{"id":7877,"date":"2018-05-04T06:32:44","date_gmt":"2018-05-04T09:32:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7877"},"modified":"2018-05-04T08:42:27","modified_gmt":"2018-05-04T11:42:27","slug":"correio-economico-ate-que-ponto-alta-do-dolar-afeta-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-ate-que-ponto-alta-do-dolar-afeta-o-brasil\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: At\u00e9 que ponto a alta do d\u00f3lar afeta o Brasil"},"content":{"rendered":"<h2>O Pal\u00e1cio do Planalto est\u00e1 acompanhando com bastante aten\u00e7\u00e3o o movimento de valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. A disparada da moeda norte-americana est\u00e1 ocorrendo \u00e0s v\u00e9speras de o governo liberar uma ampla campanha publicit\u00e1ria para ressaltar os feitos econ\u00f4micos da gest\u00e3o de Michel Temer. D\u00f3lar alto costuma azedar o humor da classe m\u00e9dia e ocupar amplo espa\u00e7o na m\u00eddia. N\u00e3o combina, portanto, com uma mensagem de que tudo vai bem na economia.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por enquanto, dizem assessores de Temer, a arrancada da moeda norte-americana est\u00e1 dentro do que se pode chamar de ajuste de mercado. Tanto que o presidente d\u00e1 como certo mais um corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) pelo Banco Central em 16 de maio. A expectativa \u00e9 de que a Selic baixe 0,25 ponto percentual, para 6,25% ao ano. Na vis\u00e3o do Planalto, mesmo que a recente alta do d\u00f3lar provoque impacto negativo na infla\u00e7\u00e3o, ainda se prev\u00ea um custo de vida inferior a 4% em 2018.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos c\u00e1lculos de t\u00e9cnicos da equipe econ\u00f4mica, o d\u00f3lar s\u00f3 far\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o se mexer para cima com maior vigor se as cota\u00e7\u00f5es superarem os R$ 3,70. Por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 nada que justifique uma valoriza\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte. Para eles, o temor de uma alta mais expressiva dos juros nos Estados Unidos, o que reduzir\u00e1 o fluxo de recursos para pa\u00edses emergentes, e as incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais no pa\u00eds j\u00e1 foram incorporadas, em boa parte, pelos pre\u00e7os da divisa dos EUA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Arsenal do BC<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer acredita que o BC tem condi\u00e7\u00f5es de sobra para manter os pre\u00e7os do d\u00f3lar sob controle. A autoridade monet\u00e1ria, por sinal, fez a primeira interven\u00e7\u00e3o no c\u00e2mbio em pelo menos um ano, ao ofertar contratos de swap, nos quais aposta na queda do d\u00f3lar. Mesmo com toda a volatilidade do mercado, conseguiu frear o processo de valoriza\u00e7\u00e3o da moeda, que encerrou a quinta-feira cotada a R$ 3,53, com baixa de 0,56%. Isso, mesmo num dia de forte nervosismo no exterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o dentro do governo \u00e9 de ressaltar o poderio do BC e, claro, os pontos positivos da alta do d\u00f3lar, o mais vis\u00edvel deles, o aumento das exporta\u00e7\u00f5es. Como a atividade interna est\u00e1 perdendo f\u00f4lego, o Planalto cr\u00ea que as vendas maiores para o exterior podem estimular a produ\u00e7\u00e3o industrial, que teve um primeiro trimestre muito mais fraco do que o projetado. N\u00e3o \u00e0 toa, os economistas est\u00e3o reduzindo, semanalmente, as proje\u00e7\u00f5es de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNem tudo \u00e9 not\u00edcia ruim em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar. Se a alta da moeda prejudica a infla\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m impulsiona as exporta\u00e7\u00f5es. Isso trar\u00e1 mais d\u00f3lares para o pa\u00eds, o que pode compensar parte da redu\u00e7\u00e3o dos fluxos de investimentos caso o aumento dos juros nos Estados Unidos seja mais forte\u201d, explica um t\u00e9cnico do governo. \u201cPortanto, n\u00e3o h\u00e1 motivo para nervosismo. N\u00e3o veremos a infla\u00e7\u00e3o ir al\u00e9m de 4% neste ano, e os juros v\u00e3o cair um pouquinho mais\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Horizonte turvo<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o dos analistas, \u00e9 compreens\u00edvel o discurso mais otimista do governo. Contudo, \u00e9 preciso manter os p\u00e9s no ch\u00e3o. A infla\u00e7\u00e3o baixa e os juros em queda s\u00e3o reflexos de um crescimento fraco no Brasil e de um quadro positivo no mundo, que vem crescendo mais do que o esperado. Mas h\u00e1 muitas incertezas no horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil, as elei\u00e7\u00f5es est\u00e3o totalmente em aberto, com risco de um candidato sem compromisso com reformas sair vencedor das urnas. No exterior, juros maiores nos EUA v\u00e3o mudar o fluxo de recursos que irrigam os pa\u00edses emergentes e h\u00e1 o fantasma de uma onda protecionista puxada pelo governo norte-americano. N\u00e3o d\u00e1 para desprezar esses fatores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h32min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pal\u00e1cio do Planalto est\u00e1 acompanhando com bastante aten\u00e7\u00e3o o movimento de valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. A disparada da moeda norte-americana est\u00e1 ocorrendo \u00e0s v\u00e9speras de o governo liberar uma ampla campanha publicit\u00e1ria para ressaltar os feitos econ\u00f4micos da gest\u00e3o de Michel Temer. 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