{"id":8446,"date":"2018-06-20T18:01:09","date_gmt":"2018-06-20T21:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8446"},"modified":"2018-06-20T18:13:16","modified_gmt":"2018-06-20T21:13:16","slug":"bc-mantem-os-juros-inalterados-em-65-ao-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bc-mantem-os-juros-inalterados-em-65-ao-ano\/","title":{"rendered":"BC mant\u00e9m os juros inalterados em 6,5% ao ano"},"content":{"rendered":"<h2>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>Em decis\u00e3o amplamente esperada pelo mercado, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) manteve a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) inalterada em 6,5% ao ano. Apesar disso, a autoridade monet\u00e1ria mostrou preocupa\u00e7\u00e3o com as press\u00f5es inflacion\u00e1rias nos pr\u00f3ximos meses em comunicado divulgado ap\u00f3s a reuni\u00e3o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, com o aumento das incertezas pol\u00edticas e as press\u00f5es externas, a curva de juros futuros passou a precificar a possibilidade de 60% de alta de 0,5 ponto percentual da Selic. Apesar disso, ontem a probabilidade passou a 75% de chance de manuten\u00e7\u00e3o da taxa inalterada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ficou claro para o mercado que uma eventual alta da Selic traria mais preju\u00edzos do que benef\u00edcios para a economia brasileira, que ainda patina para voltar a crescer. No mercado, alguns economistas avaliaram que a eleva\u00e7\u00e3o da taxa prejudicaria o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veja a \u00edntegra da nota do Copom:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A paralisa\u00e7\u00e3o no setor de transporte de cargas no m\u00eas de maio dificulta a leitura da evolu\u00e7\u00e3o recente da atividade econ\u00f4mica. Dados referentes ao m\u00eas de abril sugerem atividade mais consistente que nos meses anteriores. Entretanto, indicadores referentes a maio e, possivelmente, junho dever\u00e3o refletir os efeitos da referida paralisa\u00e7\u00e3o. O cen\u00e1rio b\u00e1sico contempla continuidade do processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia brasileira, em ritmo mais gradual;<\/em><\/p>\n<p><em>O cen\u00e1rio externo seguiu mais desafiador e apresentou volatilidade. A evolu\u00e7\u00e3o dos riscos, em grande parte associados \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o das taxas de juros em algumas economias avan\u00e7adas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redu\u00e7\u00e3o do apetite ao risco em rela\u00e7\u00e3o a economias emergentes;<\/em><\/p>\n<p><em>O Comit\u00ea julga que, no curto prazo, a infla\u00e7\u00e3o dever\u00e1 refletir os efeitos altistas significativos e tempor\u00e1rios da paralisa\u00e7\u00e3o no setor de transporte de cargas e de outros ajustes de pre\u00e7os relativos. As medidas de infla\u00e7\u00e3o subjacente ainda seguem em n\u00edveis baixos, inclusive os componentes mais sens\u00edveis ao ciclo econ\u00f4mico e \u00e0 pol\u00edtica monet\u00e1ria;<\/em><\/p>\n<p><em>As expectativas de infla\u00e7\u00e3o para 2018 e 2019 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,9% e 4,1%, respectivamente. As expectativas para 2020 situam-se em torno de 4,0%; e<\/em><\/p>\n<p><em>No cen\u00e1rio com trajet\u00f3rias para as taxas de juros e c\u00e2mbio extra\u00eddas da pesquisa Focus, as proje\u00e7\u00f5es do Copom situam-se em torno de 4,2% para 2018 e de 3,7% para 2019. Esse cen\u00e1rio sup\u00f5e trajet\u00f3ria de juros que encerra 2018 em 6,50% a.a. e 2019 em 8,0% a.a. e de taxa de c\u00e2mbio que termina 2018 em R$\/US$ 3,63 e 2019 em R$\/US$ 3,60. No cen\u00e1rio com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de c\u00e2mbio constante a R$\/US$ 3,70*, as proje\u00e7\u00f5es situam-se em torno de 4,2% para 2018 e 4,1% para 2019.