{"id":6790,"date":"2017-12-24T13:15:09","date_gmt":"2017-12-24T15:15:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6790"},"modified":"2017-12-24T14:02:39","modified_gmt":"2017-12-24T16:02:39","slug":"reforma-da-voto-parlamentar-diz-meirelles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/reforma-da-voto-parlamentar-diz-meirelles\/","title":{"rendered":"&#8220;Reforma d\u00e1 voto a parlamentar&#8221;, diz Meirelles"},"content":{"rendered":"<h2>PAULO SILVA PINTO, ROSANA HESSEL E HAMILTON FERRARI<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem planos de longo prazo para o pa\u00eds. Qualquer pessoa do mundo pol\u00edtico diria que \u00e9 porque ele pretende se instalar no terceiro andar do Pal\u00e1cio Planalto. O chefe da equipe econ\u00f4mica nega que, por ora, seja essa a inten\u00e7\u00e3o. \u201cA prioridade \u00e9 que eu cumpra a minha miss\u00e3o e deixe o Brasil em uma trajet\u00f3ria de crescimento consolidado.\u201d Em abril, ele vai decidir se ser\u00e1 candidato a presidente ou n\u00e3o, reitera nesta entrevista ao <strong>Correio<\/strong>.<\/h2>\n<p>Meirelles v\u00ea o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescendo 3,7% ao ano por um longo per\u00edodo. Para isso, considera necess\u00e1ria, claro, a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, assunto predileto dele e do governo. O ministro acha que os parlamentares erram ao pensar que o apoio \u00e0 proposta de emenda constitucional vai lhes tirar votos em 2018. Lembra que o pr\u00f3prio presidente Michel Temer, quando deputado federal, foi relator de projeto de modifica\u00e7\u00e3o das aposentadorias no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1998. E acabou tirando disso vantagem nas urnas: passou de 71 mil votos no pleito anterior para 207 mil.<\/p>\n<p>Equacionar a quest\u00e3o previdenci\u00e1ria ser\u00e1 essencial, lembra, para conter o aumento dos gastos p\u00fablicos, permitindo ao governo cumprir o teto de aumento de gastos e, assim, reduzir a carga tribut\u00e1ria, o que tornaria mais f\u00e1cil outra reforma, a tribut\u00e1ria. O ministro fala tamb\u00e9m da necessidade de melhorar a qualidade na educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ver nisso discurso de campanha, mas ele diz que est\u00e1 falando de melhora na produtividade dos brasileiros, preocupa\u00e7\u00e3o essencial na Fazenda.<\/p>\n<p>Candidato ou n\u00e3o, ele considera a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o fundamental para o pa\u00eds. \u201cQual ser\u00e1 a pol\u00edtica econ\u00f4mica em 2019, 2020 e 2021? Isso \u00e9 um fato que o Brasil vai ter que enfrentar\u201d. Diz esperar um novo presidente reformista, capaz de aprofundar as transforma\u00e7\u00f5es iniciadas no atual governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/12\/Meirelles2.jpg\" rel=\"attachment wp-att-6792\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-6792\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/12\/Meirelles2.jpg\" alt=\"Meirelles2\" width=\"303\" height=\"181\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Depois de um ano e meio no cargo, a economia cresce e a taxa de juros est\u00e1 na m\u00ednima hist\u00f3rica, mas uma coisa continua pendente: a reforma da Previd\u00eancia. A vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara ficou para o pr\u00f3ximo ano. Como o senhor avalia isso?<\/strong><br \/>\nA reforma da Previd\u00eancia \u00e9 dif\u00edcil em qualquer pa\u00eds. N\u00f3s vimos a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia na Argentina, que teve uma margem pequena de votos, em meio a uma greve geral. \u00c9 uma luta s\u00e9ria em qualquer pa\u00eds, eu nunca achei que fosse um processo r\u00e1pido e sem discuss\u00e3o. Em qualquer lugar \u00e9 uma discuss\u00e3o muito s\u00e9ria porque \u00e9 leg\u00edtima. A Alemanha, por exemplo, \u00e9 um pa\u00eds que tem uma hist\u00f3ria de austeridade fiscal consolidada e tal. E \u00e9 um pa\u00eds no qual a reforma foi uma discuss\u00e3o seri\u00edssima. \u00c9 o que est\u00e1 acontecendo no Brasil, sempre dissemos isso. