{"id":8376,"date":"2018-06-14T06:06:03","date_gmt":"2018-06-14T09:06:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8376"},"modified":"2018-06-14T11:09:49","modified_gmt":"2018-06-14T14:09:49","slug":"correio-economico-o-duplo-mergulho-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-o-duplo-mergulho-do-brasil\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: O duplo mergulho do Brasil"},"content":{"rendered":"<h2>O pessimismo que domina a economia brasileira est\u00e1 ganhando contornos cada vez mais assustadores. Se, at\u00e9 o in\u00edcio do ano, a perspectiva era de que o Brasil encerraria 2018 com crescimento de 3%, agora, uma leva de especialistas j\u00e1 cogita a volta da recess\u00e3o. Na linguagem que \u00e9 caracter\u00edstica do mercado, falam em duplo mergulho do Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, depois de sair de uma das mais severas recess\u00f5es da hist\u00f3ria, entre 2014 e 2016, o pa\u00eds pode registrar, novamente, retra\u00e7\u00e3o na atividade, elevando o desemprego e agravando os problemas sociais.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 sendo v\u00edtima de uma tempestade perfeita. Os Estados Unidos, a maior economia do planeta, est\u00e1 passando por um aperto monet\u00e1rio, com reflexos por todo o mundo. Ontem, o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, aumentou a taxa b\u00e1sica de juros em 0,25 ponto percentual, para at\u00e9 2% ao ano. A institui\u00e7\u00e3o avisou que, em vez de tr\u00eas, ser\u00e3o quatro altas no ano \u2014 duas j\u00e1 se concretizaram. O Fed deixou as portas abertas para ir al\u00e9m, caso a infla\u00e7\u00e3o se mostre mais forte do que o esperado, devido \u00e0 consistente recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A subida dos juros nos EUA retira recursos dos mercados emergentes, como o Brasil, provocando a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ante o d\u00f3lar, um problema para a infla\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o se agrava porque o pa\u00eds caminha para uma das elei\u00e7\u00f5es mais imprevis\u00edveis da hist\u00f3ria. As pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos apresentam, na lideran\u00e7a, candidatos sem compromissos com reformas t\u00e3o importantes, como a da Previd\u00eancia Social, para ajustar as contas p\u00fablicas. Para completar: a greve dos caminhoneiros desnudou um governo desestruturado internamente e sem capacidade de articula\u00e7\u00e3o com o Congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gula por d\u00f3lar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, as interven\u00e7\u00f5es anunciadas pelo Banco Central para tentar manter a ordem na economia n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para evitar os estragos da tempestade que abateu o pa\u00eds. Desde que anunciou a venda de d\u00f3lares no mercado, o BC n\u00e3o tem tido sossego. Os quase US$ 25 bilh\u00f5es ofertados est\u00e3o sendo absorvidos com avidez. Ningu\u00e9m quer ficar desprotegido. Quem acompanha o dia a dia das negocia\u00e7\u00f5es afirma que s\u00f3 h\u00e1 dois caminhos para a autoridade monet\u00e1ria: deixar o d\u00f3lar subir e se ajustar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do sistema ou elevar os juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim, mesmo com as interven\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio, o Banco Central ter\u00e1 de subir a taxa Selic, hoje em 6,50% ao ano. Ele ressalta que, depois de ficar um bom per\u00edodo muito baixa, a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 voltando para as metas, de 4,50% neste ano e de 4,25% em 2019. \u201cO BC n\u00e3o vai subir os juros por causa do c\u00e2mbio, mas porque a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 retornando para as metas\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele ressalta que a pr\u00f3pria autoridade monet\u00e1ria tem destacado que os juros atuais est\u00e3o abaixo do que os analistas classificam de taxa de equil\u00edbrio, aquela em que a economia pode crescer sem pressionar a infla\u00e7\u00e3o. \u201cMuito dizem que os juros neutros est\u00e3o entre 8% e 10% ano. Vamos falar que sejam de 9%. Ent\u00e3o, se os 6,50% n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis e a infla\u00e7\u00e3o come\u00e7a a voltar para as metas, o BC ter\u00e1 de come\u00e7ar a retirar os est\u00edmulos da economia, independentemente do c\u00e2mbio\u201d, frisa. No entender de Padovani, a taxa Selic dever\u00e1 come\u00e7ar a subir no fim deste ano ou no in\u00edcio do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Arrepios de p\u00e2nico<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do governo, a palavra recess\u00e3o provoca arrepios. A vis\u00e3o \u00e9 de que o BC n\u00e3o deixar\u00e1, de forma alguma, a atividade degringolar de vez. Diz um dos mais pr\u00f3ximos assessores do presidente Michel Temer: \u201cO Banco Central tem instrumentos de sobra para segurar as cota\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar. Uma coisa \u00e9 a disparada da moeda. Outra, s\u00e3o os pre\u00e7os subirem gradualmente. Mantida a gradualidade, a infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 sob controle e as expectativas dos agentes financeiros se manter\u00e3o dentro das metas. Nesse quadro, n\u00e3o h\u00e1 motivos para os juros aumentarem, travando mais a economia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Resta saber se os investidores ter\u00e3o sangue frio para ver os resultados do trabalho do BC durante a travessia at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es. Todos est\u00e3o ariscos demais. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o Brasil virou de cabe\u00e7a para baixo depois da greve dos caminhoneiros. Sabia-se das fragilidades do pa\u00eds. Agora, escancarou-se um mar de incertezas. Se conseguir evitar o duplo mergulho da economia, certamente o Banco Central de Ilan Goldfajn poder\u00e1 se dar por satisfeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h06min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pessimismo que domina a economia brasileira est\u00e1 ganhando contornos cada vez mais assustadores. 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