{"id":8033,"date":"2018-05-19T06:06:52","date_gmt":"2018-05-19T09:06:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8033"},"modified":"2018-05-19T18:13:31","modified_gmt":"2018-05-19T21:13:31","slug":"correio-economico-fatura-de-promessas-nao-cumpridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-fatura-de-promessas-nao-cumpridas\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Fatura de promessas n\u00e3o cumpridas"},"content":{"rendered":"<h2>O real teve a pior semana do ano. O tombo de quase 4% ante o d\u00f3lar refletiu toda a inseguran\u00e7a dos investidores em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil num mundo cada vez mais avesso a riscos. O governo reclama dos exageros do mercado e assegura que a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 muito melhor do que em outras crises. H\u00e1, por\u00e9m, um mar de incertezas pela frente. A equipe econ\u00f4mica n\u00e3o conseguiu resolver os problemas fiscais \u2014 este ser\u00e1 o quinto ano com as contas no vermelho \u2014 e nenhum dos candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais assume compromissos com as reformas de que o Brasil tanto precisa.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos dois anos, os investidores foram muito complacentes com o governo, que prometeu arrumar as finan\u00e7as do pa\u00eds, mas pouco conseguiu avan\u00e7ar nesta dire\u00e7\u00e3o. Mesmo diante de todas as promessas n\u00e3o cumpridas, o mercado pouco contestou a equipe econ\u00f4mica. Preferiu fechar os olhos, acreditando que, em algum momento, a quest\u00e3o fiscal seria enfrentada com vigor. \u00c9 verdade que o governo aprovou o teto para os gastos p\u00fablicos, contudo, fracassou na aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia. Nem mesmo para medidas mais triviais consegue aval do Congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, com o mundo mais conturbado, com petr\u00f3leo em alta e perspectiva de aumento maior do que o previsto nas taxas de juros nos Estados Unidos, os investidores resolveram fincar os p\u00e9s na realidade e ressaltar as fragilidades brasileiras. A cobran\u00e7a vem tarde, mas com for\u00e7a suficiente para fazer estragos na economia. O d\u00f3lar acima de R$ 3,70 come\u00e7a a contaminar os pre\u00e7os de v\u00e1rios produtos e servi\u00e7os e, por tabela, empurra a infla\u00e7\u00e3o para cima. Bem pouco tempo atr\u00e1s, corria-se o risco de o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrar este ano abaixo do piso da meta, de 3%. Neste momento, o BC j\u00e1 projeta infla\u00e7\u00e3o de 4%, com tend\u00eancia de alta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse movimento do mercado mostra que, uma hora, a fatura chega. Foi o que aconteceu na Argentina, onde o presidente Maur\u00edcio Macri optou por um ajuste fiscal gradual e pela queda lenta da infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que est\u00e1 ocorrendo com o Brasil. Quando olham ao redor do mundo, os investidores diferenciam os pa\u00edses. Se a economia global est\u00e1 indo bem, minimizam os problemas. Num ambiente mais hostil, n\u00e3o perdoam as na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fazem o dever de casa. O deficit p\u00fablico brasileiro dever\u00e1 atingir R$ 159 bilh\u00f5es neste ano. A d\u00edvida caminha para 80% do Produto Interno Bruto (PIB), quase o dobro da m\u00e9dia observada nos pa\u00edses emergentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ru\u00eddo desnecess\u00e1rio<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio do Planalto acredita que a tens\u00e3o observada no \u00faltimo m\u00eas, que levou o d\u00f3lar a saltar de R$ 3,30 para R$ 3,74, vai passar rapidamente. A aposta \u00e9 de que, com o Banco Central ampliando a interven\u00e7\u00e3o no c\u00e2mbio, a cota\u00e7\u00e3o da moeda norte-americana tender\u00e1 a corrigir as distor\u00e7\u00f5es. Os especialistas, por\u00e9m, veem exatamente o contr\u00e1rio. Para eles, a volatilidade do d\u00f3lar vai continuar, impactando a infla\u00e7\u00e3o e reduzindo ainda mais o ritmo de crescimento econ\u00f4mico. Parte do mercado n\u00e3o descarta a possibilidade de o BC ser obrigado a elevar os juros logo depois das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se realmente quiser minimizar os estragos, o governo ter\u00e1 de demonstrar for\u00e7a no Congresso e aprovar, ao menos, a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras e o projeto que reonera as folhas de sal\u00e1rios de v\u00e1rias empresas. Essas medidas, dizem os especialistas, s\u00e3o fundamentais para que a equipe econ\u00f4mica consiga fechar as contas deste ano dentro do previsto e evitar que a regra de ouro, que impede o pagamento de despesas correntes, como sal\u00e1rios e aposentadorias, por meio de d\u00edvidas, seja descumprida \u2014 essa amea\u00e7a ser\u00e1 muito maior em 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outro detalhe importante: o BC precisa recuperar seu discurso. Nos \u00faltimos dias, o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Ilan Goldfajn, cometeu um grande equ\u00edvoco ao assumir o compromisso de que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) cortaria mais uma vez a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 6,50% para 6,25%. Quando chegou a hora, refugou. O ru\u00eddo desnecess\u00e1rio incentivou o mercado a partir para cima da institui\u00e7\u00e3o. At\u00e9 agora, o BC est\u00e1 em desvantagem. Vamos ver quando, efetivamente, retomar\u00e1 o controle da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h06min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O real teve a pior semana do ano. O tombo de quase 4% ante o d\u00f3lar refletiu toda a inseguran\u00e7a dos investidores em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil num mundo cada vez mais avesso a riscos. O governo reclama dos exageros do mercado e assegura que a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 muito melhor do que em outras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[13,3,968,343,665,14,4],"class_list":["post-8033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-ajuste-fiscal","tag-banco-central","tag-deficit-publico","tag-dolar","tag-eleicoes","tag-inflacao","tag-juros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8033"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8033\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8034,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8033\/revisions\/8034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}