{"id":8340,"date":"2018-06-11T06:44:11","date_gmt":"2018-06-11T09:44:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8340"},"modified":"2018-06-11T12:01:02","modified_gmt":"2018-06-11T15:01:02","slug":"correio-economico-os-limites-do-banco-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-os-limites-do-banco-central\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Os limites do Banco Central"},"content":{"rendered":"<h2>O Banco Central decidiu intervir no c\u00e2mbio para segurar o d\u00f3lar, mas, por mais poderoso que se sinta, ao estar sentado sobre reservas internacionais de US$ 380 bilh\u00f5es, tem limites para sua atua\u00e7\u00e3o. Por isso, acredita o economista-chefe do banco su\u00ed\u00e7o UBS, Tony Volpon, dependendo da for\u00e7a da alta da moeda norte-americana, o BC ser\u00e1, sim, obrigado a elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 6,50% ao ano.<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Volpon, neste momento, com a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses abaixo de 3%, o piso da meta definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), o BC tem espa\u00e7o suficiente para aceitar uma valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. Mas n\u00e3o pode conduzir a ferro e fogo a vis\u00e3o de que o c\u00e2mbio no Brasil \u00e9 flutuante e deve absorver choques de todas as naturezas. Essa tese, por sinal, vem sendo contestada por economistas de peso no mercado internacional, como Helene Rey, da London School of Economics (LSE), e Hyun-Song Shin, do Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais (BIS), o BC dos bancos centrais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para esses pesquisadores, regimes de c\u00e2mbio flutuante n\u00e3o isolam os pa\u00edses dos efeitos de mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es de liquidez global. Tanto que bastou o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, indicar que poderia subir os juros al\u00e9m do previsto para que os mercados entrassem em parafuso e moedas de pa\u00edses emergentes como Brasil, Argentina e Turquia desabassem em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Volpon acredita que, neste momento, o BC ainda tem for\u00e7a para manter os juros inalterados, pois, realmente, a economia est\u00e1 muito fraca e o desemprego, elevad\u00edssimo. Tamb\u00e9m n\u00e3o seria conveniente, no entender dele, a Selic subir antes das elei\u00e7\u00f5es. Nada disso, por\u00e9m, poder\u00e1 ser empecilho para a autoridade monet\u00e1ria se a infla\u00e7\u00e3o se mostrar mais forte do que o projetado. Nesse caso, o BC ter\u00e1 que agir de forma robusta. Aceitar valoriza\u00e7\u00e3o excessiva do d\u00f3lar sem mexer nos juros poder\u00e1 ser um erro que custar\u00e1 caro ao pa\u00eds mais \u00e0 frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ambiente hostil<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por mais que o BC tente passar uma imagem de tranquilidade, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica. O governo est\u00e1 desacreditado, o crescimento desabou, a ponto de v\u00e1rios economistas estarem projetando avan\u00e7o de apenas 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, e o desemprego deve subir, com alta probabilidade de retornar aos 14%. Esse ambiente hostil se agiganta diante das incertezas pol\u00edticas, j\u00e1 que os candidatos que lideram as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos n\u00e3o t\u00eam compromissos com o ajuste fiscal necess\u00e1rio para evitar a explos\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, que caminha para 80% do PIB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1, ainda, a quest\u00e3o externa\u201d, alerta Volpon. A perspectiva de alta mais expressiva dos juros nos Estados Unidos est\u00e1 afastando os investidores das na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento. Para continuar injetando recursos nesses pa\u00edses, os estrangeiros exigem um pr\u00eamio maior de risco. Isso se d\u00e1 por meio da alta do d\u00f3lar, pela eleva\u00e7\u00e3o dos juros ou pela queda expressiva nas bolsas de valores, barateando os pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es. \u201cComo a percep\u00e7\u00e3o de que o risco brasileiro aumentou, a consequ\u00eancia \u00f3bvia \u00e9 de que os investidores querem um pr\u00eamio maior, ou seja, descontos nos ativos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse contexto, ressalta Volpon, que foi diretor de Assuntos Internacionais do BC, a autoridade monet\u00e1ria poder\u00e1 escolher entre mais ou menos juros e alta maior ou menor do d\u00f3lar. \u201cNo caso atual do Brasil, com a infla\u00e7\u00e3o baixa, o Banco Central deve optar por um d\u00f3lar mais caro e menos juros, em contraste com o que se viu na Argentina. Naquele pa\u00eds, faz sentido escolher mais juros, porque a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 mais alta\u201d, explica. \u201cVamos ver at\u00e9 onde o BC est\u00e1 disposto a ir.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Dedos cruzados<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Volpon est\u00e1 certo de que o pr\u00f3ximo presidente da Rep\u00fablica, independentemente de qual partido seja, assumir\u00e1 com juros mais altos do que os observados hoje. Ele diz que, passadas as elei\u00e7\u00f5es, o BC se sentir\u00e1 mais confort\u00e1vel para mexer na pol\u00edtica monet\u00e1ria. A infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o confort\u00e1vel. A maioria dos especialistas diz que \u00e9 muito prov\u00e1vel que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) feche este ano acima de 4%, apontando para cima ao longo de 2019, quando o centro da meta ser\u00e1 reduzido para 4,25%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, que ningu\u00e9m espere dias muito tranquilos daqui por diante. Na verdade, a tens\u00e3o tender\u00e1 a aumentar, sobretudo se, depois de consolidadas as candidaturas ao Pal\u00e1cio do Planalto, em agosto, nenhuma que atenda o perfil do mercado conseguir decolar. Muita gente boa de bancos e corretoras continua vendo o d\u00f3lar cotado a R$ 4, apesar das interven\u00e7\u00f5es do Banco Central, com chances de superar os R$ 5 diante de uma final entre Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT). Os investidores cruzam os dedos quando se deparam com tal possibilidade. Mas sabem que ela \u00e9 mais real do que mostram, atualmente, as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 06h44<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central decidiu intervir no c\u00e2mbio para segurar o d\u00f3lar, mas, por mais poderoso que se sinta, ao estar sentado sobre reservas internacionais de US$ 380 bilh\u00f5es, tem limites para sua atua\u00e7\u00e3o. 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