Crédito: Maurenilson Freire

Candidatos de oposição têm agenda comum focada nos pontos fracos de Lula

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Hertz disputa esquerda crítica ao governo; Cury procura moderados; Caiado representa centro-direita administrativa; e Avalanche aposta no populismo

Promovida pelo Correio Braziliense, ontem, a primeira rodada de sabatinas com candidatos à Presidência mostrou que existe uma agenda comum de oposição ao governo, embora sejam muito diferentes as alternativas apresentadas. Hertz Dias (PSTU), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Leonardo Avalanche (PRTB) criticaram, por caminhos distintos, a condução da economia, o funcionamento das instituições, a política externa e a capacidade do Estado de enfrentar os problemas da população.

Essa convergência pode dificultar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, porque amplia o discurso oposicionista para além de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, essas candidaturas retiram votos do filho de Jair Bolsonaro, mas ninguém sabe qual será o destino desses eleitores num eventual segundo turno.

Conduzidas por Denise Rothenburg, titular da coluna Brasília-DF; Ana Maria Campos, editora de Política local e titular da coluna Eixo Capital; Carmen Souza, editora de Opinião; e Carlos Alexandre de Souza, editor de Política, Brasil e Economia, as sabatinas expuseram a diversidade da disputa. As perguntas sobre orçamento, governabilidade, segurança, relações internacionais e funcionamento dos Poderes revelaram projetos dirigidos a públicos distintos, mas convergentes ao culpar o governo pelos problemas nacionais.

A contestação mais radical partiu de Hertz Dias. Professor, rapper e ativista, o candidato do PSTU defendeu a revogação do arcabouço fiscal e das reformas da Previdência, trabalhista e tributária, além da suspensão do pagamento da dívida pública. “Não existe déficit da Previdência. Nós vamos revogar as reformas da Previdência, suspender o pagamento da dívida pública e revogar o arcabouço fiscal”, afirmou.

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À esquerda do PT, Hertz adotou a narrativa dos pobres contra os ricos: “Os bilionários estão intocados neste país.” Busca atrair eleitores radicalizados e descontentes com a moderação econômica do governo. Embora tenha uma base eleitoral pouco expressiva, o PSTU atua entre servidores, sindicalistas, jovens e movimentos sociais, além de pressionar partidos como o Psol a radicalizar o discurso.

O escritor e psiquiatra Augusto Cury procurou construir uma imagem moderada, mas apresentou propostas de grande impacto institucional. A principal foi estabelecer mandatos de oito anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal: “O STF deveria passar por uma reforma no sentido de que eles deveriam ficar oito anos e depois ir embora.” Cury também propôs retirar do presidente da República o protagonismo na escolha dos ministros. Magistrados, integrantes do Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil passariam a participar diretamente das indicações. Segundo ele, isso reduziria a “interferência do Executivo no Judiciário”.

Terceira via

Cury aspira ocupar o espaço de terceira via. Na segurança, resumiu sua visão numa frase: “O pior do que o crime organizado é o Estado desorganizado.” Defendeu integração entre Polícia Federal e polícias estaduais, valorização profissional, tecnologia e prevenção municipal. Também tratou a expansão das bets como problema de saúde mental e de proteção das famílias.

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Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado é o mais competitivo dos quatro sabatinados. O candidato do PSD criticou medidas que considera populistas, advertiu para seus efeitos sobre o Orçamento de 2027 e associou responsabilidade fiscal à capacidade de prestação de serviços. Na política externa, procurou diferenciar-se do governo e do bolsonarismo.

Ao comentar as trocas de ataques entre Lula, Donald Trump e aliados de Bolsonaro, Caiado afirmou que a disputa se transformou numa “briga de rua”. Caiado condenou a interferência estrangeira na eleição, inclusive a participação do presidente argentino, Javier Milei, na campanha de Flávio Bolsonaro, mas também responsabilizou Lula pela escalada: “Eles brigam pelo mesmo interesse: não discutir os assuntos do Brasil.” Ao prometer resgatar a “liturgia do cargo” e o protagonismo do Itamaraty, tenta apresentar-se como candidato de autoridade, previsibilidade e experiência administrativa.

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No combate ao feminicídio, defendeu a integração entre segurança, saúde, assistência social, Ministério Público e Defensoria. “Briga de marido e mulher não se mete a colher. O Caiado mete algema e tornozeleira nesse vagabundo”, afirmou. Também propôs confiscar os bens dos condenados e transferi-los à família da vítima. A medida precisaria preservar os direitos de terceiros, herdeiros e dependentes, além do devido processo legal.

Leonardo Avalanche representa a vertente mais populista. O candidato do PRTB defendeu distribuir celulares a jovens e empreendedores que concluíssem cursos públicos. Alegou que R$ 3 bilhões do orçamento de publicidade permitiriam comprar “quase 500 milhões de aparelhos”. A conta não se sustenta.

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A rodada revelou uma oposição fragmentada, porém extensa. Hertz disputa a esquerda crítica ao governo; Cury procura os moderados; Caiado busca consolidar uma centro-direita administrativa; e Avalanche no populismo mais rudimentar. Apesar dos limites de cada candidatura, todas disseminam a avaliação de que o governo não responde adequadamente aos problemas do país.

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