Petrobras companheira aderna

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Por décadas seguidas, a Petrobras esteve entre as maiores empresas do planeta e do Brasil. Ainda em 2009, durante o delírio populista do pré-sal, a empresa era avaliada em US$ 208 bilhões, o que a colocava entre as cinco maiores do mundo. O que ocorreu com essa companhia, outrora o orgulho nacional, reflete fidedignamente o que acontece também com o Brasil, depois de mais de uma década de governo petista.

Na empresa, a contabilidade, respeitando as escalas, reproduz o passivo apresentado pelas contas públicas deste governo. Com dívida de mais de R$ 500 bilhões, resultado de gestão administrativa que direcionou a companhia ao atendimento direto das necessidades ideológicas do partido no poder, a Petrobras é hoje uma sombra do passado.

Por enquanto, o registro da derrama reflete no preço do combustível. Comparado ao resto do mundo, não fazia sentido o combustível do Brasil ser o mais caro no mercado interno. Agora, sim, faz todo o sentido. Mais uma vez, cai no colo do consumidor tapar a cratera formada pelo pré-sal da corrupção. Internacionalmente, os investidores protegidos pelo guarda-chuva das agências de rating começam a retirar, em massa, os investimentos na empresa, certos de que a plataforma adernou de vez.

A agência de classificação Fich rebaixou não só o rating de probabilidade de inadimplência da Petrobras, como a nota de dívida da empresa, puxando-a para perspectiva negativa, a mesma nota de crédito soberano dada ao Brasil. Do mesmo modo, agiu a agência Moody’s, revisando, para baixo, o nível (rating) da estatal. Essa agência usou praticamente os mesmos argumentos de outras do gênero: “Elevação do risco de refinanciamento em função da piora das condições da indústria do petróleo, dificuldades de realização do plano de desinvestimentos, elevadas amortizações de dívidas nos próximos anos e perspectiva de geração de caixa negativa”.

Mais adiante, a Moody’s admitiu preocupação com os desdobramentos da Operação Lava-Jato. O fato da existência, já verificada, de grandes reservas de petróleo sob o leito marinho é o que parece sustentar ainda a Petrobras, fora da linha d’água e da insolvência total.

No mundo dos grandes investimentos, repercussões negativas têm o poder de se propagar como rastilho de pólvora. Seguindo as demais, a Standard & Poor’s também rebaixou a nota da Petrobrás em dois graus, ficando, inclusive abaixo da nota, em moeda local, do Brasil.

Para uma empresa com 60 anos de atividade e presença constante em todos mercados internacionais de petróleo, o rebaixamento de sua avaliação pelas maiores agências de rating do planeta é duro golpe que levará anos para ser revertido. Credibilidade nos mercados internacionais é a matéria-prima mais valiosa e, no caso da Petrobras, lastro fundamental. Sem ele, a empresa tem seus dias contados como player além fronteiras.

Circe Cunha

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