{"id":8217,"date":"2018-05-31T06:02:38","date_gmt":"2018-05-31T09:02:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8217"},"modified":"2018-05-31T13:09:35","modified_gmt":"2018-05-31T16:09:35","slug":"correio-economico-caminhoneiros-atropelaram-o-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-caminhoneiros-atropelaram-o-crescimento\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Caminhoneiros atropelaram o crescimento"},"content":{"rendered":"<h2>Em meio ao caos provocado pela greve dos caminhoneiros, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) informou que o Brasil cresceu 0,4% nos primeiros tr\u00eas meses do ano, o quinto avan\u00e7o consecutivo. Mesmo sendo um n\u00famero fraco ante o 1% projetado para o per\u00edodo no in\u00edcio de 2018, motivos n\u00e3o faltariam para comemor\u00e1-lo. O problema \u00e9 que esse resultado do Produto Interno Bruto (PIB) mostra um passado atropelado pela paralisa\u00e7\u00e3o do transporte de cargas no pa\u00eds.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os estragos provocados nos 10 dias de greve ser\u00e3o suficientes para interromper o processo de crescimento da economia iniciado h\u00e1 pouco mais de um ano, depois de uma das mais profundas recess\u00f5es da hist\u00f3ria. Os especialistas ainda est\u00e3o refazendo as contas, mas n\u00e3o descartam a possibilidade de o PIB ser negativo no segundo trimestre. As estimativas v\u00e3o de uma retra\u00e7\u00e3o de 0,2% a uma alta de 0,2%. Nesse intervalo, qualquer resultado poder\u00e1 ser considerado med\u00edocre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ivo Chermont, economista-chefe da gestora de recursos Quantitas, est\u00e1 no grupo dos analistas um pouco mais otimistas e ainda acredita em crescimento de 0,2% no segundo trimestre. Ele ressalta que os n\u00fameros de abril foram bem fortes. Os de maio, por\u00e9m, ser\u00e3o bem ruins diante dos efeitos terr\u00edveis da greve dos caminhoneiros. Se junho se recuperar rapidamente, ser\u00e1 poss\u00edvel pensar em um n\u00famero positivo para o per\u00edodo. No acumulado do ano, Chermont prev\u00ea avan\u00e7o de 1,7%, quase a metade dos 3% que o presidente Michel Temer alardeava at\u00e9 bem pouco tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a ala mais pessimista, n\u00e3o se pode esquecer que o PIB do segundo trimestre sentir\u00e1 o fim dos incentivos dados pelo governo ao consumo das fam\u00edlias. No mesmo per\u00edodo do ano passado, houve a libera\u00e7\u00e3o dos recursos das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). O dinheiro impulsionou o com\u00e9rcio. Foi o consumo das fam\u00edlias, por sinal, a principal alavanca para que o Brasil sa\u00edsse da brutal recess\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Todos no escuro<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, \u00e9 preciso calma para avaliar as consequ\u00eancias do levante dos caminhoneiros para a economia. \u201cEstamos num momento muito emocional, dif\u00edcil. Todos est\u00e3o no escuro\u201d, afirma. Segundo ela, os analistas reduziram bastante as proje\u00e7\u00f5es de crescimento do PIB deste ano, mas n\u00e3o s\u00f3 por causa da greve dos caminhoneiros. A economia j\u00e1 vinha se desacelerando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cComo separar o que \u00e9 parada transit\u00f3ria da atividade, o que \u00e9 adiamento de consumo, daquilo que \u00e9 severo, que \u00e9 destrui\u00e7\u00e3o de riqueza?\u201d, indaga Zeina. Ela lembra que, em maio de 2017, quando foram reveladas as dela\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, muita gente disse que a confian\u00e7a no pa\u00eds se dissiparia, que os investimentos produtivos minguariam e que o Brasil n\u00e3o cresceria mais que 0,5%. O resultado final, por\u00e9m, foi o dobro \u2014 avan\u00e7o de 1%. \u201cSei que s\u00e3o crises diferentes, a da JBS e a do levante dos caminhoneiros. Mas, ainda \u00e9 cedo para conclus\u00f5es\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para compensar os estragos provocados pela paralisa\u00e7\u00e3o dos transportadores de cargas, h\u00e1, na opini\u00e3o de Zeina, \u201cum caminh\u00e3o de efeitos da pol\u00edtica monet\u00e1ria\u201d. Ela quer dizer que boa parte do impacto da queda dos juros promovida pelo Banco Central ainda n\u00e3o chegou \u00e0 economia. N\u00e3o se pode esquecer que os bancos est\u00e3o resistentes em repassar esses cortes aos consumidores e as empresas. Mas, cedo ou tarde, o cr\u00e9dito ficar\u00e1 mais barato, impulsionando o consumo e a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economista reconhece, contudo, que o horizonte est\u00e1 turvado, sobretudo por causa das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de outubro. \u201cIsso, sim, pode adiar alguns projetos de investimentos\u201d, avisa. Nenhum dos pr\u00e9-candidatos que lideram as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos tem mostrado compromissos com reformas como a da Previd\u00eancia Social, fundamentais para o ajuste das contas p\u00fablicas. \u00c9 importante ressaltar que o vencedor das urnas assumir\u00e1 com uma proje\u00e7\u00e3o de deficit de R$ 139 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Cartilha do bom-senso<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim, o Brasil tem a seu favor, para superar o terremoto provocado pela greve dos caminhoneiros, o crescimento mundial, em especial o da China, grande compradora de produtos prim\u00e1rios (commodities), como gr\u00e3os e min\u00e9rios. A demanda chinesa est\u00e1 sustentando a Am\u00e9rica Latina, com exce\u00e7\u00e3o de Argentina e Venezuela. O Brasil acaba se favorecendo desse movimento, que eleva os pre\u00e7os dos produtos exportados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m dos fatores externos, h\u00e1 indicadores dom\u00e9sticos contribuindo para que a economia cres\u00e7a, mesmo que lentamente\u201d, diz Padovani. No entender dele, o consumo das fam\u00edlias, que teve alta de 0,5% no primeiro trimestre, se mant\u00e9m firme, mesmo passados os efeitos da libera\u00e7\u00e3o de recursos do FGTS. Os juros est\u00e3o caindo e n\u00e3o h\u00e1 problemas de inadimpl\u00eancia. Tamb\u00e9m s\u00e3o positivos os sinais vindos da agricultura, que apontou salto de 1,4% entre janeiro e mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o economista, \u201ca greve dos caminhoneiros vai atrapalhar, mas a hist\u00f3ria, em si, est\u00e1 intacta\u201d. Ele afirma que o PIB continuar\u00e1 crescendo gradualmente at\u00e9 alcan\u00e7ar, em 2020, sua plena capacidade. Isso, \u00e9 claro, se o pr\u00f3ximo presidente seguir a cartilha do bom-senso e promover os ajustes necess\u00e1rios no pa\u00eds, sem se render ao populismo. Infelizmente, pelo retrato atual dos que est\u00e3o na disputa ao Pal\u00e1cio do Planalto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma seguran\u00e7a de que prevalecer\u00e1 o compromisso com a austeridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h02min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio ao caos provocado pela greve dos caminhoneiros, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) informou que o Brasil cresceu 0,4% nos primeiros tr\u00eas meses do ano, o quinto avan\u00e7o consecutivo. Mesmo sendo um n\u00famero fraco ante o 1% projetado para o per\u00edodo no in\u00edcio de 2018, motivos n\u00e3o faltariam para comemor\u00e1-lo. 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