{"id":8426,"date":"2018-06-19T06:57:26","date_gmt":"2018-06-19T09:57:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8426"},"modified":"2018-06-19T11:03:23","modified_gmt":"2018-06-19T14:03:23","slug":"correio-economico-responsabilidade-do-banco-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-responsabilidade-do-banco-central\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: A responsabilidade do Banco Central"},"content":{"rendered":"<h2>O mercado vai testar at\u00e9 o \u00faltimo instante, mas dificilmente o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central ceder\u00e1 \u00e0s press\u00f5es para aumentar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 6,50% ao ano, o n\u00edvel mais baixo da hist\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1, no entender dos diretores do BC, nada que justifique a eleva\u00e7\u00e3o dos juros neste momento. A infla\u00e7\u00e3o, que seria a raz\u00e3o principal para um ajuste na taxa Selic, est\u00e1 h\u00e1 quase um ano abaixo de 3%, o piso da meta definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). Mesmo com o d\u00f3lar em alta, encerrar\u00e1 2018 na casa de 4%, \u00edndice confort\u00e1vel segundo o modelo definido pela autoridade monet\u00e1ria.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 crescimento econ\u00f4mico. Muito pelo contr\u00e1rio. Todas as estimativas est\u00e3o apontando para uma forte desacelera\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB). O Ita\u00fa Unibanco chegou a projetar avan\u00e7o de 4% neste ano. Agora, trabalha com um resultado pr\u00f3ximo de 1%, que, se confirmado, j\u00e1 ser\u00e1 uma grande vit\u00f3ria, dado o estrago provocado pela greve dos caminhoneiros. Mesmo com a paralisa\u00e7\u00e3o suspensa, v\u00e1rios setores enfrentam dificuldades para retomar a rotina. N\u00e3o por acaso, cresce o n\u00famero de analistas prevendo queda do PIB entre abril e junho, trazendo de volta o fantasma da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O crescimento menor, por sua vez, tender\u00e1 a ampliar o desemprego. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) apontam que a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o atingiu 12,9% no trimestre terminado em abril, com aumento de 0,7 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o ao \u00edndice observado entre novembro de 2017 e janeiro de 2018, de 12,2%. Mais de 13 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o sem trabalho. Quando inclu\u00eddos na conta aqueles com empregos prec\u00e1rios, quase 28 milh\u00f5es de cidad\u00e3os n\u00e3o t\u00eam renda suficiente para bancar despesas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses argumentos, inclusive, t\u00eam sido usados pelo presidente Michel Temer em conversas com integrantes da equipe econ\u00f4mica para enfatizar sua contrariedade em rela\u00e7\u00e3o a um eventual aumento dos juros. \u201cSer\u00e1 um desastre se o BC ceder \u00e0s press\u00f5es do mercado\u201d, vem afirmando ele. Na vis\u00e3o de Temer, desde o in\u00edcio, o Banco Central acertou na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Tanto que levou a infla\u00e7\u00e3o para os menores n\u00edveis em duas d\u00e9cadas e conseguiu derrubar os juros de 14,25% para 6,50% ao ano. Para o presidente, \u201co que estamos vendo \u00e9 um movimento especulativo contra o BC\u201d, que n\u00e3o pode ser combatido com mais juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Riscos no horizonte<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo reconhece \u2014 a\u00ed inclu\u00eddo o BC \u2014 que a disparada do d\u00f3lar nas \u00faltimas semanas deve mexer com as estimativas de infla\u00e7\u00e3o, mas nada que leve os n\u00fameros a descolarem das metas. Apesar de toda a press\u00e3o, o time do BC comandado por Ilan Goldfajn acredita que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob controle e que as interven\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio t\u00eam sido suficientes para reduzir a volatilidade do d\u00f3lar. Para o BC, o c\u00e2mbio no Brasil \u00e9 flutuante e deve refletir as condi\u00e7\u00f5es do mercado, tanto para cima quanto para baixo. Mas os movimentos devem ser graduais, sem provocar distor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O d\u00f3lar chegou a encostar nos R$ 4, o que obrigou o BC a anunciar um arsenal que j\u00e1 chega a US$ 50 bilh\u00f5es em contratos de swap cambial, que consiste em venda da moeda norte-americana no mercado futuro. As portas est\u00e3o abertas para que as interven\u00e7\u00f5es superem os US$ 110 bilh\u00f5es. O Banco Central reconhece que as condi\u00e7\u00f5es com as quais vinha lidando pioraram, devido ao aumento mais forte dos juros nos Estados Unidos e a guerra comercial travada entre o pa\u00eds de Donald Trump com a China. H\u00e1, ainda, incertezas sobre as elei\u00e7\u00f5es de outubro pr\u00f3ximo, uma vez que os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos n\u00e3o mostram compromisso com reformas como a da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, esse ambiente mais adverso n\u00e3o justifica aumento da taxa Selic, sobretudo se for levado em considera\u00e7\u00e3o que, at\u00e9 a \u00faltima reuni\u00e3o do Copom, a aposta geral do mercado era de que haveria queda para 6,25%. A decis\u00e3o do Copom de manter os juros em 6,50%, por sinal, foi questionada por muita gente. \u201cA pergunta que todos n\u00f3s fazemos no governo \u00e9 o que mudou de t\u00e3o profundo para que os juros aumentem. Tivemos a greve dos caminhoneiros, mas todas as consequ\u00eancias dela justificariam queda da Selic, n\u00e3o alta. Vamos ver avan\u00e7o menor do PIB e desemprego maior. Nesse ambiente, n\u00e3o h\u00e1 press\u00e3o inflacion\u00e1ria\u201d, afirma um t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Pal\u00e1cio do Planalto, todos ressaltam que o BC tem total autonomia para definir os juros. O bom-senso, no entanto, justifica a manuten\u00e7\u00e3o da Selic. O que o mercado quer, neste momento, \u00e9 garantir ganhos maiores. H\u00e1, sim, riscos no horizonte. Mas o Copom ter\u00e1 tempo de sobra para avaliar, a cada 45 dias, at\u00e9 quando poder\u00e1 sustentar a taxa b\u00e1sica da economia em 6,50% ao ano. Se, mais \u00e0 frente, perceber o risco de a infla\u00e7\u00e3o se desvirtuar da meta, agir\u00e1 com rapidez. O BC tem responsabilidade com o pa\u00eds, n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea de um grupo de operadores que aposta no caos para de dar bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h57min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado vai testar at\u00e9 o \u00faltimo instante, mas dificilmente o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central ceder\u00e1 \u00e0s press\u00f5es para aumentar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 6,50% ao ano, o n\u00edvel mais baixo da hist\u00f3ria. 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