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o evoluiu muito, a popula\u00e7\u00e3o tem uma vis\u00e3o muito melhor da reforma. A m\u00eddia j\u00e1 tem uma posi\u00e7\u00e3o consolidada a favor da Previd\u00eancia em geral. Ent\u00e3o, est\u00e1 avan\u00e7ando. Acho que esse adiamento de um lado \u00e9 negativo, porque gera uma incerteza. Evidente que se tivesse sido aprovado hoje, seria um cen\u00e1rio ideal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 uma frustra\u00e7\u00e3o para o governo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 uma frustra\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma realidade. A expectativa \u00e9 de que, em fevereiro, tenhamos os votos necess\u00e1rios. Acredito que os pr\u00f3prios parlamentares, voltando \u00e0s suas bases, v\u00e3o ver que o ambiente de hoje \u00e9 muito diferente do que o do ano passado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Previd\u00eancia. Existe uma compreens\u00e3o muito maior, esse trabalho todo que est\u00e1 sendo feito pelo governo com a campanha e tamb\u00e9m pela m\u00eddia. Acho que eles pr\u00f3prios, os parlamentares, v\u00e3o entender que \u00e9 em benef\u00edcio de todos. Chamei aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 de l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o: \u00e9 melhor voc\u00eas torcerem pela reforma da Previd\u00eancia, porque se voc\u00eas ganharem a elei\u00e7\u00e3o, tendo feito a reforma, o pa\u00eds vai estar com uma governabilidade muito melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas por que a base n\u00e3o apoia? O seu pr\u00f3prio partido, PSD, tem muitos parlamentares que s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 reforma.<\/strong><br \/>\nIsso ocorre exatamente por essa percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 eleitoralmente desfavor\u00e1vel. N\u00f3s achamos exatamente isso, que esse per\u00edodo do recesso vai ajudar, fazer com que a grande maioria vote a favor em fevereiro. \u00c9 uma das raz\u00f5es do adiamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estaremos mais perto das elei\u00e7\u00f5es em fevereiro. N\u00e3o ser\u00e1 mais dif\u00edcil?<\/strong><br \/>\nA elei\u00e7\u00e3o \u00e9 em outubro. Cada vez mais se tem o entendimento de que, se a reforma da Previd\u00eancia for aprovada e o pa\u00eds crescer e criar emprego, o assunto Previd\u00eancia n\u00e3o ser\u00e1 um objeto v\u00e1lido na elei\u00e7\u00e3o. Pode ser uma tentativa de explora\u00e7\u00e3o na elei\u00e7\u00e3o, mas, o pa\u00eds crescendo e criando emprego, isso ser\u00e1 passado, j\u00e1 estar\u00e1 resolvido. Agora, se n\u00e3o votarem, a\u00ed a Previd\u00eancia ser\u00e1 um debate, sim, na elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A reforma da Previd\u00eancia vai fazer com que os saldos prim\u00e1rios cres\u00e7am muito. Isso vai dar uma oportunidade hist\u00f3rica de diminuir a carga tribut\u00e1ria, que, no Brasil, independente do conflito distributivo, \u00e9 uma das maiores do mundo. Baixando a carga, \u00e9 o momento ideal e f\u00e1cil de fazer uma reforma tribut\u00e1ria\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Per\u00edodos de bonan\u00e7a tendem a atrapalhar as reformas, dizem analistas. Com a infla\u00e7\u00e3o baixa e o emprego crescente, a popula\u00e7\u00e3o ver\u00e1 necessidade de mudan\u00e7as?<\/strong><br \/>\nUma alternativa \u00e9 a seguinte: com a situa\u00e7\u00e3o ruim, o deputado ou senador da base ficaria preocupado com todo mundo reclamando. No momento em que melhora e que ele se convence de que a aprova\u00e7\u00e3o da reforma far\u00e1 o pa\u00eds crescer mais e mais empregos ser\u00e3o criados. Eu acho que se pode entender isso como eleitoralmente positivo. O presidente Temer conta inclusive um caso desse, teve aquela reforma l\u00e1 atr\u00e1s da qual ele foi relator. Ele tinha tido 71 mil votos na elei\u00e7\u00e3o para deputado federal em SP. Depois da relatoria, teve 207 mil votos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre o debate eleitoral: em 2014 n\u00e3o se falou da necessidade de ajuste fiscal. O senhor espera que a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o seja diferente?