{"id":7090,"date":"2018-02-01T06:07:19","date_gmt":"2018-02-01T08:07:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7090"},"modified":"2018-02-01T17:16:59","modified_gmt":"2018-02-01T19:16:59","slug":"candidato-rabello-de-castro-se-prepara-para-deixar-o-bndes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/candidato-rabello-de-castro-se-prepara-para-deixar-o-bndes\/","title":{"rendered":"Candidato, Rabello de Castro se prepara para deixar o BNDES"},"content":{"rendered":"<h2>Apesar de todo o otimismo mostrado pelo governo, os investimentos produtivos n\u00e3o voltar\u00e3o com for\u00e7a neste ano. Na melhor das hip\u00f3teses, tender\u00e3o a ficar ligeiramente acima do registrado em 2017, acredita o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro. Al\u00e9m de o governo, por restri\u00e7\u00e3o fiscal, estar impedido de tocar obras importantes, h\u00e1 as incertezas trazidas pelas elei\u00e7\u00f5es de outubro, a elevada capacidade ociosa da ind\u00fastria e a dificuldade das empresas em ter acesso ao cr\u00e9dito. O ritmo mais fraco dos investimentos, por\u00e9m, n\u00e3o impedir\u00e1 que o crescimento da economia passe dos 3% em 2018, diz ele.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Candidato ao Pal\u00e1cio do Planalto pelo PSC, com 1% das inten\u00e7\u00f5es de votos, Rabello de Castro acredita que os avan\u00e7os conseguidos ao longo do governo de Michel Temer est\u00e3o ajudando \u201ca clarear\u201d o horizonte, depois de dois anos de recess\u00e3o profunda. A infla\u00e7\u00e3o caiu, os juros est\u00e3o nos n\u00edveis mais baixos da hist\u00f3ria e instituiu-se um teto para os gastos p\u00fablicos. Com isso, a economia se estabilizou, o emprego est\u00e1 voltando aos poucos e a confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores est\u00e1 em alta, mesmo com as chances m\u00ednimas de aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia em fevereiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 muitas pe\u00e7as a serem encaixadas na engrenagem. Uma delas \u00e9 o BNDES, que, nos \u00faltimos quatro anos, viu a demanda por cr\u00e9dito produtivo desabar. Segundo o presidente da institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi por falta de dinheiro. Faltaram clientes, que, se ressalte, est\u00e3o voltando aos poucos. Tanto que o banco vem apostando em aumento de pelo menos R$ 20 bilh\u00f5es nos desembolsos em rela\u00e7\u00e3o a 2017, totalizando R$ 90 bilh\u00f5es. Ele garante que essa estimativa \u00e9 conservadora. Caso o n\u00edvel da atividade se mostre mais forte do que o esperado, as libera\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimos podem superar o planejamento inicial. N\u00e3o faltar\u00e3o recursos, garante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>R$ 30 bi em fevereiro<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rabello de Castro destaca que, mesmo com os seguidos repasses para o governo, o BNDES est\u00e1 capitalizado. Tanto que vai transferir, ainda em fevereiro, pelo menos R$ 30 bilh\u00f5es dos R$ 130 bilh\u00f5es que prometeu destinar aos cofres do Tesouro Nacional ao longo do ano. \u201cEssa parcela est\u00e1 praticamente certa\u201d, avisa. \u201cO restante vamos entregar no segundo semestre\u201d, acrescenta. Nos \u00faltimos dois anos, o BNDES devolveu R$ 180 bilh\u00f5es ao Tesouro dos quase R$ 500 bilh\u00f5es que havia recebido durante os governos petistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os repasses de recursos ao Tesouro seguir\u00e3o, no entender de Rabello de Castro, o ritmo da demanda por empr\u00e9stimos. Se a procura por financiamentos aumentar al\u00e9m do previsto, as transfer\u00eancias ao Tesouro ficar\u00e3o mais para o fim do ano. \u201cTemos at\u00e9 o fim de dezembro para repassar o total de R$ 130 bilh\u00f5es\u201d, assinala. Sem esse dinheiro, o governo descumprir\u00e1 a regra de ouro, que impede o pagamento