{"id":7218,"date":"2018-02-16T11:59:04","date_gmt":"2018-02-16T13:59:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7218"},"modified":"2018-02-16T11:59:04","modified_gmt":"2018-02-16T13:59:04","slug":"correio-economico-estradas-da-perdicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-estradas-da-perdicao\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Estradas da perdi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O acidente na BR-020 que envolveu dois caminh\u00f5es, um \u00f4nibus e causou a morte de sete pessoas traz \u00e0 tona mais um dos incont\u00e1veis problemas do pa\u00eds. O motorista de um dos caminh\u00f5es n\u00e3o \u00e9 habilitado para dirigir esse tipo de ve\u00edculo. Para piorar, dados da S.O.S. Estradas estimam que 500 mil condutores de ve\u00edculos pesados trafegam com exames toxicol\u00f3gicos vencidos desde o fim do ano passado. Desse total, a entidade, que trabalha para aumentar o n\u00edvel de seguran\u00e7a nas estradas, estima que 20 mil t\u00eam mais de 65 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A obrigatoriedade do exame foi determinada pela Lei 13.103\/2015 para condutores das categorias C, D e E. Na avalia\u00e7\u00e3o da S.O.S. Estradas, parte do problema seria resolvida se o Departamento Nacional de Tr\u00e2nsito (Denatran) e o Conselho Nacional de Tr\u00e2nsito (Contran) regulamentassem a inclus\u00e3o da validade do exame nas carteiras de habilita\u00e7\u00e3o. Segundo a entidade, desde que o exame se tornou obrigat\u00f3rio, o n\u00famero de mortes nas rodovias caiu 40%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estudo realizado pelo S.O.S. Estradas, feito com base em mil acidentes rodovi\u00e1rios que resultaram em mortes, constatou que 363 ocorr\u00eancias envolveram um caminh\u00e3o e um ve\u00edculo de passeio. Dos mortos nesses acidentes, 605 eram ocupantes dos ve\u00edculos leves e apenas 17, dos caminh\u00f5es. Para o coordenador da entidade, Rodolfo Rizzotto, \u00e9 uma evid\u00eancia da import\u00e2ncia da fiscaliza\u00e7\u00e3o permanente da circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos pesados, devido \u00e0s consequ\u00eancias tr\u00e1gicas quando eles se envolvem em acidentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Rizzotto, uma simples observa\u00e7\u00e3o nas carteiras desses motoristas pode salvar centenas de vidas. \u201cA droga \u00e9 incapacitante, seja pelo uso ou pelos efeitos da abstin\u00eancia. N\u00e3o podemos permitir que motoristas drogados continuem trafegando, quando temos um exame capaz de identificar aqueles que fizeram uso frequente de drogas nos \u00faltimos seis meses\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele alerta que o uso de drogas por motoristas de ve\u00edculos pesados se deve \u00e0s condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho dos profissionais. Embora representem apenas 4% da frota nacional, os ve\u00edculos pesados s\u00e3o respons\u00e1veis por 38% dos acidentes e por 53% das mortes nas estradas. O Brasil \u00e9 o terceiro pa\u00eds que mais mata no tr\u00e2nsito. Rizzotto ressalta que parte das empresas de transporte de cargas tem resistido a adotar os exames toxicol\u00f3gicos.<br \/>\n<b>Normas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde setembro do ano passado, as empresas s\u00e3o obrigadas a informar ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) a realiza\u00e7\u00e3o de exame toxicol\u00f3gico nos motoristas profissionais admitidos e demitidos. Os exames devem ser custeados pelas empresas. A regra vale para motoristas profissionais de ve\u00edculos de pequeno e m\u00e9dio portes, de \u00f4nibus urbanos, metropolitanos e rodovi\u00e1rios e de cargas em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do resultado do exame toxicol\u00f3gico, o empregador deve informar ao Caged a data do exame, o CNPJ do laborat\u00f3rio, a unidade federativa do Conselho Regional de Medicina e o n\u00famero do CRM do m\u00e9dico. Conforme o coordenador da S.O.S. Estradas, o exame nos motoristas \u00e9 realizado a cada dois anos e meio, em m\u00e9dia. Para ele, o procedimento deveria ser estendido a todos os motoristas do pa\u00eds, inclusive de ve\u00edculos particulares, e a motociclistas. Para os profissionais, deveria ser realizado anualmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Rizzotto, o poder p\u00fablico \u00e9 negligente ao n\u00e3o fiscalizar a situa\u00e7\u00e3o dos motoristas profissionais. Ele explica que muitos se tornam dependentes qu\u00edmicos e ficam \u00e0 merc\u00ea de traficantes. \u201cNas rodovias, 30% dos profissionais s\u00e3o usu\u00e1rios de drogas, conforme estudo do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho\u201d, alerta. O coordenador destaca que 70% deles usam coca\u00edna. \u201cAntigamente, usavam anfetaminas. Mas, agora, para ficarem acordados, usam coca\u00edna. Como s\u00e3o submetidos a uma rotina de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o, dirigindo 80 horas por semana, precisam fazer muitas viagens para obter remunera\u00e7\u00e3o adequada. E isso prejudica quem trabalha direito\u201d, comenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO &nbsp; O acidente na BR-020 que envolveu dois caminh\u00f5es, um \u00f4nibus e causou a morte de sete pessoas traz \u00e0 tona mais um dos incont\u00e1veis problemas do pa\u00eds. O motorista de um dos caminh\u00f5es n\u00e3o \u00e9 habilitado para dirigir esse tipo de ve\u00edculo. Para piorar, dados da S.O.S. 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