{"id":8352,"date":"2018-06-12T10:01:02","date_gmt":"2018-06-12T13:01:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8352"},"modified":"2018-06-12T17:09:11","modified_gmt":"2018-06-12T20:09:11","slug":"subsidios-quem-recebe-e-quem-paga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/subsidios-quem-recebe-e-quem-paga\/","title":{"rendered":"Artigo: Subs\u00eddios, quem recebe e quem paga"},"content":{"rendered":"<h2>POR MARCO AUR\u00c9LIO SANFINS, coordenador do N\u00facleo de Estudos Empresariais e Sociais da Universidade Federal Fluminense (NEES-UFF)<\/h2>\n<h2>HEDMILTON MOUR\u00c3O CARDOSO, professor-assistente do N\u00facleo de Estudos Empresariais e Sociais da Universidade Federal Fluminense (NEES-UFF)<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>As crises pol\u00edtica e econ\u00f4mica geradas por uma greve nacional no transporte rodovi\u00e1rio de cargas tem como raz\u00e3o de fundo a falta de planejamento e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de longo prazo nos setores de transporte e log\u00edstica. A aus\u00eancia da defini\u00e7\u00e3o de diretrizes e incentivos resultantes de estudos multidisciplinares que considerem todas as consequ\u00eancias e desdobramentos de cada uma das op\u00e7\u00f5es obriga o pa\u00eds a conviver com a situa\u00e7\u00e3o de desorganiza\u00e7\u00e3o vista nos \u00faltimos dias. Uma vez instalada a crise, solu\u00e7\u00f5es v\u00e3o sendo dadas com o \u00fanico objetivo de estanc\u00e1-la, sem considerar outros efeitos das decis\u00f5es tomadas nem tendo qualquer orienta\u00e7\u00e3o coerente com o que se deseja no longo prazo.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo especialista em log\u00edstica, deixo para profissionais melhor qualificados a proposi\u00e7\u00e3o das medidas que devem ser tomadas na \u00e1rea para o Pa\u00eds vencer a crise e promover a moderniza\u00e7\u00e3o do setor. No entanto, considero que toda esta situa\u00e7\u00e3o nos colocou frente a v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que merecem ser avaliadas sob as \u00f3ticas micro e macroecon\u00f4micas. Especificamente quanto \u00e0s medidas adotadas pelo governo, elas foram as poss\u00edveis dado que num pa\u00eds onde o transporte rodovi\u00e1rio responde por 60% da movimenta\u00e7\u00e3o de cargas, era inevit\u00e1vel que ap\u00f3s dois ou tr\u00eas dias de paralisa\u00e7\u00e3o viesse a escassez de produtos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, tais solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem vigorar sen\u00e3o no curto prazo, porque cont\u00eam incoer\u00eancias micro e macroecon\u00f4micas, al\u00e9m de n\u00e3o necessariamente refletirem as escolhas da sociedade no longo prazo. Uma das mais graves \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel pela ado\u00e7\u00e3o de um subs\u00eddio governamental. O efeito microecon\u00f4mico \u00e9 o de reduzir o pre\u00e7o relativo do diesel em rela\u00e7\u00e3o a outros combust\u00edveis e o pre\u00e7o do diesel no Brasil em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses fronteiri\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O efeito \u00f3bvio \u00e9 o de aumento na demanda de diesel em detrimento de outros combust\u00edveis sempre que a substitui\u00e7\u00e3o for poss\u00edvel e o aumento da demanda do diesel brasileiro por pa\u00edses que fazem fronteira com o Brasil. Diante da impossibilidade de subsidiar somente o diesel que vai para o caminhoneiro brasileiro, o contribuinte estar\u00e1 subsidiando tamb\u00e9m os propriet\u00e1rios de caminhonetes de luxo, iates, ind\u00fastrias que podem transformar seus ve\u00edculos e m\u00e1quinas para o uso do combust\u00edvel mais barato. Sem falar nos consumidores estrangeiros. Como resultado, \u00e9 poss\u00edvel que as proje\u00e7\u00f5es dos efeitos sobre as despesas p\u00fablicas sejam superiores aos inicialmente estimados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, o subs\u00eddio ao diesel sanciona uma situa\u00e7\u00e3o estrutural que certamente explica uma parte da inefici\u00eancia do transporte de carga no Brasil. A frota dos transportadores aut\u00f4nomos que possui 37,3% dos caminh\u00f5es do pa\u00eds tem idade m\u00e9dia de 16,4 anos enquanto as frotas de empresas possuem idade m\u00e9dia de 9,4 anos. Adicionalmente, a m\u00e9dia de caminh\u00f5es por empresa \u00e9 de 7,5 enquanto os aut\u00f4nomos possuem 1,4 ve\u00edculos. Novamente recorrendo \u00e0 microeconomia, \u00e9 natural que tanto pela melhor tecnologia como pela escala a produtividade dos aut\u00f4nomos seja menor e seus custos maiores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O subs\u00eddio necess\u00e1rio para viabilizar a opera\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros aut\u00f4nomos necessita ser maior que a concedida \u00e0s empresas. Mas \u00e9 poss\u00edvel fazer essa distin\u00e7\u00e3o? Sim, por meio de incentivos \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o da frota. Assim ganhar\u00edamos todos. Transportadores, empresas contratantes de transporte de carga e a sociedade. Al\u00e9m disso, pavimenta\u00e7\u00e3o de estradas, redu\u00e7\u00e3o do roubo de cargas, melhoria das condi\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o com outros modais certamente seriam solu\u00e7\u00f5es microecon\u00f4micas com efeitos macroecon\u00f4micos positivos no longo prazo e que precisam ser debatidas por ocasi\u00e3o da campanha eleitoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR MARCO AUR\u00c9LIO SANFINS, coordenador do N\u00facleo de Estudos Empresariais e Sociais da Universidade Federal Fluminense (NEES-UFF) HEDMILTON MOUR\u00c3O CARDOSO, professor-assistente do N\u00facleo de Estudos Empresariais e Sociais da Universidade Federal Fluminense (NEES-UFF) As crises pol\u00edtica e econ\u00f4mica geradas por uma greve nacional no transporte rodovi\u00e1rio de cargas tem como raz\u00e3o de fundo a falta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[3452,3450,3454,3453,3451,3449],"class_list":["post-8352","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-artigo","tag-conta","tag-hedmilton-cardoso","tag-marcos-sanfins","tag-quem-paga","tag-subsidios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8352"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8352\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8353,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8352\/revisions\/8353"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}