de despesas correntes, como sal\u00e1rios e aposentadorias, por meio da emiss\u00e3o de d\u00edvidas. Para 2019, o executivo ressalta que o governo n\u00e3o poder\u00e1 mais contar com o banco para se manter dentro da lei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente do BNDES, todas as arestas nesse sentido j\u00e1 foram aparadas. O importante, agora, \u00e9 se concentrar em medidas que incrementem os neg\u00f3cios da institui\u00e7\u00e3o e facilitem a chegada do dinheiro a quem realmente interessa. Ele conta que ser\u00e1 criada uma esp\u00e9cie de banco digital para anteder micro e pequenas empresas. Os financiamentos ser\u00e3o feitos por meio de um cart\u00e3o. Hoje, o BNDES tem um cart\u00e3o de cr\u00e9dito, mas os repasses por meio dessa modalidade praticamente pararam porque os bancos que intermedeiam as opera\u00e7\u00f5es decidiram suspender a parceria, temendo calotes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Thadeu, o sucessor<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BNDES tamb\u00e9m reabrir\u00e1 cinco das regionais fechadas durante a administra\u00e7\u00e3o de Maria S\u00edlvia Bastos Marques: Cuiab\u00e1, Florian\u00f3polis, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza. Na vis\u00e3o de Rabello de Castro, apenas com as sucursais de Bras\u00edlia, S\u00e3o Paulo e Recife, o trabalho de repasse mais direto de cr\u00e9dito acaba ficando muito limitado. Ele diz que as novas regionais ser\u00e3o vitais para o programa Fomento Municipal, pelo qual o BNDES dever\u00e1 repassar at\u00e9 R$ 10 bilh\u00f5es a prefeituras. Outros R$ 20 bilh\u00f5es tendem a ser destinados para capital de giro de neg\u00f3cios de menor porte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fim de manter o caixa do banco com recursos suficientes para atender a demanda, o BNDES reabrir\u00e1 os escrit\u00f3rios de Londres e Nova York e vai implantar uma estrutura em Xangai, na China. O objetivo \u00e9 lan\u00e7ar t\u00edtulos no exterior e depender menos de repasses do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do PIS\/Pasep, dois dos principais respons\u00e1veis pelo capital do banco. \u201cEstamos estudando uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es para refor\u00e7ar o caixa do BNDES\u201d, afirma Rabello de Castro. \u201cVamos, inclusive, buscar recursos no Oriente M\u00e9dio, onde n\u00e3o atuamos\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente do BNDES diz que a decis\u00e3o de sair candidato em nada influenciar\u00e1 a continuidade dos projetos do banco. Para ele, a pior fase da institui\u00e7\u00e3o ficou para tr\u00e1s. \u201cO banco est\u00e1 com a faca nos dentes\u201d, enfatiza. O BNDES esteve no centro das den\u00fancias de irregularidades envolvendo o frigor\u00edfico JBS, dos irm\u00e3os Joesley e Wesley Batista, que est\u00e3o presos. \u201cMas todas as investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o deram em nada. N\u00e3o se encontrou nada de errado dentro do banco\u201d, garante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No que depender de Rabello de Castro, seu sucessor j\u00e1 est\u00e1 escolhido: ser\u00e1 Carlos Thadeu de Freitas Gomes, hoje diretor da \u00c1rea Financeira do BNDES. \u201cEle tem todas as condi\u00e7\u00f5es de tocar o banco. Al\u00e9m do conhecimento t\u00e9cnico, desfruta de \u00f3timo tr\u00e2nsito no Banco Central e no Minist\u00e9rio da Fazenda. \u00c9 o que a institui\u00e7\u00e3o precisa\u201d, sentencia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h07min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de todo o otimismo mostrado pelo governo, os investimentos produtivos n\u00e3o voltar\u00e3o com for\u00e7a neste ano. Na melhor das hip\u00f3teses, tender\u00e3o a ficar ligeiramente acima do registrado em 2017, acredita o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro. 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