{"id":7900,"date":"2018-05-08T06:49:24","date_gmt":"2018-05-08T09:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7900"},"modified":"2018-05-08T12:53:18","modified_gmt":"2018-05-08T15:53:18","slug":"correio-economico-o-pib-infelizmente-minguou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-o-pib-infelizmente-minguou\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: O PIB, infelizmente, minguou"},"content":{"rendered":"<h2>Duas semanas depois de o Banco Central anunciar mais um corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 6,50% para 6,25% anuais \u2014 a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) est\u00e1 marcada para 15 e 16 de maio \u2014, o pa\u00eds saber\u00e1 como foi o desempenho da economia no primeiro trimestre do ano. At\u00e9 um m\u00eas atr\u00e1s, ainda era poss\u00edvel ouvir de t\u00e9cnicos respeitados do governo e de bons analistas do mercado que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e mar\u00e7o seria de 1%, o que sustentaria avan\u00e7o superior a 3% ao longo de 2018. Agora, a perspectiva \u00e9 totalmente outra.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais pessimistas, integrantes da equipe econ\u00f4mica e especialistas do setor privado reconhecem que, na melhor das hip\u00f3teses, o incremento do PIB nos tr\u00eas primeiros meses do ano ser\u00e1 de 0,5%. H\u00e1 quem acredite que a varia\u00e7\u00e3o pode ser zero ou negativa. Isso mesmo: n\u00e3o est\u00e1 descartada a possibilidade de a atividade voltar a registrar contra\u00e7\u00e3o. Tal hip\u00f3tese se baseia nos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) para o varejo, a ind\u00fastria e os servi\u00e7os. Todos apresentaram resultados muito aqu\u00e9m do esperado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o quadro mais negativo para o PIB do primeiro trimestre se confirmar, \u00e9 muito prov\u00e1vel que o crescimento econ\u00f4mico de todo o ano fique em 2% ou abaixo disso. Ser\u00e1 uma grande decep\u00e7\u00e3o, pois se apostava firmemente que o pa\u00eds daria um salto mais expressivo em 2018, com impacto positivo sobre o emprego. A fragilidade da atividade, contudo, mant\u00e9m mais de 13 milh\u00f5es de pessoas sem perspectivas de retornarem ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perda de f\u00f4lego da atividade \u2014 pela pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo BC, a proje\u00e7\u00e3o de crescimento recuou de 2,75% para 2,70% \u2014 coincide com uma campanha maci\u00e7a do governo exaltando os feitos na economia. A queda da infla\u00e7\u00e3o e dos juros \u00e9 real, mas a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sente seus efeitos porque convive de perto com o desemprego e a renda apertada. A sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar n\u00e3o existe e a popularidade do presidente Michel Temer se mant\u00e9m no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perturba\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A piora nas estimativas para o PIB carrega muito da desconfian\u00e7a de consumidores e empres\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. Quando se olha para a frente, n\u00e3o se sabe qual ser\u00e1 a pol\u00edtica econ\u00f4mica a partir de janeiro de 2019, com o Brasil sob nova dire\u00e7\u00e3o. S\u00e3o poucos os que se arriscam a fazer d\u00edvidas ou a ampliarem os neg\u00f3cios. Nesse clima de compasso de espera, a atividade vai patinando e comprometendo a capacidade de consolida\u00e7\u00e3o de um quadro de recupera\u00e7\u00e3o consistente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para piorar, o cen\u00e1rio internacional, que vinha dando uma excelente ajuda ao Brasil e alimentando a complac\u00eancia dos investidores, mesmo diante da grave situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas do pa\u00eds, passou a conviver com estresse. Na\u00e7\u00f5es emergentes, como Argentina e Turquia, est\u00e3o vendo as suas moedas registrarem fortes desvaloriza\u00e7\u00f5es ante o d\u00f3lar. O real tamb\u00e9m sentiu o baque ao atingir R$ 3,55, a maior cota\u00e7\u00e3o em quase dois anos, por causa da expectativa de aumento mais expressivo da taxa de juros nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fortalecimento do d\u00f3lar veio acompanhado da disparada do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, que foi negociado a US$ 76 o barril do tipo Brent, o n\u00edvel mais elevado desde o fim de 2014. O \u00f3leo bruto sente os efeitos do poss\u00edvel rompimento do acordo nuclear com o Ir\u00e3. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem at\u00e9 o dia 12 deste m\u00eas para dizer se os EUA saem do tratado e imp\u00f5em novas san\u00e7\u00f5es ao pa\u00eds persa \u2014 a decis\u00e3o pode sair ainda nesta ter\u00e7a-feira. Se isso ocorrer, diminuir\u00e1 a oferta do produto e aumentar\u00e1 a tens\u00e3o no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa onda de incertezas que perturba o mundo certamente vai tirar parte do crescimento econ\u00f4mico. Com a atividade global caminhando mais lentamente, o Brasil cambalear\u00e1. N\u00e3o se pode esquecer que, nos \u00faltimos anos, a economia brasileira tem apresentado desempenho inferior \u00e0 m\u00e9dia mundial. O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) fez v\u00e1rios alertas sobre eventos que podem perturbar o planeta. Eles, infelizmente, parecem ter dado as caras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rombos fiscais<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, o governo tenta dar ares de tranquilidade \u00e0s tens\u00f5es externas. H\u00e1 uma clara determina\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto para que se ressalte as \u201cqualidades\u201d da economia brasileira, que conjuga infla\u00e7\u00e3o e juros em baixa com reservas internacionais pr\u00f3ximas de US$ 380 bilh\u00f5es. Entre discurso e realidade, por\u00e9m, h\u00e1 uma boa diferen\u00e7a. N\u00e3o se pode esquecer que o Brasil n\u00e3o fez o dever de casa na \u00e1rea fiscal. Os rombos nas contas p\u00fablicas s\u00e3o latentes. Neste ano, o buraco deve ficar em at\u00e9 R$ 159 bilh\u00f5es, cedendo ligeiramente em 2019 para R$ 139 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A d\u00edvida bruta do pa\u00eds caminha para 80% do PIB. \u00c9 a maior entre os pa\u00edses emergentes. Sem reforma da Previd\u00eancia Social, n\u00e3o h\u00e1 como conter seu crescimento. Pelos c\u00e1lculos do Minist\u00e9rio do Planejamento, o endividamento p\u00fablico pode passar dos 100% em 2021. Os investidores costumam levar esses dados em considera\u00e7\u00e3o na hora de definirem onde v\u00e3o aplicar seu dinheiro. Quando os juros est\u00e3o muito altos, eles aceitam correr riscos. Em tempos de taxas t\u00e3o baixas, como agora, preferem o conforto do mercado norte-americano. N\u00e3o h\u00e1 almo\u00e7o gr\u00e1tis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas semanas depois de o Banco Central anunciar mais um corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 6,50% para 6,25% anuais \u2014 a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) est\u00e1 marcada para 15 e 16 de maio \u2014, o pa\u00eds saber\u00e1 como foi o desempenho da economia no primeiro trimestre do ano. 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