{"id":8794,"date":"2018-07-24T06:47:15","date_gmt":"2018-07-24T09:47:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8794"},"modified":"2018-07-24T10:48:32","modified_gmt":"2018-07-24T13:48:32","slug":"correio-economico-o-futuro-vem-da-boa-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-o-futuro-vem-da-boa-educacao\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: O futuro vem da boa educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>Se os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica tiverem ju\u00edzo, a educa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o tema principal da campanha, que come\u00e7ar\u00e1, oficialmente, em 16 de agosto. Sem a melhoria do sistema de ensino do pa\u00eds, qualquer projeto de governo tender\u00e1 ao fracasso. Os dados atuais, diz o professor Ab\u00edlio Baeta Neves, presidente da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), s\u00e3o alarmantes. N\u00e3o h\u00e1 nada que se possa comemorar.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os problemas v\u00e3o do ensino b\u00e1sico ao superior. Portanto, o vencedor nas urnas ter\u00e1 que fazer uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o se quiser colocar o Brasil mais pr\u00f3ximo do que se v\u00ea no mercado internacional. O pa\u00eds est\u00e1 atrasado em tudo, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pesquisas. Por ser estritamente local, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira tem baixo impacto na economia. O \u00edndice que mede esses efeitos \u00e9 de 0,8 no Brasil contra 1,0 no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O professor diz que h\u00e1 um problema cultural grande. Os pesquisadores n\u00e3o t\u00eam interesse em expandir seus estudos no exterior. J\u00e1 as universidades brasileiras est\u00e3o acomodadas, n\u00e3o fazem qualquer movimenta\u00e7\u00e3o para ampliar o interc\u00e2mbio de alunos. S\u00e3o poucos os estudantes que v\u00eam de fora. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alarmante, diz o presidente da Capes, que mais de 50% dos pesquisadores nunca se deslocaram mais que 10km do local onde atuam. E mais: 64% deles n\u00e3o querem estudar no exterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma briga internacional por jovens talentos. Na Su\u00ed\u00e7a, mais de 50% dos alunos em universidades s\u00e3o estrangeiros. Aqui, n\u00e3o damos valor a isso. Somos muito dom\u00e9sticos\u201d, ressalta Baeta Neves. Ele diz que recursos fazem falta para incentivar a internacionaliza\u00e7\u00e3o das pesquisas brasileiras, mas o maior problema \u00e9 cultural. \u201cDe nada adiantar\u00e1 ampliar as verbas dispon\u00edveis para pesquisas se n\u00e3o mudarmos nossa atitude. S\u00f3 vamos aumentar o erro\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele lembra o caso do Ci\u00eancia sem Fronteiras, criado no governo de Dilma Rousseff. A ideia era levar um grande n\u00famero de jovens para universidades mundo afora. Mas n\u00e3o houve controle. Priorizou-se demandas individuais, sem de preocupar com o impacto das pesquisas nas institui\u00e7\u00f5es de origem dos estudantes. Mais que isso: em muitos casos, o que era para ser um per\u00edodo de estudo se transformou em um per\u00edodo de f\u00e9rias bancadas com dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crise e inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O professor assinala que, mesmo com toda a escassez de recursos, a Capes vem se esfor\u00e7ando para incrementar a qualidade dos trabalhos cient\u00edficos. Em 2018, o or\u00e7amento de R$ 3,9 bilh\u00f5es bancar\u00e1 100 mil bolsas no Brasil e 7 mil no exterior. Essa atua\u00e7\u00e3o poderia se maior n\u00e3o fosse o baixo ingresso de jovens no ensino superior. Daqueles entre 18 e 24 anos, somente 20% est\u00e3o cursando a universidade. Isso, portanto, restringe o n\u00famero de p\u00f3s-graduados e doutores, os respons\u00e1veis pelo incremento da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do presidente da Capes o futuro governante ter\u00e1 de refor\u00e7ar as verbas para a educa\u00e7\u00e3o, mas com efici\u00eancia, para que os resultados sejam efetivos. A qualidade do ensino \u00e9 t\u00e3o ruim que estamos na 67\u00aa no ranking mundial de inova\u00e7\u00e3o, segundo o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial. \u201cO deficit \u00e9 brutal em todos os n\u00edveis de ensino. Se nos mantivermos no ritmo atual, vamos ficar para tr\u00e1s. Mais do que j\u00e1 estamos\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Baeta Neves, a crise econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 desculpa para se falar em cortes de recursos para a educa\u00e7\u00e3o. Ele lembra que, entre 2008 e 2009, quando o mundo ruiu depois do estouro da bolha imobili\u00e1ria dos Estados Unidos, as grandes economias do planeta, justamente as que mais sofreram, ampliaram os gastos com pesquisas e inova\u00e7\u00e3o. Sabiam que os resultados seriam vitais para impulsionar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDizer que o Brasil gasta muito com educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um erro. Nossa primeira universidade s\u00f3 abriu as portas em 1930, com s\u00e9culo de atraso. Temos um passivo grande ante os pa\u00edses que investiram muito antes na educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o professor. \u00c9 preciso ter mente que a boa educa\u00e7\u00e3o aumenta a competitividade da economia. Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada tecnologicamente. H\u00e1 um mundo novo pela frente, do qual o Brasil n\u00e3o pode ficar de fora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica tiverem ju\u00edzo, a educa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o tema principal da campanha, que come\u00e7ar\u00e1, oficialmente, em 16 de agosto. Sem a melhoria do sistema de ensino do pa\u00eds, qualquer projeto de governo tender\u00e1 ao fracasso. 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