<\/strong><br \/>\nSim. A quest\u00e3o de 2014 \u00e9 que n\u00e3o existia esse debate, n\u00e3o foi s\u00f3 na elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o deveria ter existido?<\/strong><br \/>\nO que se via desde 2003 era um problema principalmente cambial e de infla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o esque\u00e7amos que, em maio de 2003, a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses atingiu 17%, e as reservas chegaram ao piso de US$ 15 bilh\u00f5es. Ent\u00e3o, na medida em que estabilizamos a economia, essa frente foi equacionada e o Brasil cresceu naquilo que, na \u00e9poca, chamei muito de \u201cb\u00f4nus da estabilidade\u201d. Cresceu e n\u00e3o enfrentou a quest\u00e3o fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tentou-se estabelecer um limite ao aumento de gastos em 2006, e isso n\u00e3o evoluiu no governo. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o foi poss\u00edvel. O FHC (Fernando Henrique Cardoso) tamb\u00e9m n\u00e3o fez. Tentou e desistiu. Assim como o Lula. A quest\u00e3o fiscal continuou, mas n\u00e3o estava aparente, porque n\u00f3s viemos de um per\u00edodo de crescimento, de 2004 em diante. A crise em 2009 zerou. E, mesmo assim, a m\u00e9dia de crescimento foi quase 4% de 2004 at\u00e9 2010, com 7,5% em 2010. A\u00ed veio aquela sensa\u00e7\u00e3o de euforia, elei\u00e7\u00e3o e tal. A taxa de crescimento estava caindo, mas ainda crescendo at\u00e9 2014, e o desemprego estava muito baixo. O desemprego tem uma defasagem muito grande. A sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar era muito maior. Agora, n\u00e3o: n\u00f3s sa\u00edmos da maior crise da hist\u00f3ria. Em maio de 2016, medido em 12 meses, o PIB (Produto Interno Bruto) tinha ca\u00eddo 5,4%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Minha expectativa \u00e9 de que ganhe um candidato reformista. Um candidato modernizante, que, de fato, proponha a continua\u00e7\u00e3o da agenda de reformas do pa\u00eds, a agenda implantada pelo governo Temer\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como podemos evitar ficar presos neste buraco da crise fiscal?<\/strong><br \/>\nO debate neste ano foi muito voltado para as medidas econ\u00f4micas. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, \u00e0 medida que come\u00e7armos a avan\u00e7ar, cada vez mais o debate vai ter um componente eleitoral importante. Qual ser\u00e1 a pol\u00edtica econ\u00f4mica em 2019, 2020 e 2021? Isso \u00e9 um fato que o Brasil vai ter que enfrentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O mercado aposta no crescimento de um candidato de centro. Como o senhor v\u00ea isso?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 disse que a minha expectativa \u00e9 de que ganhe um candidato reformista. Um candidato modernizante, que, de fato, proponha a continua\u00e7\u00e3o da agenda de reformas do pa\u00eds, a agenda implantada pelo governo Temer. Eu acho que \u00e9 normal que cada vez mais, \u00e0 medida que a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar aumente, a popula\u00e7\u00e3o comece a ter mais a no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o d\u00e1 para voltar atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O senhor acha que esse candidato reformista vai ser um candidato com apoio do governo?<\/strong><br \/>\nIsso vai ser uma decis\u00e3o dos partidos da base. Eu acredito que o governo ter\u00e1 candidatos, sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E o senhor vai ser candidato?<\/strong><br \/>\nPrimeiro, eu preciso decidir se vou ser candidato, no come\u00e7o de abril. \u00c9 quest\u00e3o de prioridade. Acho que o interesse de todos \u00e9 que o Brasil continue a crescer e aumente cada vez mais a cria\u00e7\u00e3o de emprego. