{"id":8107,"date":"2018-05-24T06:55:07","date_gmt":"2018-05-24T09:55:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8107"},"modified":"2018-05-24T12:42:29","modified_gmt":"2018-05-24T15:42:29","slug":"correio-economico-o-melancolico-fim-do-governo-temer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-o-melancolico-fim-do-governo-temer\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: O melanc\u00f3lico fim do governo Temer"},"content":{"rendered":"<h2>A dimens\u00e3o tomada pela greve dos caminhoneiros escancara as fragilidades do governo para conter crises. H\u00e1 pelo menos uma semana, o Pal\u00e1cio do Planalto foi alertado sobre o movimento preparado pela categoria, mas n\u00e3o deu a devida import\u00e2ncia. Acreditou que a convoca\u00e7\u00e3o que circulava pelas redes sociais seria p\u00edfia, repetindo o fracasso das manifesta\u00e7\u00f5es anteriores. O governo esqueceu, por\u00e9m, de levar em considera\u00e7\u00e3o em suas an\u00e1lises a disparada dos pre\u00e7os do diesel desde o in\u00edcio de maio, que come\u00e7ou a inviabilizar o mais importante meio de transporte de mercadorias do pa\u00eds.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Justamente por n\u00e3o dar o peso real ao movimento dos caminhoneiros, o governo se mostrou fr\u00e1gil desde o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es. Em vez de se antecipar aos fatos e chamar os representantes da categoria para uma ampla negocia\u00e7\u00e3o, preferiu fazer uma proposta p\u00edfia, de zerar a Cide que incide sobre o diesel, o que daria uma economia de R$ 0,05 por litro. Percebendo o governo totalmente perdido, os caminhoneiros cresceram e o resultado est\u00e1 a\u00ed para desespero do pa\u00eds: desabastecimento de combust\u00edveis, de alimentos e de rem\u00e9dios, estradas bloqueadas e aeroportos e hospitais amea\u00e7ados de fecharem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante da decis\u00e3o da Petrobras de reduzir em 10% o pre\u00e7o do diesel e de congel\u00e1-lo por 15 dias, pode ser que o governo consiga a tr\u00e9gua pedida pelo presidente Michel Temer. Mas os estragos est\u00e3o feitos. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em p\u00e2nico, pois teve a certeza de que est\u00e1 desprotegida. Bastou uma a\u00e7\u00e3o coordenada de caminhoneiros para que se deparasse com falta de mercadorias e com especula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. A infla\u00e7\u00e3o, que vinha se mantendo nos menores n\u00edveis em mais de duas d\u00e9cadas, voltar\u00e1 a subir, pois absorver\u00e1 toda a escassez de mercadorias. Para junho, j\u00e1 se fala em \u00edndice superior a 0,7%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tombo na credibilidade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m perdeu o discurso de que a pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras \u00e9 intoc\u00e1vel. Com o caos instalado no pa\u00eds, o presidente da empresa, Pedro Parente, teve que reunir toda a sua diretoria e fechar um acordo para a redu\u00e7\u00e3o dos 10% no pre\u00e7o do diesel. Ao anunciar a medida, ele tentou refor\u00e7ar que n\u00e3o se tratava de uma interven\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto na estatal, mas, sim, uma contribui\u00e7\u00e3o ao momento turbulento pelo qual passa o pa\u00eds. N\u00e3o convenceu. Assim que os investidores tomaram conhecimento da decis\u00e3o, as a\u00e7\u00f5es da companhia desabaram 6% na Bolsa de Nova York.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es para a quebra da Petrobras durante o governo de Dilma Rousseff foi o congelamento de pre\u00e7os dos combust\u00edveis para tentar conter a escalada na infla\u00e7\u00e3o. As perdas acumuladas pela estatal passaram de US$ 40 bilh\u00f5es. Parente diz que a pol\u00edtica de reajustes di\u00e1rios voltar\u00e1 ap\u00f3s os 15 dias de congelamento. Mas, dentro do governo, o que se diz \u00e9 que esse prazo ser\u00e1 maior. Os caminhoneiros pedem escalonamento dos ajustes dos pre\u00e7os para cima ou para baixo. Defendem que isso ocorra a cada tr\u00eas meses. Hoje, eles est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o muito melhor que a Petrobras para vencer a queda de bra\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: se o governo n\u00e3o debelar rapidamente a crise provocada pelos caminheiros, ser\u00e1 enterrado sem d\u00f3 nem piedade. A popularidade de Temer, que \u00e9 baix\u00edssima, vai praticamente zerar. Ganhos importantes para a economia, como a infla\u00e7\u00e3o sob controle e os menores juros da hist\u00f3ria, ser\u00e3o perdidos. Se o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) caminhar rapidamente para o centro da meta, de 4,5%, o Banco Central ter\u00e1 que voltar a subir os juros. \u00c9 o pior quadro para se chegar \u00e0s elei\u00e7\u00f5es previstas para outubro. O Brasil, realmente, n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds para amadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h55min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dimens\u00e3o tomada pela greve dos caminhoneiros escancara as fragilidades do governo para conter crises. H\u00e1 pelo menos uma semana, o Pal\u00e1cio do Planalto foi alertado sobre o movimento preparado pela categoria, mas n\u00e3o deu a devida import\u00e2ncia. Acreditou que a convoca\u00e7\u00e3o que circulava pelas redes sociais seria p\u00edfia, repetindo o fracasso das manifesta\u00e7\u00f5es anteriores. 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