{"id":6926,"date":"2018-01-13T16:54:11","date_gmt":"2018-01-13T18:54:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6926"},"modified":"2018-01-14T13:05:23","modified_gmt":"2018-01-14T15:05:23","slug":"correio-economico-atrasos-e-desleixos-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-atrasos-e-desleixos-do-governo\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Atrasos e desleixos do governo"},"content":{"rendered":"<h2>O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tentou minimizar o rebaixamento do Brasil pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P), mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o governo perdeu boa parte do discurso de que tudo vai bem na \u00e1rea econ\u00f4mica. N\u00e3o vai.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como bem expressou Lisa Schineller, diretora da S&amp;P, a pol\u00edtica fiscal do governo est\u00e1 seguindo um padr\u00e3o de \u201catrasos\u201d e \u201cdesleixos\u201d, n\u00e3o atacando os reais problemas que t\u00eam empurrado a d\u00edvida p\u00fablica para quase 80% do Produto Interno Bruto (PIB), n\u00edvel de pa\u00edses \u00e0 beira do calote.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde que tomou posse, o atual governo deixou claro que n\u00e3o faria um ajuste mais agressivo nas contas p\u00fablicas. A alega\u00e7\u00e3o foi a de que um corte brusco nos gastos tornaria a recess\u00e3o na qual o pa\u00eds j\u00e1 estava mergulhado ainda mais agressiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De olhos fechados, felizes com a queda de Dilma Rousseff, os investidores comemoraram. A troca de gest\u00e3o, naquele momento, era mais importante do que qualquer coisa. O time econ\u00f4mico comandado por Meirelles foi descrito como genial. O tempo mostrou, por\u00e9m, que a arruma\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as federais estava mais no discurso do que na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desmonte<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Verdade seja dita, o governo aprovou medidas importantes, como o teto de gastos. O problema \u00e9 que continuou dando anu\u00eancia ao aumento das despesas. Avalizou o reajuste de servidores e abriu os cofres para emendas parlamentares durante o momento em que o Congresso avaliava as den\u00fancias contra o presidente Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O discurso fiscalista foi sendo desmontado, mas pouca import\u00e2ncia se deu a esse fato diante da necessidade do mercado financeiro de se apegar \u00e0 promessa de que, em algum momento, a reforma da Previd\u00eancia seria aprovada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi preciso a situa\u00e7\u00e3o quase sair do controle, com perspectiva de estouro da meta fiscal de deficit de at\u00e9 R$ 159 bilh\u00f5es neste ano, para que o governo tentasse reverter seus erros. Enviou um pacote fiscal ao Congresso, prevendo, entre outros pontos, o adiamento dos sal\u00e1rios dos servidores e a taxa\u00e7\u00e3o de fundos de investimentos exclusivos (destinados aos mais ricos), mas acabou n\u00e3o vendo nada aprovado, assim como a reforma da Previd\u00eancia. O certo \u00e9 que, independentemente das mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio, o Brasil registrar\u00e1 rombo fiscal pelo menos at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Resta saber se, daqui por diante, o governo realmente vai se empenhar em ajustar as contas, sem depender de receitas extraordin\u00e1rias, como se tornou rotina. Muito menos ficar contando com repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). S\u00e3o as transfer\u00eancias feitas pela institui\u00e7\u00e3o ao Tesouro Nacional que t\u00eam evitado a quebra da regra de ouro, mecanismo previsto na Constitui\u00e7\u00e3o que impede o endividamento para o pagamento de despesas correntes, como sal\u00e1rios de servidores, aposentadoria e pens\u00f5es. \u00c9 imperativo a\u00e7\u00f5es efetivas que levem o pa\u00eds a novamente registar superavits em suas contas e a conter a explos\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Perigos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meirelles ressalta que boa parte do processo de arruma\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as federais depende do Congresso. \u00c9 verdade. Contudo, n\u00e3o se deve jogar todo o peso do desarranjo fiscal sobre deputados e senadores. O governo precisa fazer a sua parte, conter a gastan\u00e7a que continua a todo vapor e o excesso de benesses em troca de apoio pol\u00edtico. N\u00e3o adianta mais promessas. S\u00e3o necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es concretas. O ministro diz que o pa\u00eds tem a sua agenda, e as ag\u00eancias de risco, as delas. O rebaixamento do Brasil pela S&amp;P indica, por\u00e9m, que j\u00e1 se perdeu tempo demais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A despeito do temor em rela\u00e7\u00e3o ao descontrole fiscal, o mercado financeiro continua optando pela complac\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao governo. N\u00e3o quer criar marolas com quedas expressivas na Bolsa de Valores e altas substanciais no d\u00f3lar para n\u00e3o endossar o discurso do caos que beneficia, sobretudo, a oposi\u00e7\u00e3o que tentar\u00e1 assumir o comando do pa\u00eds nas elei\u00e7\u00f5es de outubro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O perigo \u00e9 que, com o alarme desligado, acabe estimulando a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo est\u00e1 bem e maquiando uma crise que pode estourar mais cedo do que se imagina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tentou minimizar o rebaixamento do Brasil pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P), mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o governo perdeu boa parte do discurso de que tudo vai bem na \u00e1rea econ\u00f4mica. 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