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a minha prioridade \u00e9 que eu cumpra a minha miss\u00e3o e deixe o Brasil em uma trajet\u00f3ria de crescimento consolidado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mesmo que n\u00e3o seja presidente, o senhor continuar\u00e1 na pol\u00edtica?<\/strong><br \/>\nVamos aguardar. Vamos ver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como fazer a reforma tribut\u00e1ria?<\/strong><br \/>\nO problema da reforma tribut\u00e1ria \u00e9 o conflito distributivo. Estados, munic\u00edpios e o federal. Tamb\u00e9m existe a quest\u00e3o setorial, que \u00e9 mais complexa. Eu acho que a reforma tribut\u00e1ria \u00e9 vi\u00e1vel agora. Vamos supor que n\u00e3o d\u00ea para fazer. Eu acho que a reforma da Previd\u00eancia vai fazer com que os saldos prim\u00e1rios cres\u00e7am muito. Isso vai dar uma oportunidade hist\u00f3rica de diminuir a carga tribut\u00e1ria, que, no Brasil, independentemente do conflito distributivo, \u00e9 uma das maiores do mundo. Baixando a carga, \u00e9 o momento ideal e f\u00e1cil de fazer uma reforma tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vamos ter de esperar baixar a carga tribut\u00e1ria para fazer essa reforma?<\/strong><br \/>\nEu acho que d\u00e1 para fazer agora. Se, por ventura, n\u00e3o fizer, ser\u00e1 inevit\u00e1vel e muito mais f\u00e1cil fazer \u00e0 frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Chamei aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 de l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o: \u00e9 melhor voc\u00eas torcerem pela reforma da Previd\u00eancia, porque se voc\u00eas ganharem a elei\u00e7\u00e3o, tendo feito a reforma, o pa\u00eds vai estar com uma governabilidade muito melhor\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas depende da reforma da Previd\u00eancia?<\/strong><br \/>\nA reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. Ela ser\u00e1 feita como foi feita na Argentina, na Alemanha. Estamos discutindo quando. Se vai ser em fevereiro, em 2019. Se n\u00e3o for em 2019, vai para 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal que suspende o aumento da al\u00edquota previdenci\u00e1rios servidores e o adiamento dos reajustes n\u00e3o s\u00e3o um rev\u00e9s do governo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Isso faz parte da democracia. Talvez tenhamos que pensar em medidas alternativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O teto para o aumento de gastos n\u00e3o ficar\u00e1 comprometido?<\/strong><br \/>\nO teto ser\u00e1 cumprido em 2017. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Ou por essa medida ou por outras. Sempre tem o expediente de novo contingenciamento, que n\u00e3o \u00e9 bom. Vamos tentar n\u00e3o tomar medidas para isso. O teto inclui medidas autocorretivas, que s\u00e3o fortes. Caso seja extrapolado, h\u00e1 congelamento de sal\u00e1rio, proibi\u00e7\u00e3o de criar cargo mesmo com vac\u00e2ncia, veto a novos subs\u00eddios. Est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 uma possibilidade isso acontecer em 2018?<\/strong><br \/>\nIsso n\u00e3o vai acontecer em 2018. O reajuste \u00e9 uma das quest\u00f5es. A reonera\u00e7\u00e3o pode ser aprovada no in\u00edcio do ano. Mas o fundo n\u00e3o afeta a quest\u00e3o do teto. A despesa que tem que ser controlada mesmo. \u00c9 uma medida que n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ministro, olhando um pouco para 2019, muitos economistas dizem que tudo que \u00e9 ruim para a \u00e1rea fiscal vai estourar, como o teto e a regra de ouro (que impede envidamento para despesas de custeio). A d\u00edvida pode passar de 80% do PIB. Como o senhor v\u00ea 2019?<\/strong><\/p>\n<p>Isso demanda a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, que ocorrer\u00e1 no governo Temer, n\u00e3o tenho d\u00favidas sobre isso. A quest\u00e3o da regra de ouro \u00e9 um outro desafio. Tamb\u00e9m temos que enfrentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O descumprimento pode gerar um impeachment?