{"id":7166,"date":"2018-02-08T06:57:14","date_gmt":"2018-02-08T08:57:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7166"},"modified":"2018-02-08T12:59:03","modified_gmt":"2018-02-08T14:59:03","slug":"correio-economico-bc-vai-esperar-para-nao-fazer-mais-nada-com-os-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-bc-vai-esperar-para-nao-fazer-mais-nada-com-os-juros\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: BC vai esperar para n\u00e3o fazer mais nada com os juros"},"content":{"rendered":"<h2>O Banco Central optou pela prud\u00eancia ao sinalizar ao mercado que encerrou o ciclo de corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), depois de derrub\u00e1-la de 7% para 6,75% ao ano. Ainda que veja espa\u00e7o para promover mais uma redu\u00e7\u00e3o da Selic, o time comandando por Ilan Goldfajn prefere pecar pelo excesso de zelo do que correr o risco de ter que agir no afogadilho em caso de uma virada brusca nas condi\u00e7\u00f5es financeiras da economia. Essa postura vem prevalecendo desde outubro de 2016, quando come\u00e7ou o ciclo de queda dos juros. Muitos cobraram do BC uma postura mais agressiva nos cortes. O tempo, por\u00e9m, mostrou que o gradualismo contribuiu para consolidar a confian\u00e7a de que a infla\u00e7\u00e3o estava domada e longe de voltar a ser um problema.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto no governo quanto no mercado financeiro, estava clara a percep\u00e7\u00e3o de que o BC praticamente fecharia a porta para novas redu\u00e7\u00f5es dos juros. Essa vis\u00e3o se consolidou no in\u00edcio desta semana, depois do clima de p\u00e2nico que tomou conta dos mercados financeiros mundiais diante do tombo monumental da Bolsa de Valores de Nova York. Em apenas um dia, as perdas no preg\u00e3o norte-americano chegaram a US$ 1,9 trilh\u00e3o. Levantou-se o temor de que um movimento disseminado nos pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es poderia estimular uma fuga maci\u00e7a de recursos de pa\u00edses emergentes, elevando, al\u00e9m da conta, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar do Brasil e, por consequ\u00eancia, a infla\u00e7\u00e3o. Felizmente, o ajuste dos mercados dever\u00e1 ser mais moderado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, como diz um integrante da equipe econ\u00f4mica, todo cuidado \u00e9 pouco. N\u00e3o se pode esquecer que a taxa Selic est\u00e1 no n\u00edvel mais baixo dos \u00faltimos 60 anos. Recuou, em pouco mais de um ano, 7,5 pontos percentuais. O melhor \u00e9 manter os juros baixos por um per\u00edodo mais longo, do que errar a m\u00e3o na baixa e, meses depois, ser obrigado a subir a Selic. Para o t\u00e9cnico, por tudo o que j\u00e1 se ouviu da equipe do BC dentro do governo, pode-se depreender que o objetivo de Ilan \u00e9 evitar que, quando for necess\u00e1rio aumentar os juros, que a alta seja pequena. Que a Selic n\u00e3o passe de 8%. O BC deseja, segundo esse mesmo t\u00e9cnico, atravessar as elei\u00e7\u00f5es sem estresse e, se poss\u00edvel, evitar a subida da Selic em 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Amea\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Olhando para as proje\u00e7\u00f5es que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) tem em m\u00e3os, a infla\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 no centro da meta ou mesmo abaixo dela em 2018 e 2019: 3,9% e 4,2%, respectivamente. Hoje, as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o apontam para press\u00f5es inflacion\u00e1rias. Os pre\u00e7os dos alimentos, que t\u00eam forte peso no custo de vida, tendem a se manter comportados. O ritmo da atividade continuar\u00e1 fraco, pois o desemprego est\u00e1 elevado e h\u00e1 grande ociosidade no parque industrial. H\u00e1, ainda, reservas cambias mais do que suficientes para conter qualquer movimento de alta no mercado de c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o BC, o \u00fanico sen\u00e3o neste momento vem do mercado externo. Caso nenhuma turbul\u00eancia se verifique mais \u00e0 frente, pode ser que a autoridade monet\u00e1ria venha a discutir mais um corte nos juros. Isso seria poss\u00edvel, por exemplo, se o governo conseguisse aprovar a reforma da Previd\u00eancia, o que ningu\u00e9m acredita. Nem o BC. De qualquer forma, a institui\u00e7\u00e3o far\u00e1 press\u00e3o para que medidas adicionais sejam tomadas pelo Pal\u00e1cio do Planalto para evitar a explos\u00e3o do deficit p\u00fablico. Esse, sim, uma amea\u00e7a que est\u00e1 \u00e0 espreita e pode provocar desarranjos na pol\u00edtica monet\u00e1ria ante uma poss\u00edvel explos\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO BC ainda tem um caminho tranquilo a percorrer. O ano de 2018, ao que tudo indica, ser\u00e1 de estabilidade nos juros a partir de agora. O ideal seria pavimentarmos a estrada para que 2019 n\u00e3o seja de aperto monet\u00e1rio\u201d, diz um auxiliar de Michel Temer. Para ele, mesmo que a economia cres\u00e7a 3% neste ano, a base ainda ser\u00e1 muito baixa. \u201cDevemos chegar a dezembro com mais de 10 milh\u00f5es de desempregados. Com esse n\u00edvel de desocupa\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil falar em press\u00e3o de demanda. Por isso, todas as estimativas apontam para infla\u00e7\u00e3o abaixo da meta\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h57min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central optou pela prud\u00eancia ao sinalizar ao mercado que encerrou o ciclo de corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), depois de derrub\u00e1-la de 7% para 6,75% ao ano. 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