{"id":7938,"date":"2018-05-10T06:19:44","date_gmt":"2018-05-10T09:19:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7938"},"modified":"2018-05-10T09:25:31","modified_gmt":"2018-05-10T12:25:31","slug":"correio-economico-banco-central-sob-ataque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-banco-central-sob-ataque\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Banco Central sob ataque"},"content":{"rendered":"<h2>O papel do Banco Central \u00e9 manter a tranquilidade nos mercados, evitando movimentos disfuncionais que possam estimular crises desnecess\u00e1rias, com custos pesados para a economia real. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que, desde que assumiu o comando da institui\u00e7\u00e3o, Ilan Goldfajn seguiu \u00e0 risca tal miss\u00e3o e deu serenidade \u00e0 condu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas monet\u00e1ria e cambial.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A aura de credibilidade de Ilan, no entanto, se rompeu na noite de ter\u00e7a-feira, quando, em entrevista \u00e0 GloboNews, ele deixou d\u00favidas sobre as a\u00e7\u00f5es do BC para conter a disparada dos pre\u00e7os do d\u00f3lar e cravou mais uma queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), para 6,25% ao ano, a despeito de todos os riscos para a infla\u00e7\u00e3o trazidos pela forte desvaloriza\u00e7\u00e3o do real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sempre comedido Ilan abriu as portas para a especula\u00e7\u00e3o. O mercado, que sempre esteve ao lado do BC, passou a for\u00e7ar a alta do d\u00f3lar. Sob o argumento de busca de prote\u00e7\u00e3o (hedge) ante as incertezas internas, provocadas pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, e as externas, decorrentes da possibilidade de alta maior dos juros nos Estados Unidos, decidiu testar at\u00e9 onde vai a disposi\u00e7\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria para conter a valoriza\u00e7\u00e3o da moeda norte-americana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mercado encontrou outro argumento para pressionar o BC: Ilan se amarrou a um corte de 0,25 ponto na Selic, mesmo com todo o estresse no c\u00e2mbio, com o d\u00f3lar rompendo o teto psicol\u00f3gico de R$ 3,60. Para os especialistas, essa redu\u00e7\u00e3o nos juros n\u00e3o far\u00e1 nenhuma diferen\u00e7a para a economia, mas um d\u00f3lar mais caro sempre pressiona a infla\u00e7\u00e3o. A expectativa \u00e9 de que as proje\u00e7\u00f5es do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) passem a subir a partir de agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Compara\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo acredita que o ataque iniciado ontem contra o BC n\u00e3o tem consist\u00eancia e vai perder for\u00e7a rapidamente. Na vis\u00e3o de assessores do presidente Michel Temer, a autoridade monet\u00e1ria tem instrumentos de sobra para encarar qualquer movimento especulativo contra o real. Al\u00e9m de US$ 381 bilh\u00f5es em reservas internacionais, pode ampliar a oferta de contratos de swap cambial, nos quais aposta na queda do d\u00f3lar e o mercado, no aumento dos juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o custa lembrar que esses foram os mesmos argumentos apresentados por Alexandre Tombini, antecessor de Ilan na presid\u00eancia do BC. \u00c0 \u00e9poca, a institui\u00e7\u00e3o despejou no mercado mais de US$ 100 bilh\u00f5es em contratos de swap, mas, ainda assim, o d\u00f3lar rompeu os R$ 4, refletindo a ru\u00edna do governo de Dilma Rousseff. Foi um longo processo para que o BC se livrasse desse passivo e a moeda norte-americana recuasse, acompanhando a reconstru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o Pal\u00e1cio do Planalto, n\u00e3o h\u00e1 como fazer compara\u00e7\u00f5es. Hoje, diz um dos auxiliares de Temer, h\u00e1 um compromisso com o equil\u00edbrio macroecon\u00f4mico do pa\u00eds, que come\u00e7a pelo combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, acrescenta ele, o IPCA acumulado em 12 meses est\u00e1 abaixo de 3%, o piso da meta perseguida pelo BC. \u00c9 essa infla\u00e7\u00e3o t\u00e3o baixa que permitiu ao Copom promover o mais longo ciclo de redu\u00e7\u00e3o da Selic, que est\u00e1 no menor n\u00edvel da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Domin\u00e2ncia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os especialistas, o debate sobre os rumos do d\u00f3lar e dos juros se intensificou. A maioria reconhece a for\u00e7a do BC para dissipar qualquer ataque especulativo contra o real, movimento que j\u00e1 atingiu o peso argentino e a lira turca. Mas ressaltam a preocupa\u00e7\u00e3o com o que chamam de domin\u00e2ncia cambial no regime de metas de infla\u00e7\u00e3o. Ou seja, se o d\u00f3lar sobe muito, o custo de vida vai junto. Se a moeda norte-americana perde for\u00e7a, a infla\u00e7\u00e3o cai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do governo, o discurso \u00e9 de que h\u00e1 um grande exagero nesse debate. \u201cN\u00e3o existe domin\u00e2ncia cambial no Brasil. Isso \u00e9 uma realidade na Argentina\u201d, frisa um t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica. Ele reconhece, por\u00e9m, que todo o estresse registrado ontem no mercado poderia ser sido evitado se Ilan n\u00e3o tivesse rompido o protocolo de n\u00e3o falar \u00e0s v\u00e9speras da reuni\u00e3o do Copom. Agora, est\u00e1 pagando um pre\u00e7o alto por um grave erro de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o desse mesmo t\u00e9cnico, o melhor que o BC faz neste momento \u00e9 se preparar para as turbul\u00eancias que v\u00e3o surgir com as elei\u00e7\u00f5es, especialmente se, em um eventual segundo turno, a disputa for entre Ciro Gomes e Jair Bolsonaro. \u201cCom certeza, o d\u00f3lar ir\u00e1 para R$ 4,10, R$ 4,20. E a infla\u00e7\u00e3o subir\u00e1\u201d, ressalta. Diante de tal possibilidade, manter a credibilidade do Banco Central intacta ser\u00e1 mais do que indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h19min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papel do Banco Central \u00e9 manter a tranquilidade nos mercados, evitando movimentos disfuncionais que possam estimular crises desnecess\u00e1rias, com custos pesados para a economia real. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que, desde que assumiu o comando da institui\u00e7\u00e3o, Ilan Goldfajn seguiu \u00e0 risca tal miss\u00e3o e deu serenidade \u00e0 condu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas monet\u00e1ria e cambial. 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