<\/em><\/p>\n<p><em>O Comit\u00ea ressalta que, em seu cen\u00e1rio b\u00e1sico para a infla\u00e7\u00e3o, permanecem fatores de risco em ambas as dire\u00e7\u00f5es. Por um lado, a (i) poss\u00edvel propaga\u00e7\u00e3o, por mecanismos inerciais, do n\u00edvel baixo de infla\u00e7\u00e3o passada pode produzir trajet\u00f3ria prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustra\u00e7\u00e3o das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necess\u00e1rios na economia brasileira pode afetar pr\u00eamios de risco e elevar a trajet\u00f3ria da infla\u00e7\u00e3o no horizonte relevante para a pol\u00edtica monet\u00e1ria. Esse risco se intensifica no caso de (iii) continuidade da revers\u00e3o do cen\u00e1rio externo para economias emergentes. Esse \u00faltimo risco se intensificou desde a reuni\u00e3o anterior do Copom, enquanto diminuiu o risco da infla\u00e7\u00e3o ficar significativamente abaixo da meta no horizonte relevante.<\/em><\/p>\n<p><em>Considerando o cen\u00e1rio b\u00e1sico, o balan\u00e7o de riscos e o amplo conjunto de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros em 6,50% a.a. O Comit\u00ea entende que essa decis\u00e3o reflete seu cen\u00e1rio b\u00e1sico e balan\u00e7o de riscos para a infla\u00e7\u00e3o prospectiva e \u00e9 compat\u00edvel com a converg\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o para a meta no horizonte relevante para a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, que inclui os anos-calend\u00e1rio de 2018 e, principalmente, de 2019.<\/em><\/p>\n<p><em>O Copom reitera que a conjuntura econ\u00f4mica prescreve pol\u00edtica monet\u00e1ria estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.<\/em><\/p>\n<p><em>O Comit\u00ea enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necess\u00e1rios na economia brasileira \u00e9 essencial para a manuten\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o baixa no m\u00e9dio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recupera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da economia.<\/em><\/p>\n<p><em>O Copom entende que deve pautar sua atua\u00e7\u00e3o com foco na evolu\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es e expectativas de infla\u00e7\u00e3o, do seu balan\u00e7o de riscos e da atividade econ\u00f4mica. Choques que produzam ajustes de pre\u00e7os relativos devem ser combatidos apenas no impacto secund\u00e1rio que poder\u00e3o ter na infla\u00e7\u00e3o prospectiva (i.e., na propaga\u00e7\u00e3o a pre\u00e7os da economia n\u00e3o diretamente afetados pelo choque). \u00c9 por meio desses efeitos secund\u00e1rios que esses choques podem afetar as proje\u00e7\u00f5es e expectativas de infla\u00e7\u00e3o e alterar o balan\u00e7o de riscos. Esses efeitos podem ser mitigados pelo grau de ociosidade na economia e pelas expectativas de infla\u00e7\u00e3o ancoradas nas metas. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica entre choques recentes e a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/em><\/p>\n<p><em>Na avalia\u00e7\u00e3o do Copom, a evolu\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio b\u00e1sico e do balan\u00e7o de riscos prescreve manuten\u00e7\u00e3o da taxa Selic no n\u00edvel vigente. O Copom ressalta que os pr\u00f3ximos passos da pol\u00edtica monet\u00e1ria continuar\u00e3o dependendo da evolu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, do balan\u00e7o de riscos e das proje\u00e7\u00f5es e expectativas de infla\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Votaram por essa decis\u00e3o os seguintes membros do Comit\u00ea: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maur\u00edcio Costa de Moura, Ot\u00e1vio Ribeiro Damaso, Paulo S\u00e9rgio Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corr\u00eaa Marques e Tiago Couto Berriel.<\/em><\/p>\n<p><em>*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da taxa de c\u00e2mbio R$\/US$ observada nos cinco dias \u00fateis encerrados na sexta-feira anterior \u00e0 reuni\u00e3o do Copom.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO Em decis\u00e3o amplamente esperada pelo mercado, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) manteve a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) inalterada em 6,5% ao ano. 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