Movimento pendular

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Criada por Ari Cunha desde 1960

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com Circe Cunha e Mamfil

Exemplos vindos de toda a parte e em todo o tempo ensinam que os países, ao longo de suas histórias, experimentaram movimentos pendulares na política, ora oscilando numa direção, ora em outra, mas sempre mantendo e obedecendo a direção imposta pela sociedade.

No Brasil essa dinâmica não é diferente e segue exatamente os anseios expressados pela maioria dos cidadãos. Analisando o tema do ponto de vista dessas alternâncias entre sístoles e diástoles ou entre o inspirar e expirar, é fato que em decorrência de fatores puramente históricos , advindos de nossa formação sui generis, é possível atestar na sociedade brasileira , em todos os patamares da pirâmide social a presença de um forte elemento conservador.

É preciso, no entanto, esclarecer que o termo conservador aqui não significa, como muitos teóricos da esquerda gostam de pregar, algo atrasado ou parado no tempo. O termo se liga muito mais a preservação daquilo que os brasileiros emprestam um valor simbólico, fundamental até para a existência de cada um, como é o caso dos costumes, da família, da preservação da vida, da religião, patriotismo e de outros elementos que sempre estiveram presentes na vida do cidadão comum, seja rico ou pobre, branco ou preto.

        O que está acontecendo agora, com a provável eleição de Jair Bolsonaro, começo a ser preparado quatro anos atrás, com a eleição para o Congresso da maior bancada conservadora em meio século. Levantamentos feito pelo Ibope a dois anos passados mostravam que 54% dos brasileiros de todas as classes expressavam posições conservadoras em relação a temas como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, maioridade penal, pena de morte e outros temas relevantes. Obviamente que alterações de curso, dentro do tecido social, como é o caso do aumento extraordinários dos índices de violência, fizeram a população mudar radicalmente de posição, considerando , pela primeira vez, tanto a pena de morte como a prisão perpétua para crimes hediondos, como única saída possível para consertar o país. A possível eleição de Bolsonaro vem juntamente nessa onde de conservadorismo, adormecida desde 1964. Para os analistas a grande questão agora será como os conservadores ,que puseram agora a cara na janela, irão tratar da questão da desigualdade social histórica, de forma a fazer valer esses valores, principalmente quanto a agenda liberal de diminuição do Estado e o fim de privilégios a muito enraizados em nossa nação. O saudoso Betinho costumava dizer que democracia não combina com fome e desigualdades. Nesse caso se os conservadores conseguirem, de fato, reduzir esses abismos existentes no país entre pobres e ricos, conseguirão se manter no poder. Caso contrário, o pêndulo irá seguir seu caminho, oscilando para o outro lado.

Desarmar os espíritos é um bom começo, mas não resolve quando o assunto são interesses humanos em jogo. Nesse sentido é tão importante desarmar a agressividade dos homens, como desarmar e desaparelhar as instituições do Estado, livrando-as da ascendência maléfica de ideológicas, sobretudo aquela que dominaram o país por longos treze anos.

Circe Cunha

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