{"id":7434,"date":"2018-03-17T06:08:58","date_gmt":"2018-03-17T09:08:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7434"},"modified":"2018-03-17T08:14:44","modified_gmt":"2018-03-17T11:14:44","slug":"correio-economico-crescimento-sem-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-crescimento-sem-emprego\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Crescimento sem emprego"},"content":{"rendered":"<h2>Ainda que o governo tente mostrar otimismo, o crescimento da economia deste ano n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o forte como muitos propagandeiam. E mesmo que o Produto Interno Bruto (PIB) avance os 3% projetados pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tal expans\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para impulsionar o mercado de trabalho. Na avalia\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios, a cria\u00e7\u00e3o de vagas ser\u00e1 muito gradual. Eles estimam que, ao fim do processo de regulariza\u00e7\u00e3o do emprego, tr\u00eas em cada 10 demitidos durante o pior momento da recess\u00e3o continuar\u00e3o engrossando o ex\u00e9rcito de desocupados.<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>A vis\u00e3o nada otimista sobre o mercado de trabalho foi passada por um grupo de empres\u00e1rios em conversas com investidores estrangeiros. A justificativa \u00e9 a de que as empresas aprenderam a conviver com um quadro mais enxuto de pessoal. Durante o per\u00edodo de queda do PIB, de contra\u00e7\u00e3o do consumo, tiveram que aumentar a efici\u00eancia. Tamb\u00e9m houve absor\u00e7\u00e3o de tecnologia. Hoje, produz-se mais com menos. Assim, mesmo que a economia ganhe tra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 preciso inchar muito a folha de sal\u00e1rios. A prioridade ser\u00e1 ampliar as margens de lucro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios reconhecem que, durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff, exageraram na contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra. Instalou-se no mercado o temor de falta de profissionais. As empresas estavam oferecendo sal\u00e1rios elevad\u00edssimos sem qualquer crit\u00e9rio. N\u00e3o se avaliava corretamente a capacidade dos contratados. Mas, como o PIB estava deslanchado e o caixa, cheio, a inefici\u00eancia acabava encoberta pelo faturamento cada vez maior. Quando a recess\u00e3o chegou com tudo, as companhias perceberam que tinham errado em muitas escolhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPortanto, n\u00e3o veremos grandes contrata\u00e7\u00f5es. O governo fala na cria\u00e7\u00e3o de pelo menos 2,5 milh\u00f5es de empregos em 2018, dos quais 1 milh\u00e3o com carteira assinada. Acho esses n\u00fameros exagerados. N\u00e3o h\u00e1 como haver tantas vagas\u201d, diz um industrial. \u201cAl\u00e9m de estarmos com grande capacidade ociosa, podemos crescer sem precisar aumentar o quadro de pessoal\u201d, acrescenta. Para ele, os empres\u00e1rios aprenderam a li\u00e7\u00e3o. \u201cNingu\u00e9m mais vai abarrotar as empresas de gente, sobretudo porque \u00e9 muito caro demitir\u201d, frisa. \u201cTodos ser\u00e3o mais parcimoniosos nas contrata\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Destrui\u00e7\u00e3o<\/b><br \/>\nDiante das declara\u00e7\u00f5es dos empres\u00e1rios, os investidores n\u00e3o esconderam uma certa ang\u00fastia em rela\u00e7\u00e3o aos rumos da economia. Havia uma quase certeza de que a recupera\u00e7\u00e3o da atividade seria mais r\u00e1pida, depois de um tombo superior a 7% entre 2015 e 2016. Historicamente, o Brasil sempre cresceu de forma robusta depois de per\u00edodos recessivos. Desta vez, por\u00e9m, o quadro est\u00e1 sendo totalmente diferente. A destrui\u00e7\u00e3o provocada pelas estripulias de Dilma Rousseff na economia foi profunda demais. Na melhor das hip\u00f3teses, o PIB voltar\u00e1 aos n\u00edveis de 2014 somente em 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para piorar, dizem empres\u00e1rios e investidores, h\u00e1 as elei\u00e7\u00f5es presidenciais no meio do caminho. A sete meses do pleito, n\u00e3o se tem a menor ideia de quem sair\u00e1 vencedor das urnas. A aposta \u00e9 grande para que um candidato reformista consiga cativar a maioria dos eleitores. Contudo, nenhum dos candidatos que vestem o figurino do mercado \u2014 Geraldo Alckmin (governador de S\u00e3o Paulo), Henrique Meirelles e Rodrigo Maia (presidente da C\u00e2mara dos Deputados) \u2014 empolga. O que acalma os \u00e2nimos dos donos do dinheiro \u00e9 a perspectiva de Lula ficar fora da disputa pelo Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTeremos que ter muita paci\u00eancia. A economia vai melhorar, mas n\u00e3o a ponto de influenciar, de forma decisiva, as elei\u00e7\u00f5es\u201d, frisa um investidor estrangeiro. Ele acredita que n\u00e3o se repetir\u00e1 o que se viu em 1994, com o Plano Real, que acabou elegendo Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno. \u201cEssa retomada ser\u00e1 sem empregos. Isso vai incomodar. Por isso, \u00e9 dif\u00edcil acreditar, por exemplo, na candidatura de Meirelles. Ele pode querer muito ser eleito presidente da Rep\u00fablica, mas n\u00e3o ter\u00e1 votos suficientes para isso. Na verdade, ainda duvidamos se ele realmente disputar\u00e1 o Planalto\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h08min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda que o governo tente mostrar otimismo, o crescimento da economia deste ano n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o forte como muitos propagandeiam. 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