{"id":7883,"date":"2018-05-05T06:37:03","date_gmt":"2018-05-05T09:37:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7883"},"modified":"2018-05-05T09:50:58","modified_gmt":"2018-05-05T12:50:58","slug":"correio-economico-crise-na-argentina-deixa-brasil-em-alerta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-crise-na-argentina-deixa-brasil-em-alerta\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Crise na Argentina deixa Brasil em alerta"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: left\">Desde que tomou posse, h\u00e1 pouco mais de dois anos, na Presid\u00eancia da Argentina, Maur\u00edcio Macri foi apontado como exemplo de administrador a ser seguido. Com um discurso liberal, prometendo recolocar o pa\u00eds vizinho nos trilhos, sem personalismos, caiu na gra\u00e7a do capital. Era a ant\u00edtese da fam\u00edlia Kirchner, que havia dominado a Argentina por mais de uma d\u00e9cada. Os \u00faltimos cinco dias, no entanto, foram suficientes para mostrar que Macri se tornou sin\u00f4nimo de decep\u00e7\u00e3o. Os t\u00e3o prometidos ajustes na economia ficaram pela metade. E a Argentina voltou a conviver com o fantasma de uma crise cambial.<\/h2>\n<p>A desconfian\u00e7a retornou t\u00e3o forte \u00e0 Argentina que o Banco Central local foi obrigado a elevar ontem a taxa b\u00e1sica de juros para 40% ao ano. Em apenas uma semana, foram tr\u00eas altas, totalizando 12,75 pontos percentuais. O aperto monet\u00e1rio foi uma tentativa desesperada do governo de Macri de conter a desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso argentino. Na \u00faltima quinta-feira, a moeda se desvalorizou 8,5% e atingiu o menor n\u00edvel ante o d\u00f3lar. No ano, o peso argentino acumula queda de quase 20%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os investidores reclamam, sobretudo, dos deficits g\u00eameos. Nas contas p\u00fablicas, o rombo chega a 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) sem incluir os gastos com juros. Com os encargos da d\u00edvida p\u00fablica, praticamente dobra. No setor externo, o buraco no primeiro trimestre chegou a US$ 2,5 bilh\u00f5es contra US$ 1,9 bilh\u00e3o verificado no mesmo per\u00edodo de 2017. A infla\u00e7\u00e3o, que se acreditava domada, aponta para 23% neste ano, e o crescimento patina. O mercado, portanto, deixou de ser complacente com o gradualismo do ajuste do governo argentino, que flexibilizou as metas de infla\u00e7\u00e3o e reduziu o compromisso fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tempestade que varre o pa\u00eds vizinho deve servir de alerta para o Brasil. A poucos meses da elei\u00e7\u00e3o, nenhum candidato se comprometeu com o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas. O debate est\u00e1 pobre e nada indica que melhorar\u00e1 quando a campanha efetivamente come\u00e7ar. Os potenciais concorrentes ao Planalto n\u00e3o parecem dispostos a se comprometerem com medidas impopulares, como a reforma da Previd\u00eancia, fundamental para o equil\u00edbrio das finan\u00e7as federais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O atual governo brasileiro, que promoveu avan\u00e7os importantes, como a fixa\u00e7\u00e3o de um teto para os gastos p\u00fablicos, tamb\u00e9m parece ter se descompromissado do ajuste fiscal. No m\u00e1ximo, trabalha para o quadro n\u00e3o piorar. O rombo consolidado nas contas do setor p\u00fablico somou, em mar\u00e7o, R$ 25,1 bilh\u00f5es, o maior para o m\u00eas desde 2001, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica. A equipe econ\u00f4mica raspa o tacho para n\u00e3o descumprir a regra de ouro, que impede o pagamento de despesas correntes, como sal\u00e1rios e aposentadorias, por meio da emiss\u00e3o de d\u00edvida. Michel Temer est\u00e1 deixando para seu sucessor a responsabilidade do ajuste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os investidores admitem que a situa\u00e7\u00e3o fiscal do Brasil \u00e9 um grande problema, mas est\u00e1 longe do descontrole. Ser\u00e1 preciso, por\u00e9m, que o pr\u00f3ximo presidente n\u00e3o s\u00f3 assuma compromissos com reformas como a da Previd\u00eancia, mas lute efetivamente por elas, por mais impopulares que sejam. Sem o reequil\u00edbrio efetivo das finan\u00e7as do governo, o pa\u00eds n\u00e3o conseguir\u00e1 manter, por muito tempo, a infla\u00e7\u00e3o e os juros t\u00e3o baixos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que se v\u00ea agora na Argentina pode se repetir por aqui, a despeito de o governo brasileiro alardear as diferen\u00e7as entre os dois pa\u00edses, a come\u00e7ar pela montanha de US$ 380 bilh\u00f5es de reservas cambiais \u2014 na Argentina, somam apenas US$ 55 bilh\u00f5es e v\u00eam encolhendo rapidamente. A desconfian\u00e7a, por\u00e9m, ronda o Brasil. Desde o piso neste ano, em janeiro, o d\u00f3lar j\u00e1 subiu 12,5% frente ao real. Parte dessa alta se deve ao quadro externo, em especial, \u00e0 expectativa de eleva\u00e7\u00e3o maior dos juros nos Estados Unidos. Parte tem a ver com as incertezas eleitorais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, o Brasil v\u00ea os economistas reduzirem, sistematicamente, as proje\u00e7\u00f5es de crescimento do PIB neste ano. J\u00e1 se alardeou, no governo e no mercado, estimativa de avan\u00e7o de mais de 3%. Agora, 2,5% passaram a ser teto, e o mais prov\u00e1vel \u00e9 incremento de 2%. Nessa conta mais conservadora j\u00e1 est\u00e1 embutida a redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es de carros para a Argentina. A ind\u00fastria automobil\u00edstica foi uma das alavancas da retomada da economia brasileira depois de dois anos de recess\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h37min\u00a0<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que tomou posse, h\u00e1 pouco mais de dois anos, na Presid\u00eancia da Argentina, Maur\u00edcio Macri foi apontado como exemplo de administrador a ser seguido. Com um discurso liberal, prometendo recolocar o pa\u00eds vizinho nos trilhos, sem personalismos, caiu na gra\u00e7a do capital. 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