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Com saúde debilitada, Bolsonaro preso alavanca candidatura de Flávio

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As próximas pesquisas deverão medir o impacto político das sucessivas internações do ex-presidente sobre o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro

O dia 6 de setembro de 2018 ainda nem havia terminado quando, da porta da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), um dos filhos de Jair Bolsonaro profetizou: “Vocês acabaram de eleger o presidente!”. A frase de Flávio Bolsonaro reagia à facada sofrida pelo pai horas antes, durante ato de campanha. Àquela altura, Bolsonaro liderava as pesquisas, mas acumulava alta rejeição. Carregado por apoiadores no centro da cidade, foi atingido pelo servente de pedreiro Adelio Bispo de Oliveira. Após o golpe, levou as mãos ao peito, gemia de dor e foi deitado na entrada de uma lanchonete próxima.

O atentado alterou o curso da campanha. Enquanto Bolsonaro era submetido a cirurgia de emergência, adversários suspenderam eventos e interromperam ataques, sobretudo a campanha de Geraldo Alckmin. A orientação dos marqueteiros era clara: não se podia atacar um candidato que lutava pela vida. A empatia gerada humanizou Bolsonaro, reduziu o espaço crítico e impulsionou sua presença nas redes sociais e nos motores de busca da internet, ambiente no qual sua candidatura se estruturava. A facada não explica tudo, mas catalisou de forma decisiva sua vitória. O resto da história é conhecido.

Nesta quarta-feira, sete anos depois, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou ao Hospital DF Star, em Brasília, às 11h25 da manhã, onde passou a receber atendimento médico e foi submetido a novos exames. Ele deixou o local por volta das 17h e voltou para a sede da Polícia Federal (PF). A ida à unidade de saúde foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a queda sofrida na cela da PF.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o ex-presidente caiu e bateu a cabeça em um móvel no quarto onde está preso na Superintendência da PF. Segundo a publicação no Instagram, Bolsonaro teve uma crise durante a noite, mas só foi atendido pela manhã. “Como o quarto permanece fechado, ele só recebeu atendimento quando foram chamá-lo para minha visita”, declarou.

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Dias antes, Bolsonaro havia recebido alta hospitalar após cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral e outra intervenção para conter crises persistentes de soluço. A defesa voltou a pedir prisão domiciliar, negada pelo STF, sob o argumento de que não houve agravamento clínico e que o tratamento pode ser realizado nas dependências da PF.

O cardiologista Brasil Caiado afirmou que a hipótese de convulsão foi descartada. Segundo ele, Bolsonaro tentou caminhar, perdeu o equilíbrio e caiu. Os exames apontaram traumatismo craniano leve, sem lesões intracranianas. O médico relatou episódios de tontura, desequilíbrio e lapsos momentâneos de memória, mas considerou o quadro não preocupante, embora tenha destacado possíveis interações medicamentosas. Não há dúvidas de que Bolsonaro apresenta saúde frágil, consequência direta das sequelas da facada de 2018, que já resultaram em nove cirurgias.

Transferência de votos

Desde a frustrada tentativa de fuga, quando violou as condições da tornozeleira eletrônica, o ex-presidente ocupa o noticiário quase diariamente, impulsionado por declarações da ex-primeira-dama e dos filhos, especialmente Carlos e Flávio. Cada ida ao hospital e retorno à Polícia Federal reforça a narrativa de vitimização. O principal beneficiário político desse processo é Flávio.

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Inelegível e cumprindo pena, Jair Bolsonaro lançou o filho como seu avatar eleitoral. Nas pesquisas mais recentes, Lula lidera os cenários de primeiro e segundo turnos da eleição de 2026, mas também concentra elevada rejeição, ao lado de Bolsonaro. No cenário estimulado, sem o ex-presidente, e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fora da disputa, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 18% de Flávio, no DataFolha de 6 de dezembro. Na sequência, surgem Ratinho Junior (12%), Ronaldo Caiado (7%) e Romeu Zema (6%). Brancos e nulos somam 13%, e 3% não opinaram.

As próximas pesquisas deverão medir o impacto político das sucessivas internações do ex-presidente sobre o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro. Familiares, médicos e advogados insistem na conversão da pena em prisão domiciliar, alegando o estado de saúde debilitado. Caso isso não ocorra, a vitimização pode atingir novo patamar — com efeitos políticos imprevisíveis, mas potencialmente decisivos. O fator imponderável é extremo: a possibilidade de Bolsonaro morrer na prisão, como advertem Michelle e filhos do ex-chefe do Executivo.

Involuntariamente, Alexandre de Moraes, responsável pela execução da pena, ou seja, a prisão em regime fechado do ex-presidente, como, aliás, manda a sentença da Primeira Turma da Corte, está sendo um cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro, ao alimentar o noticiário sobre a saúde do presidente e, ao manter a prisão em regime fechado, a sua vitimização.

Bolsonaro deve terminar de cumprir a condenação a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista em novembro de 2052. Somente terá direito a passar para o semiaberto em 23 de abril de 2033 e de cumprir livramento condicional a partir de 13 de março de 2037. Os prazos para progressão de regime poderão ser reduzidos em função de outros descontos previstos pela legislação, como leitura de livros e realização de cursos na prisão.

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