{"id":9891,"date":"2019-02-01T09:10:46","date_gmt":"2019-02-01T11:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=9891"},"modified":"2019-02-01T12:12:58","modified_gmt":"2019-02-01T14:12:58","slug":"a-importancia-do-congresso-para-a-retomada-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-importancia-do-congresso-para-a-retomada-da-economia\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do Congresso para a retomada da economia"},"content":{"rendered":"<h2>ROBERTO PADOVANI*<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>A sociedade brasileira saiu tensa e assustada do processo eleitoral. Nesse ambiente, os discursos populistas das elei\u00e7\u00f5es ainda reverberam e fazem com que, apesar da euforia de empres\u00e1rios e investidores, haja cautela, ceticismo e ansiedade entre analistas.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas o que j\u00e1 podemos ver de concreto? A principal novidade est\u00e1 na pol\u00edtica. A estrat\u00e9gia de se distanciar das pr\u00e1ticas tradicionais das indica\u00e7\u00f5es, nomeando uma equipe mais t\u00e9cnica, refor\u00e7ou a popularidade do governo. De fato, as primeiras pesquisas mostraram uma popularidade quase t\u00e3o elevada quanto \u00e0 dos in\u00edcios dos mandatos de Collor e Lula. Um bom desempenho, considerando-se a fragilidade vista nos \u00faltimos cinco anos e o contexto global de frustra\u00e7\u00e3o com o sistema pol\u00edtico. Ao mesmo tempo, o alinhamento ideol\u00f3gico com o Congresso e o apoio das bancadas apontam para um bom come\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9892\" aria-describedby=\"caption-attachment-9892\" style=\"width: 548px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/02\/congresso.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-9892\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/02\/congresso.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/02\/congresso.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/02\/congresso-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/02\/congresso-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/02\/congresso-350x232.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/02\/congresso-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/02\/congresso-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9892\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Minervino Junior\/CB\/D.A Press. Mesa Diretora da C\u00e2mara dos Deputados, no Congresso Nacional.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Contudo, se a avalia\u00e7\u00e3o do presidente e a governabilidade s\u00e3o uma boa surpresa, os diversos ru\u00eddos na comunica\u00e7\u00e3o contribu\u00edram para um come\u00e7o mais confuso que o esperado. Na pr\u00e1tica, o que se viu foi um governo tendo que rapidamente aprender a governar. Esc\u00e2ndalos envolvendo o n\u00facleo familiar, idas e vindas nos an\u00fancios de medidas e pol\u00eamicas em torno da pol\u00edtica externa e das quest\u00f5es do meio ambiente, educa\u00e7\u00e3o e fam\u00edlia geraram os primeiros desgastes. Como mostra nossa curta vida democr\u00e1tica, a lua de mel, mais uma vez, dever\u00e1 ser r\u00e1pida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A estrat\u00e9gia atual de se distanciar de lideran\u00e7as e partidos tradicionais pode fazer sentido eleitoral, mas n\u00e3o parece promissora na administra\u00e7\u00e3o do governo ao longo do mandato&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na economia, h\u00e1 menos surpresas. A heran\u00e7a recebida do governo anterior \u00e9 positiva e a economia est\u00e1 relativamente ajustada para uma retomada c\u00edclica. A manuten\u00e7\u00e3o de parte da equipe e da agenda \u00e9 \u00f3timo sinal, e os trope\u00e7os iniciais ajudaram a coordenar a comunica\u00e7\u00e3o, alinharam a estrat\u00e9gia econ\u00f4mica e colocaram press\u00e3o adicional para o encaminhamento das reformas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais importante, apesar de suas ideologias, o governo parece flex\u00edvel e pragm\u00e1tico, como demonstrou a primeira experi\u00eancia internacional em Davos, na Su\u00ed\u00e7a. Os discursos mais populistas foram suavizados e se colocou \u00eanfase na agenda econ\u00f4mica. Lentamente, os sinais em torno da reforma da Previd\u00eancia foram sendo afinados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como resultado, as cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de um programa econ\u00f4mico claro est\u00e3o se dissipando. Como sempre acontece, a agenda est\u00e1 sendo definida a partir das demandas econ\u00f4micas e pol\u00edticas do momento, ao mesmo tempo em que os nomes e o perfil da equipe refor\u00e7am o foco na reforma do Estado e na infraestrutura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por outro motivo, o mundo dos neg\u00f3cios est\u00e1 confiante. A confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores voltou a crescer, refletindo a euforia com o pa\u00eds. A Bolsa de Valores alcan\u00e7a recordes cont\u00ednuos, os juros nos mercados futuros se mant\u00eam em n\u00edveis historicamente baixos e o risco soberano recuou rapidamente para os patamares observados quando o pa\u00eds era grau de investimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante deste come\u00e7o, restam duas d\u00favidas principais. A primeira \u00e9 sobre a capacidade de constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de uma maioria legislativa. A estrat\u00e9gia atual de se distanciar de lideran\u00e7as e partidos tradicionais pode fazer sentido eleitoral, mas n\u00e3o parece promissora na administra\u00e7\u00e3o do governo ao longo do mandato. \u00c9 preciso saber como ser\u00e1 feita a coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Planalto caso o sistema de presidencialismo de coalis\u00e3o seja efetivamente abandonado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado s\u00e3o as incertezas em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o da ambiciosa agenda econ\u00f4mica e, portanto, sobre a capacidade da economia de crescer ao longo dos pr\u00f3ximos anos. Neste contexto, os investidores externos, apreensivos com os riscos globais, ajudam pouco e a economia brasileira continua relativamente estagnada. A euforia demostrada nos mercados financeiros locais e na confian\u00e7a ainda n\u00e3o se traduziram em um crescimento econ\u00f4mico robusto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seja como for, o que aprendemos no primeiro m\u00eas \u00e9 que o populismo eleitoral vai lentamente cedendo lugar a um maior pragmatismo. Entre boas not\u00edcias, sustos e d\u00favidas, o Brasil vai mostrando que um novo ciclo na economia e na pol\u00edtica j\u00e1 teve in\u00edcio. \u00c9 aguardar e torcer para que as coisas caminhem bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) Economista-chefe do Banco Votorantim<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 09h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROBERTO PADOVANI* A sociedade brasileira saiu tensa e assustada do processo eleitoral. 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