{"id":7176,"date":"2018-02-09T06:52:08","date_gmt":"2018-02-09T08:52:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7176"},"modified":"2018-02-09T09:02:27","modified_gmt":"2018-02-09T11:02:27","slug":"correio-economico-de-novo-inflacao-abaixo-de-meta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-de-novo-inflacao-abaixo-de-meta\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: De novo, infla\u00e7\u00e3o abaixo de meta"},"content":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o de 2018 dever\u00e1 fechar abaixo do centro da meta, de 4,5%, pelo segundo ano consecutivo. As proje\u00e7\u00f5es variam entre 3,7% e 3,9%, indicando que h\u00e1, sim, espa\u00e7o para o Banco Central promover mais um corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic), fixada em 6,75%, a menor em 60 anos. A percep\u00e7\u00e3o de que a institui\u00e7\u00e3o poder\u00e1 utilizar a janela de oportunidade que se mant\u00e9m aberta ganhou for\u00e7a depois da divulga\u00e7\u00e3o, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, de apenas 0,29%. O consenso do mercado era de infla\u00e7\u00e3o de 0,42%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, por maior que seja a torcida para mais ousadia na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, \u00e9 certo que o BC s\u00f3 dar\u00e1 um passo adiante se algo de muito bom acontecer. Ser\u00e1 preciso, por exemplo, que o IPCA de fevereiro fique bem pr\u00f3ximo do resultado de janeiro \u2014 as estimativas variam entre 0,35% e 0,40% \u2014 e que a C\u00e2mara dos Deputados aprove a reforma da Previd\u00eancia, o que ningu\u00e9m no mercado acredita. O aval \u00e0s mudan\u00e7as no sistema de aposentadoria seria suficiente para segurar as cota\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar mesmo num quadro de maior tens\u00e3o no cen\u00e1rio internacional, hoje, a principal preocupa\u00e7\u00e3o do BC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do governo, todos se d\u00e3o por satisfeitos com o que j\u00e1 foi feito pelo BC. \u201c\u00c9 claro que, se uma nova queda dos juros vier, ficaremos felizes. Mas temos de reconhecer o sucesso da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Os juros ca\u00edram para n\u00edveis hist\u00f3ricos com a infla\u00e7\u00e3o em baixa. Isso \u00e9 in\u00e9dito nas \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d, diz um dos principais assessores do presidente Michel Temer. \u201cVeja o que ocorreu em 2012. For\u00e7aram um recuo da Selic, mas, seis meses depois, tiveram que mudar a rota dos juros, pois a infla\u00e7\u00e3o disparou. N\u00e3o havia credibilidade. Agora, as expectativas de infla\u00e7\u00e3o est\u00e3o ancoradas abaixo da meta\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Li\u00e7\u00e3o aprendida<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da economista-chefe da Rosenberg Associados, Tha\u00eds Zara, h\u00e1 muito o que comemorar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. \u201cHouve boas surpresas positivas em janeiro. Os pre\u00e7os dos alimentos subiram menos do que projet\u00e1vamos. Os custos dos servi\u00e7os tamb\u00e9m ficaram aqu\u00e9m do previsto, assim como os n\u00facleos do IPCA (que descontam as maiores altas e as maiores baixas)\u201d, frisa. Ela reconhece que ainda h\u00e1 espa\u00e7o para o BC cortar mais os juros, por\u00e9m, n\u00e3o acredita que isso ocorra. \u201cMantemos a estimativa de Selic est\u00e1vel em 6,75% at\u00e9 o fim do ano. O BC n\u00e3o usar\u00e1 a janela que deixou aberta para cortar mais a taxa. Para que isso ocorra, s\u00e3o necess\u00e1rias muitas not\u00edcias positivas, como a reforma da Previd\u00eancia, que n\u00e3o vemos.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Tha\u00eds, a infla\u00e7\u00e3o deste ano fechar\u00e1 em 3,8%. Caso, no entanto, se confirmem as estimativas de uma nova supersafra agr\u00edcola sem estresse no c\u00e2mbio, n\u00e3o se deve descartar a possibilidade de o IPCA encerrar 2018 abaixo do piso da meta, de 3%. \u201cAinda h\u00e1 um longo caminho a ser percorrido para se poder dizer isso. O importante a ser dito \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o deste ano ser\u00e1 bastante tranquila. Estamos contando com um saldo do bom resultado de 2017 (a chamada in\u00e9rcia) e com o fato de a economia estar crescendo abaixo do seu potencial\u201d, assinala. \u201cEm fevereiro, por exemplo, veremos press\u00f5es pontuais na infla\u00e7\u00e3o por causa do grupo educa\u00e7\u00e3o. Contudo, n\u00e3o ser\u00e1 nada demais\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o baixa favorece, sobretudo, os mais pobres, que n\u00e3o t\u00eam como se defender dos reajustes. No governo Dilma Rousseff, acreditou-se que um pouco mais de infla\u00e7\u00e3o impulsionaria o crescimento econ\u00f4mico. Tal leni\u00eancia fez os \u00edndices de pre\u00e7os dispararem, o poder de compra das fam\u00edlias ruir e o desemprego explodir. O resultado foi uma das piores recess\u00f5es da hist\u00f3ria. O estrago foi tamanho que, mesmo com a infla\u00e7\u00e3o em 12 meses rodando abaixo de 3%, a economia reage lentamente e o pa\u00eds ostenta um ex\u00e9rcito de mais de 12 milh\u00f5es de desempregados. A li\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 clara: com infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o se brinca. Por mais que o momento seja favor\u00e1vel, o BC jamais deve se descuidar do combate \u00e0 carestia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h52min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o de 2018 dever\u00e1 fechar abaixo do centro da meta, de 4,5%, pelo segundo ano consecutivo. As proje\u00e7\u00f5es variam entre 3,7% e 3,9%, indicando que h\u00e1, sim, espa\u00e7o para o Banco Central promover mais um corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic), fixada em 6,75%, a menor em 60 anos. 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