{"id":7197,"date":"2018-02-13T06:50:56","date_gmt":"2018-02-13T08:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7197"},"modified":"2018-02-13T12:01:34","modified_gmt":"2018-02-13T14:01:34","slug":"correio-economico-samba-e-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-samba-e-juros\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Samba e juros"},"content":{"rendered":"<p>O carnaval est\u00e1 pegando fogo em todo o Brasil, misturando, infelizmente, divers\u00e3o com muita viol\u00eancia, sobretudo no Rio de Janeiro, mas os analistas financeiros n\u00e3o desgrudam os olhos das not\u00edcias. Entre a ida a um bloco e a parada para o descanso, procuram se inteirar dos fatos a fim de n\u00e3o serem surpreendidos na Quarta-Feira de Cinzas, quando o Brasil voltar\u00e1 a encarar a realidade. S\u00e3o muitas as indaga\u00e7\u00f5es. Entra elas, o que mais dir\u00e1 o Banco Central sobre a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que, na semana passada, caiu para 6,75% ao ano, o n\u00edvel mais baixo em seis d\u00e9cadas. Efetivamente, o BC encerrou o processo de flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, como indicou ap\u00f3s o t\u00e9rmino da reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom)? Isso estar\u00e1 mais claro na ata do Copom que ser\u00e1 divulgada amanh\u00e3?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista-chefe do Banco UBS, Tony Volpon, a resposta \u00e9 sim, o ciclo de corte dos juros chegou ao fim. Para ele, \u00e9 vis\u00edvel a preocupa\u00e7\u00e3o do BC com os efeitos da retomada do crescimento sobre a infla\u00e7\u00e3o. A autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o quer ser surpreendida com um ritmo de atividade mais forte do que o previsto, resultando em pre\u00e7os mais altos. Volpon diz que h\u00e1 raz\u00f5es de sobra para a cautela. Ele lembra que, em 2007, o Brasil viveu um quadro semelhante ao que se v\u00ea agora. Apesar de o BC e de boa parte do mercado projetar, \u00e0 \u00e9poca, infla\u00e7\u00e3o muito baixa, o custo de vida praticamente dobrou, passando de 3% para 6% de um ano para o outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Volpon reconhece que, ao contr\u00e1rio de 2007, quando a economia j\u00e1 crescia a um ritmo mais forte, em 2018, o pa\u00eds avan\u00e7ar\u00e1 mais lentamente, reduzindo a press\u00e3o do consumo sobre os pre\u00e7os. Contudo, ele espera uma boa valoriza\u00e7\u00e3o das commodities, produtos agr\u00edcolas e met\u00e1licos com cota\u00e7\u00e3o internacional, que t\u00eam impacto significativo no \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). O economista prev\u00ea ainda um d\u00f3lar mais forte ante o real e tarifas p\u00fablicas subindo, fatores igualmente inflacion\u00e1rios. \u201cPortanto, h\u00e1 argumentos para o BC ser prudente e manter a Selic em 6,75% por um bom per\u00edodo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>De olho nos bancos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jankiel Santos, economista-chefe do Banco Haitong, vai na mesma linha. Ele ressalta que a ata do Copom teria que trazer muitos pontos positivos para se acreditar em um BC disposto a avan\u00e7ar o passo e levar a Selic a at\u00e9 6,5% no encontro de mar\u00e7o do Copom. A institui\u00e7\u00e3o teria, por exemplo, que ressaltar sua expectativa em rela\u00e7\u00e3o a um quadro internacional mais positivo, prever novas quedas nas estimativas de infla\u00e7\u00e3o do mercado e apostar firme na aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia ainda neste m\u00eas de fevereiro. \u201cMas n\u00f3s n\u00e3o acreditamos que nenhum desses pontos se materialize. Ent\u00e3o, cremos que o processo de redu\u00e7\u00e3o da Selic chegou ao fim\u201d, avisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista destaca, por\u00e9m, que, ao longo do tempo, o BC come\u00e7ar\u00e1 a dar sinais claros de quando come\u00e7ar\u00e1 a reverter a atual pol\u00edtica de est\u00edmulo monet\u00e1rio. Nos \u00faltimos meses, a institui\u00e7\u00e3o vem ressaltando que o pa\u00eds est\u00e1 trabalhando com juros abaixo do que seria o ideal, porque o ritmo de atividade est\u00e1 muito fraco, h\u00e1 mais de 12 milh\u00f5es de desempregados e a ind\u00fastria vem operando com grande capacidade ociosa. Esse cen\u00e1rio, no entanto, vai mudar para melhor. Os analistas est\u00e3o divididos sobre a velocidade dessa melhora. Jankiel se diz mais conservador do que parte de seus colegas. Tanto que s\u00f3 trabalha com eleva\u00e7\u00e3o da Selic a partir de 2019, j\u00e1 com o Brasil sob novo comando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para integrantes da equipe econ\u00f4mica, mais do que discutir se o BC vai ou n\u00e3o continuar cortando os juros \u00e9 importante ver se o cr\u00e9dito fornecido pelos bancos ficar\u00e1 mais barato. H\u00e1 um inc\u00f4modo evidente tanto no Pal\u00e1cio do Planalto quanto nos minist\u00e9rios da Fazenda e do Planejamento ante a demora para as institui\u00e7\u00f5es financeiras repassarem \u00e0 clientela toda a redu\u00e7\u00e3o da Selic feita pelo Banco Central. \u201cProporcionalmente, os juros b\u00e1sicos ca\u00edram muito mais do que as taxas cobradas pelos bancos em empr\u00e9stimos e financiamentos. O que temos visto \u00e9 o sistema financeiro engordando os lucros e empresas e consumidores sem acesso a cr\u00e9dito. N\u00e3o estamos satisfeitos com esse comportamento\u201d, avisa um integrante do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h50min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O carnaval est\u00e1 pegando fogo em todo o Brasil, misturando, infelizmente, divers\u00e3o com muita viol\u00eancia, sobretudo no Rio de Janeiro, mas os analistas financeiros n\u00e3o desgrudam os olhos das not\u00edcias. 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