{"id":8415,"date":"2018-06-16T06:42:23","date_gmt":"2018-06-16T09:42:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8415"},"modified":"2018-06-16T13:49:08","modified_gmt":"2018-06-16T16:49:08","slug":"correio-economico-conta-da-crise-cai-no-colo-da-classe-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-conta-da-crise-cai-no-colo-da-classe-media\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: A conta da crise cai no colo da classe m\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<h2>A classe m\u00e9dia que costuma aplicar sua poupan\u00e7a em fundos de investimentos e no Tesouro Direto est\u00e1 vendo seu patrim\u00f4nio encolher significativamente neste m\u00eas. Diante da forte volatilidade das taxas de juros, o valor dos t\u00edtulos p\u00fablicos est\u00e1 caindo, levando junto a rentabilidade das aplica\u00e7\u00f5es. No susto, temendo ampliar as perdas, muita gente est\u00e1 sacando os recursos e estimulando uma onda que pode ampliar os preju\u00edzos.<\/h2>\n<p>Por lei, bancos e corretoras s\u00e3o obrigados a fazer a marca\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos p\u00fablicos pelo valor de mercado todo fim do dia. Como, neste momento, o valor dos pap\u00e9is est\u00e1 em baixa, por causa da expectativa de aumento dos juros, as institui\u00e7\u00f5es financeiras incorporam essa queda nas cotas dos fundos de investimentos, nos quais est\u00e3o mais da metade da d\u00edvida do governo federal. A mesma regra vale para o Tesouro Direto.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o complicada que, somente nos 11 primeiros dias de junho, os fundos de investimentos registraram perdas de R$ 20,8 bilh\u00f5es, dos quais R$ 14,5 bilh\u00f5es nos fundos de renda fixa. Dos 16 fundos de renda fixa acompanhados pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), sete est\u00e3o com rendimento negativo no m\u00eas e o restante, com ganhos pr\u00f3ximos de zero.<br \/>\n<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso calma<\/strong><\/p>\n<p>Vice-presidente da Anbima, Carlos Andr\u00e9 explica que o fato de os resgates dos fundos superarem as aplica\u00e7\u00f5es em junho decorre das incertezas que tomaram conta do mercado. Do lado externo, os Estados Unidos est\u00e3o elevando as taxas de juros, atraindo recursos que antes transitavam por pa\u00edses emergentes como o Brasil. Do lado interno, h\u00e1 as preocupa\u00e7\u00f5es com as elei\u00e7\u00f5es. Nenhum dos candidatos apoiados pelos investidores aparece com chances de vit\u00f3ria nas urnas. O temor eleitoral foi antecipado pela greve dos caminhoneiros, que fez ainda o trabalho de desnudar de vez um governo fraco.<\/p>\n<p>\u201cTudo isso gera muita volatilidade\u201d, diz Andr\u00e9. O d\u00f3lar sobe, amea\u00e7ando a infla\u00e7\u00e3o, o que leva o mercado a pedir a alta dos juros, e a Bolsa de Valores cai. O conjunto desses fatores provoca s\u00e9rias distor\u00e7\u00f5es, obrigando o Banco Central e o Tesouro Nacional a intervirem nas negocia\u00e7\u00f5es. Essas a\u00e7\u00f5es, no entanto, podem levar um tempo para apresentar resultados. \u201cO problema \u00e9 que muitos investidores n\u00e3o est\u00e3o preparados para essa volatilidade, o que pode resultar em preju\u00edzos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Para o vice-presidente da Anbima, os investidores precisam ter paci\u00eancia. Assim como o ano de 2017 foi excepcional para as pessoas que t\u00eam dinheiro aplicado, este momento est\u00e1 muito ruim. N\u00e3o se sabe quando as coisas retornar\u00e3o \u00e0 normalidade, mas \u00e9 importante que os investidores entendam que a volatilidade faz parte do mercado. \u201cPassamos por diversas crises. S\u00e3o movimentos c\u00edclicos\u201d, destaca. No fim das contas, aqueles que conseguirem ter calma acumular\u00e3o ganhos.<\/p>\n<p><strong>Quadro dram\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do governo reconhecem o momento dif\u00edcil para os investidores e ressaltam que a volatilidade nos mercados aumentou muito desde a greve dos caminhoneiros. A partir dali, a curva de juros no mercado futuro subiu dois pontos percentuais. Esperava-se que essas taxas se elevassem nos contratos de longo prazo, indicando maior risco pol\u00edtico e incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao futuro da economia no pr\u00f3ximo governo. Mas houve alta tamb\u00e9m nos contratos de prazos mais curtos, devido \u00e0 fragilidade do governo. A tens\u00e3o, portanto, s\u00f3 fez crescer.<\/p>\n<p>No entender dos t\u00e9cnicos, a maior desconfian\u00e7a ronda o Banco Central. Por uma raz\u00e3o simples: os gestores de recursos passaram a defender o aumento da taxa b\u00e1sica (Selic), que est\u00e1 em 6,50%, o n\u00edvel mais baixo da hist\u00f3ria, para conter a alta do d\u00f3lar. O BC, no entanto, avisa que n\u00e3o ceder\u00e1 a press\u00f5es, pois tem um arsenal potente o suficiente para controlar a moeda norte-americana apenas por meio de interven\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Resta saber se o time comandado por Ilan Goldfajn manter\u00e1 esse discurso at\u00e9 a pr\u00f3xima quarta-feira, quando o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) bater\u00e1 o martelo sobre os rumos da Selic. Os economistas mais sensatos dizem que o BC n\u00e3o pode entregar os pontos ao mercado. Subir os juros neste momento seria empurrar o pa\u00eds novamente para a recess\u00e3o. As perspectivas s\u00e3o de que o Produto Interno Bruto (PIB) cres\u00e7a apenas 1% neste ano e o desemprego volte para os 14%. Estamos diante de um quadro dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h42min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A classe m\u00e9dia que costuma aplicar sua poupan\u00e7a em fundos de investimentos e no Tesouro Direto est\u00e1 vendo seu patrim\u00f4nio encolher significativamente neste m\u00eas. Diante da forte volatilidade das taxas de juros, o valor dos t\u00edtulos p\u00fablicos est\u00e1 caindo, levando junto a rentabilidade das aplica\u00e7\u00f5es. 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