{"id":8176,"date":"2018-05-26T06:30:40","date_gmt":"2018-05-26T09:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8176"},"modified":"2018-05-26T14:40:30","modified_gmt":"2018-05-26T17:40:30","slug":"correio-economico-crise-deixara-sequelas-na-inflacao-e-no-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-crise-deixara-sequelas-na-inflacao-e-no-crescimento\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Crise deixar\u00e1 sequelas na infla\u00e7\u00e3o e no crescimento"},"content":{"rendered":"<h2>A fatura deixada pela greve dos caminhoneiros ser\u00e1 enorme. Quem pensa que, quando houver o desbloqueio das estradas, a situa\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 rapidamente ao normal, deve se preparar para v\u00e1rios dias de restri\u00e7\u00f5es. A paralisa\u00e7\u00e3o do transporte de cargas nos \u00faltimos cinco dias deixou sequelas pesadas. Uma delas, a alta de pre\u00e7os. A maioria dos empres\u00e1rios n\u00e3o voltar\u00e1 a praticar as tabelas vigentes antes da crise que resultou em desabastecimento. Muitos v\u00e3o aproveitar o caos para garantir margens de lucro maiores.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perspectiva \u00e9 de que, em junho, a infla\u00e7\u00e3o seja, no m\u00ednimo, tr\u00eas vezes superior \u00e0 m\u00e9dia mensal observada em 2018. Isso significa uma taxa entre 0,7% e 0,8%. \u00c9 poss\u00edvel que fique acima disso, dependendo da nova realidade de pre\u00e7os na economia a partir da normaliza\u00e7\u00e3o do abastecimento. Em junho de 2017, houve defla\u00e7\u00e3o de 0,23%. Isso quer dizer que, quando o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses for divulgado, a taxa acumulada, que est\u00e1 abaixo de 3%, o piso da meta, ficar\u00e1 mais pr\u00f3ximo de 4%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tend\u00eancia, acredita Carlos Thadeu Filho, economista s\u00eanior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), \u00e9 de que a infla\u00e7\u00e3o s\u00f3 volte a ficar em um patamar mais confort\u00e1vel depois de setembro. Ele ressalta que, al\u00e9m dos impactos da greve dos caminhoneiros nos pre\u00e7os dos alimentos, sobretudo nos das carnes, devido \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o dos frigor\u00edficos, o pr\u00f3ximo m\u00eas, especificamente, ser\u00e1 marcado por um tarifa\u00e7o. Combust\u00edveis e energia el\u00e9trica ficar\u00e3o mais caros. \u201cJunho ser\u00e1 bastante complicado para a infla\u00e7\u00e3o. Teremos tr\u00eas meses em um\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o ficar\u00e1 mais dif\u00edcil porque os pre\u00e7os dos servi\u00e7os, que s\u00e3o muito resistentes, est\u00e3o em queda. N\u00e3o bastasse a demanda reprimida, o mercado de trabalho est\u00e1 muito fraco, jogando os sal\u00e1rios para baixo. Isso diminui o custo dos prestadores de servi\u00e7os. \u00c9 isso, no entender de Thadeu Filho, que vai segurar a infla\u00e7\u00e3o deste ano e de 2019. Nesse contexto, n\u00e3o haver\u00e1 necessidade de o Banco Central elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic). Um aperto monet\u00e1rio nos pr\u00f3ximos meses enterraria qualquer possibilidade de retomada da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Queda do PIB<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A alta da infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 no radar do governo. A equipe econ\u00f4mica, por\u00e9m, n\u00e3o prev\u00ea um grande salto no IPCA. A perspectiva \u00e9 de que, t\u00e3o logo o abastecimento de postos e supermercados volte ao normal, os reajustes dos \u00faltimos dias sejam revertidos. O discurso \u00e9 de que, em um ambiente de economia t\u00e3o fragilizada, ind\u00fastria e varejo n\u00e3o abusem dos consumidores sob pena de verem os estoques de mercadorias encalharem. \u201cO que vimos nos \u00faltimos cinco dias foi um quadro at\u00edpico, de extremos. Corrigidos os abusos, a infla\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 a ficar comportada\u201d, diz um t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele reconhece, por\u00e9m, que o governo teve muita culpa para que o pa\u00eds mergulhasse no caos, com s\u00e9rios preju\u00edzos para a economia. O Pal\u00e1cio do Planalto subestimou o movimento dos caminhoneiros. E demorou para tomar medidas mais en\u00e9rgicas. \u201cChegamos ao limite. \u00c9 inaceit\u00e1vel que centenas de cidades fiquem sem combust\u00edveis e que supermercados exibam prateleiras vazias. Essas imagens nos remetem aos momentos mais cr\u00edticos do per\u00edodo de hiperinfla\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta. Foi preciso que se chegasse a esse ponto para que o presidente Michel Temer enfrentasse, com rigor, o bloqueio de estradas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica est\u00e1 tentando mapear todas as perdas. Os mais pessimistas j\u00e1 falam em queda do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, o que ser\u00e1 uma derrota para o discurso de Temer e de seu candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Os dois fazem quest\u00e3o de dizer que conseguiram tirar a economia da mais grave recess\u00e3o da hist\u00f3ria, provocada por Dilma Rousseff. Depois dos estragos feitos pela greve dos caminhoneiros, ter\u00e3o que explicar n\u00fameros cada vez mais ruins. O Brasil, sem d\u00favida, voltou a caminhar \u00e0 beira do abismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 06h30<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fatura deixada pela greve dos caminhoneiros ser\u00e1 enorme. Quem pensa que, quando houver o desbloqueio das estradas, a situa\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 rapidamente ao normal, deve se preparar para v\u00e1rios dias de restri\u00e7\u00f5es. A paralisa\u00e7\u00e3o do transporte de cargas nos \u00faltimos cinco dias deixou sequelas pesadas. Uma delas, a alta de pre\u00e7os. 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