{"id":6673,"date":"2017-12-09T06:21:44","date_gmt":"2017-12-09T08:21:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6673"},"modified":"2017-12-09T11:35:35","modified_gmt":"2017-12-09T13:35:35","slug":"correio-economico-o-saldo-da-confianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-o-saldo-da-confianca\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: O saldo da confian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h2>Mesmo que o Congresso n\u00e3o aprove a reforma da Previd\u00eancia, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 problema em 2018. Por maior que seja o estresse, uma poss\u00edvel derrota do governo j\u00e1 foi, em parte, absorvida pelo mercado. E isso est\u00e1 claro nos atuais pre\u00e7os do d\u00f3lar e na pontua\u00e7\u00e3o do Ibovespa, o principal \u00edndice de lucratividade da Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo. Pelos c\u00e1lculos do economista-chefe da Quantitas Gestora de Recursos, Ivo Chermont, num quadro de normalidade, com a reforma aprovada, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrar\u00e1 o pr\u00f3ximo ano em 3,8%. Sem as mudan\u00e7as no regime de aposentadoria, ainda que o d\u00f3lar suba para R$ 3,60, o custo de vida ficar\u00e1 em 4,3%, uma taxa confort\u00e1vel.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chermont ressalta que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o comportada que os rumos da reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o ser\u00e3o determinantes para a decis\u00e3o do Banco Central de continuar cortando os juros. A taxa b\u00e1sica (Selic), que est\u00e1 em 7%, o menor n\u00edvel da hist\u00f3ria, recuar\u00e1 para 6,75% em fevereiro, na primeira reuni\u00e3o de 2018 do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), mantendo-se nesse n\u00edvel at\u00e9 o fim do ano. Os mais otimistas acreditam que a Selic cair\u00e1 um pouco mais, para 6,50%, pois, no primeiro trimestre, o IPCA ser\u00e1 muito baixo. Nem mesmo os custos com educa\u00e7\u00e3o ser\u00e3o capazes de tirar o \u00edndice da rota.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Ainda que a reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o seja aprovada, a infla\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 sob controle em 2018. Na opini\u00e3o de especialistas, pre\u00e7os dos alimentos ser\u00e3o determinantes para manter o IPCA abaixo de 4%&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Tha\u00eds Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados, apesar de n\u00e3o repetir o recorde de 2017, a safra agr\u00edcola continuar\u00e1 mantendo a infla\u00e7\u00e3o em n\u00edveis bem comportados. Pelos c\u00e1lculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), os pre\u00e7os dos alimentos registraram queda m\u00e9dia de 2,4% entre janeiro e novembro, o maior recuo no per\u00edodo desde a edi\u00e7\u00e3o do Plano Real, em 1994. \u201cNas nossas contas, a infla\u00e7\u00e3o de 2018 ser\u00e1 de 3,8%. Dificilmente, haver\u00e1 press\u00e3o dos alimentos sobre o IPCA\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tha\u00eds ressalta ainda que, como o custo de vida deste ano ser\u00e1 muito baixo \u2014 ela estima alta de apenas 2,8%, abaixo do piso da meta perseguida pelo Banco Central, de 3% \u2014, o carregamento, ou in\u00e9rcia, como falam os economistas, para 2018 ser\u00e1 muito pequeno. Uma folga e tanto para a pol\u00edtica monet\u00e1ria. \u201cOs contratos reajustados pela infla\u00e7\u00e3o passada ter\u00e3o aumento muito pequeno. N\u00e3o v\u00e3o pressionar o IPCA\u201d, acrescenta. \u201cTamb\u00e9m n\u00e3o vejo o d\u00f3lar impactando a infla\u00e7\u00e3o para cima. Na verdade, se a moeda americana interferir, ser\u00e1 favoravelmente caso a reforma da Previd\u00eancia seja aprovada\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ajuda aos mais pobres<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto Tha\u00eds quanto Chermont destacam que os benef\u00edcios da infla\u00e7\u00e3o baixa para a retomada do crescimento econ\u00f4mico s\u00e3o inquestion\u00e1veis. Com os pre\u00e7os mais baixos, especialmente dos alimentos, as fam\u00edlias retomaram o poder de compra. N\u00e3o por acaso, o consumo dos lares foi o respons\u00e1vel pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) por tr\u00eas trimestres seguidos, o mais longo ciclo de expans\u00e3o da atividade desde 2012. \u201cA infla\u00e7\u00e3o sob controle favorece, sobretudo, os mais pobres. E isso se torna mais evidente quando os alimentos ficam mais baratos\u201d, afirma a economista da Rosenberg.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o sob controle \u00e9 um ativo do qual o pa\u00eds nunca deve abrir m\u00e3o. Quanto menor for o IPCA, melhor, pois o Banco Central pode manter os juros baixos por um longo per\u00edodo. Ao terem a confian\u00e7a de que nem a infla\u00e7\u00e3o e nem os juros sair\u00e3o em disparada, as fam\u00edlias podem planejar seus or\u00e7amentos e assumir compromissos que caibam no bolso. Da mesma forma, as empresas podem tomar empr\u00e9stimos para ampliar a produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ter\u00e3o a certeza da venda de seus produtos. Consumo e produ\u00e7\u00e3o movimentam a m\u00e1quina, estimulam a cria\u00e7\u00e3o de empregos e permitem uma melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pena que nem todos os governantes tenham a convic\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da estabilidade econ\u00f4mica. Isso ficou muito claro no governo de Dilma Rousseff, que partiu para experimentalismos. Com a nova matriz econ\u00f4mica, ela trouxe de volta a infla\u00e7\u00e3o, o desemprego e a recess\u00e3o. N\u00e3o faltaram avisos \u00e0 petista, mas a soberba prevaleceu, resultando em uma fatura que levar\u00e1 anos para ser quitada. Que o mau exemplo dado por Dilma sirva de li\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds n\u00e3o pode errar de novo ao eleger, em 2018, um pol\u00edtico populista, que prega sa\u00edda f\u00e1ceis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h21min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo que o Congresso n\u00e3o aprove a reforma da Previd\u00eancia, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 problema em 2018. Por maior que seja o estresse, uma poss\u00edvel derrota do governo j\u00e1 foi, em parte, absorvida pelo mercado. 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