{"id":7949,"date":"2018-05-11T06:44:16","date_gmt":"2018-05-11T09:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7949"},"modified":"2018-05-11T11:50:18","modified_gmt":"2018-05-11T14:50:18","slug":"correio-economico-calmaria-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-calmaria-vista\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Calmaria \u00e0 vista"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>As incertezas das \u00faltimas semanas, que implicaram alta do d\u00f3lar e do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e queda das bolsas de valores, levaram parte dos analistas a fazer previs\u00f5es catastr\u00f3ficas para as economias brasileira e mundial. O que se esperava era uma fuga maci\u00e7a de recursos das economias emergentes, com disparada no pre\u00e7o do d\u00f3lar e poss\u00edveis reflexos negativos sobre a atividade econ\u00f4mica. Os mais pessimistas chegaram a pregar que o processo de queda de juros no Brasil fosse interrompido e que o Federal Reserve (Fed), a autoridade monet\u00e1ria dos Estados Unidos, elevasse a taxa ainda mais do que esperam os economistas.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a credibilidade do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, foi colocada \u00e0 prova. Ap\u00f3s sinalizar que reduzir\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), mesmo com a alta do d\u00f3lar, alguns analistas o chamaram de irrespons\u00e1vel. O chefe do BC disse claramente que analisa o desempenho do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), as expectativas de infla\u00e7\u00e3o e o n\u00edvel de atividade para decidir se diminuir\u00e1 ou n\u00e3o a Selic. Goldfajn ainda alertou, na \u00faltima fala p\u00fablica antes do per\u00edodo de sil\u00eancio, que os repasses para os pre\u00e7os oriundos de uma valoriza\u00e7\u00e3o cambial n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o din\u00e2micos como se imagina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas bastaram os dados de infla\u00e7\u00e3o no Brasil e nos Estados Unidos apontarem que os pre\u00e7os continuam comportados para a histeria se transformar em valoriza\u00e7\u00e3o de ativos. Na maior economia do mundo, o \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o apurado pelo Departamento de Trabalho teve varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,2% em abril, abaixo das expectativas dos analistas, que apontavam 0,30%. No Brasil, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,22%, abaixo da mediana das expectativas, que chegava a 0,28%. Com o resultado, a infla\u00e7\u00e3o acumulada no ano chegou a 0,92%, o menor patamar para o per\u00edodo desde o in\u00edcio do Plano Real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dados refor\u00e7aram a percep\u00e7\u00e3o de que o BC vai cortar a Selic em 0,25 ponto percentual na reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) marcada para 15 e 16 de maio. Al\u00e9m disso, acalmaram os mais nervosos, que esperavam mais juros nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado se traduziu em alta da Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (B3) de 1,89%, aos 85.861 pontos, e em queda do d\u00f3lar de 1,31%, negociado a R$ 3,547. Na pr\u00e1tica, o mercado caiu na real e percebeu que, mesmo com as tens\u00f5es geopol\u00edticas que t\u00eam pressionado o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, o ambiente internacional ainda \u00e9 benigno para a economia. Riscos, \u00e9 claro, existem. Entre eles, uma poss\u00edvel escalada das tens\u00f5es entre Estados Unidos e Ir\u00e3, que teria reflexo sobre o valor da commodity e do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cuidados<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, ressalta que o ambiente externo ainda \u00e9 favor\u00e1vel ao Brasil e \u00e0s economias emergentes. Ela explica que o cen\u00e1rio inflacion\u00e1rio global segue bem-comportado e \u00e9 afetado diretamente pelo ciclo mundial do com\u00e9rcio, de crescimento econ\u00f4mico e de pre\u00e7o de commodities. \u201cMesmo os Estados Unidos, que est\u00e3o em um ciclo econ\u00f4mico mais acelerado, com taxa de desemprego baixa, mant\u00eam dados inflacion\u00e1rios ainda favor\u00e1veis. A transmiss\u00e3o do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica para os pre\u00e7os n\u00e3o parece t\u00e3o r\u00e1pida quanto todos imaginavam\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar disso, Zeina comenta que os ru\u00eddos externos que t\u00eam afetado o pre\u00e7o do petr\u00f3leo precisam ser acompanhados de perto. Segundo ela, \u00e9 comum que a varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do produto impulsione o custo de outras commodities, mas mesmo esse cen\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 claro. \u201cAinda \u00e9 cedo para afirmar que temos um problema inflacion\u00e1rio em n\u00edvel global. No Brasil, as elei\u00e7\u00f5es j\u00e1 contaminam os pre\u00e7os dos ativos. Percebemos isso de maneira mais clara no c\u00e2mbio, mas, recentemente, a volatilidade esteve atrelada a fatores externos. N\u00e3o significa que o valor da moeda v\u00e1 comprometer a recupera\u00e7\u00e3o da economia. N\u00e3o \u00e9 esse o caso\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por ora, a tend\u00eancia \u00e9 de tr\u00e9gua na volatilidade cambial e nas bolsas de valores. Somente uma escalada nas tens\u00f5es globais e dados consistentes que sinalizem piora do ambiente externo teriam impactos negativos no Brasil. Com o passar do tempo, fica claro que as elei\u00e7\u00f5es de outubro tendem a dominar o debate e a influenciar os mercados. Ajustar as contas p\u00fablicas para que o pa\u00eds volte a ser uma economia atrativa ainda \u00e9 o principal desafio para a retomada do crescimento sustent\u00e1vel. Nada mudou no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO As incertezas das \u00faltimas semanas, que implicaram alta do d\u00f3lar e do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e queda das bolsas de valores, levaram parte dos analistas a fazer previs\u00f5es catastr\u00f3ficas para as economias brasileira e mundial. 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