{"id":6768,"date":"2017-12-21T06:12:50","date_gmt":"2017-12-21T08:12:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6768"},"modified":"2017-12-21T11:25:16","modified_gmt":"2017-12-21T13:25:16","slug":"correio-economico-falta-de-bom-senso-do-judiciario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-falta-de-bom-senso-do-judiciario\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: A falta de bom senso do Judici\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<h2>Os alertas s\u00e3o claros: sem a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, o Brasil, que retomou, ainda que lentamente, o crescimento, poder\u00e1 enfrentar uma nova crise econ\u00f4mica. H\u00e1, segundo a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, a possibilidade real de o pa\u00eds dar calote na d\u00edvida p\u00fablica. Pelos c\u00e1lculos do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, com as mudan\u00e7as no sistema de aposentadorias, o endividamento do governo se estabilizar\u00e1 em 81,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021. N\u00e3o havendo o apoio para os ajustes no regime previdenci\u00e1rio, a rela\u00e7\u00e3o entre a d\u00edvida e o PIB saltar\u00e1 de 74,4%, em 2017, para 101,3% em quatro anos. Na avalia\u00e7\u00e3o do economista-chefe do Banco UBS, Tony Volpon, n\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds emergente que consiga se manter de p\u00e9 com endividamento t\u00e3o elevado.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 impressionante que, mesmo com todos os indicadores apontando para uma situa\u00e7\u00e3o de caos nas contas p\u00fablicas sem a reforma da Previd\u00eancia, o Judici\u00e1rio se comporte como se o governo estivesse com sobras maci\u00e7as de dinheiro. A decis\u00e3o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, de suspender o adiamento dos reajustes dos servidores e de impedir o aumento da al\u00edquota previdenci\u00e1ria, de 11% para 14%, daqueles que ganham mais de R$ 5,5 mil explicita o corporativismo nefasto que reina nos tribunais. Tamb\u00e9m \u00e9 inaceit\u00e1vel ver a procuradora-geral da Rep\u00fablica, Raquel Dodge, acionar a Justi\u00e7a para proibir as propagandas oficiais sobre a reforma da Previd\u00eancia, que atacam, justamente, os privil\u00e9gios que ela e os demais funcion\u00e1rios p\u00fablicos desfrutam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Num momento decisivo para o pa\u00eds, que est\u00e1 saindo de uma das piores recess\u00f5es da hist\u00f3ria, com infla\u00e7\u00e3o e juros em baixa, seria de bom tom que ju\u00edzes, desembargadores, ministros de tribunais e procuradores da Rep\u00fablica dessem forte contribui\u00e7\u00e3o para que a economia consolidasse um longo per\u00edodo de crescimento sustentado. Mas para que esse gesto de grandeza quando 71% dos magistrados dos Tribunais de Justi\u00e7a (TJs) ganham acima do teto constitucional de R$ 33,7 mil? Dados coletados pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) apontam que, dos mais de 16 mil ju\u00edzes e desembargadores, 11,6 mil recebem, em m\u00e9dia, R$ 42,5 mil por m\u00eas. Isso, num pa\u00eds em que o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 de R$ 937.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desigualdades sociais<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao manter essa postura corporativista, o Judici\u00e1rio e o Minist\u00e9rio P\u00fablico s\u00f3 agravam as desigualdades sociais que afligem o pa\u00eds. Quanto menor for o crescimento econ\u00f4mico, menor ser\u00e1 a chance de as classes menos privilegiadas ascenderem socialmente. A recente recess\u00e3o, que destruiu quase 8% das riquezas acumuladas, empurrou pelo menos 4 milh\u00f5es de brasileiros para a pobreza. Segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina (Cepal), o Brasil foi determinante para que os n\u00edveis de pobreza e de extrema pobreza aumentassem na regi\u00e3o em 2016, depois de mais de uma d\u00e9cada de redu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 m\u00e1gica. \u00c9 o crescimento sustentado da economia, com infla\u00e7\u00e3o sob controle, o grande motor da distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, se inviabilizarem o ajuste fiscal e abrirem nova crise na economia, o Judici\u00e1rio e o MP ter\u00e3o de assumir a responsabilidade de jogar o pa\u00eds novamente no atoleiro. Para Zeina Latif, o ano de 2018, com avan\u00e7o de 3%, j\u00e1 est\u00e1 praticamente dado, mas, quando 2019 chegar, uma avalanche de problemas poder\u00e1 abortar a retomada. Na opini\u00e3o de Tony Volpon, a urg\u00eancia para a solu\u00e7\u00e3o do desequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas vai aumentar \u00e0 medida que o quadro positivo do mercado externo come\u00e7ar a se reverter. \u201cA janela de oportunidade que o Brasil tem para resolver seus problemas \u00e9 pequena e, se n\u00e3o for aproveitada, voltaremos a conviver com um clima hostil que dominou 2015\u201d, avisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h12min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os alertas s\u00e3o claros: sem a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, o Brasil, que retomou, ainda que lentamente, o crescimento, poder\u00e1 enfrentar uma nova crise econ\u00f4mica. H\u00e1, segundo a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, a possibilidade real de o pa\u00eds dar calote na d\u00edvida p\u00fablica. 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