<\/strong><br \/>\nSim, pode gerar. Tem que tomar as medidas necess\u00e1rias para que isso n\u00e3o ocorra. E n\u00f3s estamos tomando. Exatamente para assegurar que n\u00e3o teremos essa situa\u00e7\u00e3o de problema grave h\u00e1 regras: a Lei da Responsabilidade Fiscal, a regra de ouro e o teto. Existem para prevenir problemas graves. Acho isso positivo, muito bom.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O problema estourou antes nos estados, certo?<\/strong><br \/>\nSim, houve problemas graves e tiveram que fazer ajustes. O Rio de Janeiro completou o plano e j\u00e1 recebeu a primeira parcela do empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds que entre os emergentes tem maior carga tribut\u00e1ria? Por que aqui as coisas s\u00e3o t\u00e3o mais dif\u00edceis em v\u00e1rios aspectos?<\/strong><br \/>\nEu acho que n\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que os problemas n\u00e3o s\u00e3o percebidos?<\/strong><br \/>\nUm problema importante \u00e9 o crescimento das despesas p\u00fablicas nos \u00faltimos 25 anos. S\u00e3o basicamente despesas constitucionais e a Previd\u00eancia. Ent\u00e3o o xis da quest\u00e3o \u00e9 a Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Constitui\u00e7\u00e3o vai fazer 30 anos em 2018. Ela cont\u00e9m muitos erros?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, a Constitui\u00e7\u00e3o foi uma conquista hist\u00f3rica do povo brasileiro. Consolidou livre opini\u00e3o, liberdade da m\u00eddia, ent\u00e3o voc\u00eas podem escrever livremente, o que \u00e9 \u00f3timo. Estabelece a independ\u00eancia do Judici\u00e1rio, do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Tudo isso \u00e9 coisa importante. Consolida as garantias individuais, democracia, elei\u00e7\u00e3o a cada quatro anos para prefeito, vereador e todo mundo. Judici\u00e1rio funcionando forte, como vemos agora, independente, firme. Tudo isso s\u00e3o conquistas hist\u00f3ricas da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Agora, \u00e9 uma Constitui\u00e7\u00e3o que previu de fato um momento de, digamos, livre benef\u00edcio previdenci\u00e1rio. Com o aumento da idade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 bom porque significa um longo par\u00e2metro de vida, gerou, ao longo do tempo, uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os sal\u00e1rios de uma parcela dos servidores p\u00fablicos brasileiros s\u00e3o altos em compara\u00e7\u00e3o com outras na\u00e7\u00f5es, at\u00e9 com pa\u00edses desenvolvidos. Como que o senhor v\u00ea isso?<\/strong><br \/>\nParte disso n\u00e3o \u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 parte do trabalho democr\u00e1tico, e isso \u00e9 um assunto que est\u00e1 cada vez mais em discuss\u00e3o, em pauta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A estabilidade, estabelecida na Constitui\u00e7\u00e3o, deveria abarcar tantas carreiras?<\/strong><br \/>\nEstabilidade em si tem uma base importante: diminuir a influ\u00eancia pol\u00edtica e n\u00e3o criar uma rotatividade excessiva a cada mudan\u00e7a de governo. A estabilidade na Secretaria do Tesouro Nacional, na Receita Federal, na Procuradoria da Fazenda Nacional \u00e9 muito importante para o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es do governo. O fato de eles n\u00e3o estarem preocupados l\u00e1 em quem vai ser o novo secret\u00e1rio, quem ser\u00e1 o novo ministro, se pode ser demitido, \u00e9 importante. Temos que enfrentar essas quest\u00f5es. A discuss\u00e3o necess\u00e1ria, muitas vezes, \u00e9 pontual, na \u00e9poca de discutir aumento de sal\u00e1rio. Tudo isso come\u00e7a a fazer parte do debate.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fiscais costumam ter estabilidade em v\u00e1rios pa\u00edses, mas n\u00e3o professores universit\u00e1rios de forma ampla. Como o senhor avalia isso?