{"id":7866,"date":"2018-04-28T06:36:40","date_gmt":"2018-04-28T09:36:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7866"},"modified":"2018-04-28T11:57:45","modified_gmt":"2018-04-28T14:57:45","slug":"brasil-reduz-mortes-no-transito-mas-nao-cumprira-meta-da-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/brasil-reduz-mortes-no-transito-mas-nao-cumprira-meta-da-onu\/","title":{"rendered":"Brasil reduz mortes no tr\u00e2nsito, mas n\u00e3o cumprir\u00e1 meta da ONU"},"content":{"rendered":"<h2><strong>Nova York \u2013<\/strong> O Brasil deu passos importantes para reduzir os acidentes de tr\u00e2nsito, mas n\u00e3o cumprir\u00e1 as metas fixadas junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) de reduzir dos desastres pela metade at\u00e9 2020. Em 2011, quando passou a vigorar o acordo, morriam nas rodovias brasileiras, em m\u00e9dia, 24 pessoas por 100 mil habitantes. Agora, s\u00e3o 18 por 100 mil. As estat\u00edsticas mostram que entre 40 mil e 50 mil brasileiros ainda perdem a vida nas estradas todos os anos. Trata-se de uma epidemia que mata mais do que em guerras como a da S\u00edria. Diante do fracasso do Brasil e de boa parte dos pa\u00edses que se comprometeram com a ONU em atacar essa praga, a meta de redu\u00e7\u00e3o das mortes no tr\u00e2nsito foi esticada para 2030. Mas ser\u00e1 preciso um grande engajamento de Estado e sociedade para evitar nova frustra\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Duas pol\u00edticas adotadas pelo Brasil s\u00e3o apontadas como primordiais para evitar um quadro ainda mais assustador nas ruas e nas estradas brasileiras. A primeira, a Lei Seca (11.705), que completar\u00e1 10 anos em junho pr\u00f3ximo. Pelos c\u00e1lculos do deputado Hugo Leal (PSD-RJ), autor da lei, pelo menos 41 mil vidas foram salvas desde que o pa\u00eds passou a combater o consumo de \u00e1lcool por quem est\u00e1 ao volante. A segunda, a entrada em vigor, em 2015, da Lei 13.103, que passou a exigir exame toxicol\u00f3gico para motoristas profissionais, com carteiras C, D e E. Em dois anos de vig\u00eancia dessa lei, cerca de 1,2 milh\u00e3o de motoristas foram retirados das rodovias porque n\u00e3o conseguiram passar nos testes ou se recusaram a faz\u00ea-los, destacou Marcio Liberbaum, presidente do Instituto de Tecnologias para o Tr\u00e2nsito Seguro (ITTS).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito no Brasil foi apresentada nesta sexta-feira (27\/04) no semin\u00e1rio<em> O uso de tecnologia para promover estradas seguras, as experi\u00eancias brasileiras<\/em>, na sede da ONU, em Nova York. Na avalia\u00e7\u00e3o de Fernando Diniz, presidente da ONG Tr\u00e2nsito Amigo, houve avan\u00e7os, mas \u00e9 preciso muito mais. \u201cEstamos em guerra. Enquanto n\u00e3o houver a obrigatoriedade de exames toxicol\u00f3gicos para todos os motoristas e motociclistas, vamos continuar destruindo fam\u00edlias\u201d, afirmou. Ele perdeu um filho, Fabr\u00edcio, em um acidente de carro. O jovem de apenas 21 anos e mais duas amigas, que tamb\u00e9m morreram, pegaram carona com um motorista b\u00eabado. \u201cVejo as nossas autoridades dizerem que s\u00e3o contra guerras em outros pa\u00edses, mas n\u00e3o s\u00e3o contra a nossa guerra no tr\u00e2nsito. Tenho vergonha do meu pa\u00eds\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jornadas extenuantes<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os maiores respons\u00e1veis pelas mortes das estradas s\u00e3o caminhoneiros que recorrem ao uso de drogas para cumprirem jornadas extenuantes. Pelos c\u00e1lculos do diretor-geral da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF), Renato Dias, 48% das mortes registradas em rodovias do pa\u00eds