas gerações de editores

A publicação de Campo sem Tempo tem um significado particular para a Tagore Editora. Parte expressiva da bibliografia de Anderson Braga Horta foi publicada pela Thesaurus, editora de Victor Alegria.

Essa relação aparece em títulos como O Cordeiro e a Nuvem, de 1984, Erotismo & Poesia, Antologia Pessoal, Traduzir Poesia e Soneto Antigo, além de trabalhos de crítica, organização e tradução.

Agora, Victor Tagore, filho de Victor Alegria, dá continuidade a esse vínculo editorial. Publicar a poesia reunida de Anderson é também preservar uma relação de confiança construída ao longo de décadas entre autor, editores e leitores.

Uma edição para permanecer

Com 848 páginas, impressas em papel avena de 80 g, a edição tem cadernos costurados e acabamento em capa dura. A tiragem é limitada, e todos os exemplares são numerados à mão.

A capa, criada por Victor Tagore a partir de Campo de Trigo com Corvos, de Vincent van Gogh, acrescenta um encontro entre pintura e poesia à apresentação do volume.

O cuidado material acompanha a dimensão do projeto: oferecer um livro que possa ser lido aos poucos, consultado, retomado e conservado.

Lançamento

Livro: Campo sem Tempo — Poesia Reunida
Autor: Anderson Braga Horta
Editora: Tagore Editora
Data: 19 de novembro de 2026, quinta-feira
Local: Associação Nacional de Escritores (ANE), Brasília
Edição: 848 páginas, papel avena 80 g, cadernos costurados, capa dura e exemplares numerados à mão
Informações institucionais: anenet.com.br

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