<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 um debate mais abrangente. Eu acho, falando em educa\u00e7\u00e3o, que n\u00f3s precisamos de fato come\u00e7ar a observar uma s\u00e9rie de coisas no desempenho. O Brasil, sem d\u00favidas, melhorou o n\u00edvel da educa\u00e7\u00e3o, a escolaridade, isto \u00e9, o n\u00famero de alunos na escola e o n\u00famero de anos que cada estudante passa na escola, mas a qualidade, n\u00e3o, continua baixa. Ficou estagnada ou caiu um pouquinho segundo o relat\u00f3rio do Pisa (programa internacional de avalia\u00e7\u00e3o, na sigla em ingl\u00eas). \u00c9 preciso mudar alguns crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o e de cobran\u00e7a de desempenho. Essa quest\u00e3o de aprova\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, por exemplo, \u00e9 ruim. Pa\u00edses que passaram por uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o e na taxa de crescimento, por exemplo, a Coreia do Sul, t\u00eam cobran\u00e7a do desempenho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O senhor acha que seria o caso de cobrar a mensalidade em universidade p\u00fablica, como sugere o Banco Mundial?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma outra discuss\u00e3o. H\u00e1 vantagens e desvantagens. Tem que ver como faz para quem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de pagar. Eu acho que, havendo condi\u00e7\u00f5es, sim. Agora, o problema, de novo, \u00e9 que \u00e9 uma quest\u00e3o muito mais abrangente e complicada. O que eu quero dizer \u00e9 o seguinte: temos que discutir as coisas por etapas, se n\u00e3o a gente se perde e n\u00e3o vai a lugar nenhum. N\u00f3s precisamos aprovar a Previd\u00eancia, em primeiro lugar. A reforma no Ensino M\u00e9dio j\u00e1 foi feita. Ent\u00e3o, vamos com calma, porque a\u00ed o pa\u00eds avan\u00e7a. Se n\u00e3o a gente fica querendo resolver tudo sem resolver nada, e a\u00ed n\u00e3o d\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando \u00e9 que o investimento vai crescer de forma consistente no Brasil, puxando o PIB?<\/strong><br \/>\nA janela da poupan\u00e7a do setor privado \u00e9 muito maior do que a do setor p\u00fablico. Com o teto e a Previd\u00eancia, haver\u00e1, a longo prazo, uma sobra de 10% do PIB pela redu\u00e7\u00e3o da despesa do montante federal. Isso trar\u00e1 impacto direto na taxa de investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O investimento iria de 15% do PIB para 25%?<\/strong><br \/>\nVamos supor que o ganho seja metade disso, que v\u00e1 para 20%. Al\u00e9m do mais, tem a quest\u00e3o toda da produtividade. Estamos falando de capital, n\u00famero de pessoas e produtividade da m\u00e3o de obra. Na produtividade, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator, certamente. Criamos agora uma secretaria no Minist\u00e9rio da Fazenda que s\u00f3 trabalha com isso, produtividade, e estamos trabalhando fortemente nesta dire\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 o seguinte: se olharmos a taxa m\u00e9dia de crescimento do Brasil, do potencial, nos \u00faltimos 12 anos ,foi de 2,5%. A secretaria acredita que nosso potencial pode estar um pouquinho abaixo disso. Vamos supor que seja 2,3%, na pior hip\u00f3tese. A expectativa \u00e9 de que essa diferen\u00e7a de 10% de PIB pode gerar 0,7 de crescimento potencial, de 2,3% para 3%. Todas as reformas microecon\u00f4micos, inclusive a trabalhista, podem dar mais 0,7 ponto. Ent\u00e3o, estamos falando de 3,7% de crescimento potencial. Vamos nessa dire\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 13h15min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULO SILVA PINTO, ROSANA HESSEL E HAMILTON FERRARI O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem planos de longo prazo para o pa\u00eds. Qualquer pessoa do mundo pol\u00edtico diria que \u00e9 porque ele pretende se instalar no terceiro andar do Pal\u00e1cio Planalto. 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