em 2017 foram provocadas por ve\u00edculos pesados. Procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), Paulo Douglas afirmou que a principal droga consumida por caminhoneiros \u00e9 a coca\u00edna. Para ele, esse quadro s\u00f3 vai mudar quando houver ajustes na legisla\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo em que trouxe avan\u00e7os, como a exig\u00eancia do exame toxicol\u00f3gico, a Lei 13.103\/2015 abriu brechas para a explora\u00e7\u00e3o de motoristas profissionais ao liberar as jornadas de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Rodolfo Rizzoto, coordenador do site SOS estradas, a maior parte dos caminhoneiros passa mais de 200 dias nas estradas, cumprem jornadas semanais de mais de 80 horas. N\u00e3o bastasse o excesso de trabalho, v\u00e1rios desses profissionais s\u00e3o assediados e aliciados por traficantes. Passam a consumir entorpecentes e a transport\u00e1-los ilegalmente. Por isso, matam tanto nas rodovias. \u201cTemos que tirar das m\u00e3os desses condutores a licen\u00e7a para matar\u201d, defendeu. Para Maur\u00edcio Jos\u00e9 Alves Pereira, diretor do Departamento Nacional de Tr\u00e2nsito (Denatran), \u201c\u00e9 inadmiss\u00edvel que o Brasil continue registrando mais de 40 mil mortes por ano no tr\u00e2nsito\u201d, boa parte delas, por uso de drogas e \u00e1lcool.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do desembargador Henrique Calandra, o Judici\u00e1rio deve ser mais ativo para punir aqueles que matam no tr\u00e2nsito e tem que firmar entendimento n\u00e3o s\u00f3 para quem dirige ve\u00edculos pesados, mas para todos os motoristas. \u201cOs exames toxicol\u00f3gicos tem que ser estendidos a todos os condutores\u201d, frisou. Segundo Marcos Vin\u00edcius Furtado Coelho, presidente do Conselho Nacional de Estudos Constitucionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o direto precisa responder \u00e0s demandas da sociedade, que pede mais seguran\u00e7a nas vias p\u00fablicas. Ele n\u00e3o v\u00ea conflitos no debate entre a libera\u00e7\u00e3o para o consumo de certas drogas e puni\u00e7\u00f5es mais severas para quem matar ao volante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mesma avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, \u00e9 preciso pol\u00edticas eficientes por meio da educa\u00e7\u00e3o para desestimular o consumo de drogas, al\u00e9m do uso de tecnologias que impe\u00e7am danos a terceiros. Ele disse que a ONU vai ampliar o debate sobre a descriminaliza\u00e7\u00e3o do uso de entorpecentes, mas n\u00e3o acredita que os futuros candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ter\u00e3o coragem de levar esse tema para os debates durante as elei\u00e7\u00f5es. Vice-presidente s\u00eanior da Quest Diagnostics, Cathy Doherty destacou que, h\u00e1 30 anos, os Estados Unidos adotaram os exames toxicol\u00f3gicos para motoristas. Foi a forma que o pa\u00eds encontrou para evitar que tantas fam\u00edlias fossem devastadas pela perda de entes queridos em mortes nas estradas. \u201cO nosso foco \u00e9 preservas vidas\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) O rep\u00f3rter viajou a convite do ITTS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nova York, 06h36min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York \u2013 O Brasil deu passos importantes para reduzir os acidentes de tr\u00e2nsito, mas n\u00e3o cumprir\u00e1 as metas fixadas junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) de reduzir dos desastres pela metade at\u00e9 2020. Em 2011, quando passou a vigorar o acordo, morriam nas rodovias brasileiras, em m\u00e9dia, 24 pessoas por 100 mil habitantes. 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