{"id":6667,"date":"2017-12-08T09:42:50","date_gmt":"2017-12-08T11:42:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6667"},"modified":"2017-12-08T10:50:22","modified_gmt":"2017-12-08T12:50:22","slug":"correio-economico-o-psdb-esta-caindo-de-podre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-o-psdb-esta-caindo-de-podre\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: O PSDB est\u00e1 caindo de podre"},"content":{"rendered":"<h2>O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, diz que o Brasil dever\u00e1 registrar um longo ciclo de crescimento, que pode durar 12 anos, mas tal previs\u00e3o pode se frustrar se o Congresso n\u00e3o aprovar a reforma da Previd\u00eancia. A maior parte dos analistas admite que o avan\u00e7o do Produto Interno Bruto (PIB) de pelo menos 2,5% em 2018 est\u00e1 contratado, mesmo sem o aval do Congresso para as mudan\u00e7as no sistema de aposentadorias. Mas, a partir de 2019, o ritmo de incremento da economia ser\u00e1 p\u00edfio, girando em torno de 1% ao ano, insuficiente para gerar empregos e reduzir a desigualdade que separa ricos e pobres.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muito da poss\u00edvel frustra\u00e7\u00e3o vir\u00e1 do PSDB, partido que ser\u00e1 destro\u00e7ado se n\u00e3o encampar a reforma da Previd\u00eancia. A legenda, ao lado do PT, foi a que mais teve a imagem arranhada pelas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o que assombraram o pa\u00eds. Justamente por estar em baixa, esperava-se que o partido tivesse, neste momento, um gesto de grandeza, at\u00e9 por quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Mas os tucanos parecem estar dispostos a jogarem uma p\u00e1 de cal em sua hist\u00f3ria de comprometimento com avan\u00e7os importantes para a estabiliza\u00e7\u00e3o da economia. Se a reforma da Previd\u00eancia fracassar, o PSDB ser\u00e1 o maior culpado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O momento para se aprovar a reforma \u00e9 agora. H\u00e1, a favor do Brasil, um mundo crescendo de forma consistente, com infla\u00e7\u00e3o e juros em baixa. Com as mudan\u00e7as no regime previdenci\u00e1rio, o pa\u00eds poder\u00e1 desatar o grande n\u00f3 fiscal que torna a economia muito vulner\u00e1vel aos humores do mercado. Assim, mesmo que os ventos externos possam soprar contra, haver\u00e1 mais seguran\u00e7a por parte dos investidores de que o Brasil conseguir\u00e1 honrar seus compromissos em dia. Pelos c\u00e1lculos do ministro do Planejamento, com a reforma, a d\u00edvida p\u00fablica, que est\u00e1 hoje em 75% do PIB, se estabilizar\u00e1 em torno dos 80% at\u00e9 2021. Sem o ajuste nas aposentadorias, essa rela\u00e7\u00e3o atingir\u00e1 100% do PIB. O pa\u00eds estar\u00e1 muito perto de um calote.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem sa\u00edda<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Consultor de macroeconomia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), Carlos Thadeu Filho diz que o Brasil n\u00e3o pode prescindir da reforma. Nos cen\u00e1rios desenhados para o pa\u00eds, supondo o aval do Congresso \u00e0s mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio, teremos o mais longo ciclo de infla\u00e7\u00e3o baixa em pelo menos duas d\u00e9cadas. A perspectiva \u00e9 de que a m\u00e9dia do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como refer\u00eancia para o sistema de metas, gire em torno de 4% ao ano at\u00e9 pelo menos 2021. Os juros tendem a se situar em patamares entre 7% e 8%, indicado que o processo de rearruma\u00e7\u00e3o da economia, depois de uma das piores recess\u00f5es da hist\u00f3ria, se consolidou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para 2018, especificamente, Thadeu Filho aposta em crescimento econ\u00f4mico de 2,8%, juros entre 6,50% e 6,75% e infla\u00e7\u00e3o de 3,8%. \u00c9 um quadro impens\u00e1vel at\u00e9 bem pouco tempo, sobretudo se levarmos em conta as indefini\u00e7\u00f5es das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Portanto, \u00e9 importante que os pol\u00edticos n\u00e3o turvem esse horizonte. Jogar o pa\u00eds de novo na recess\u00e3o ou num voo de galinha seria um crime, n\u00e3o apenas burrice. Os sinais j\u00e1 emitidos pelos investidores, ante a inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o das reformas, mostram que os donos do dinheiro n\u00e3o est\u00e3o dispostos a aceitar uma eventual derrota do governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista lembra que a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 importante para sustentar o crescimento al\u00e9m de 2019. Os investimentos produtivos voltariam com tudo no pr\u00f3ximo ano e passariam a dar frutos nos per\u00edodos subsequentes. Hoje, a retomada da atividade est\u00e1 se dando por meio do consumo. Mas esse tipo de expans\u00e3o da economia tem limites. Sem oferta adequada de produtos e servi\u00e7os, a infla\u00e7\u00e3o volta, os juros sobem, a produ\u00e7\u00e3o para, o desemprego dispara. Esse filme de terror n\u00f3s j\u00e1 vimos nos \u00faltimos anos e seus fantasmas continuam nos assombrando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ju\u00edzo \u00e9 importante<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nPara o consultor da FGV, \u00e9 importante deixar claro que a reforma da Previd\u00eancia vir\u00e1 por bem ou por mal. Nos pa\u00edses em que as mudan\u00e7as no regime de aposentadoria demoraram para receber o aval do Legislativo, houve perdas de diretos dos trabalhadores. Por aqui, ressalta o ministro do Planejamento, o que se est\u00e1 propondo s\u00e3o ajustes m\u00ednimos e a longo prazo. Ele diz que a idade m\u00ednima de 65 para homens e de 62 anos para mulheres s\u00f3 passar\u00e1 a valer daqui a 20 anos. Em 2018, por exemplo, ser\u00e1 de 55 e 53, respectivamente. Mais: 64% dos trabalhadores j\u00e1 se aposentam por idade recebendo um sal\u00e1rio m\u00ednimo. A reforma s\u00f3 pegar\u00e1 quem ganha mais e se aposenta por tempo de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos dias ser\u00e3o cruciais para o pa\u00eds decidir se vira o disco das reformas. O governo fala, agora, em 18 de dezembro para a vota\u00e7\u00e3o em primeiro turno na C\u00e2mara. Apesar das dificuldades enfrentadas em partidos da base, como o PSD e o PR, o presidente Michel Temer acredita que ser\u00e1 capaz de reunir os 308 votos necess\u00e1rios. As negocia\u00e7\u00f5es est\u00e3o correndo a todo vapor. O que n\u00e3o pode \u00e9 o governo meter os p\u00e9s pelas m\u00e3os, ao fazer concess\u00f5es al\u00e9m da conta, e abrir um rombo maior nas contas p\u00fablicas para sair vitorioso. Sabe-se que, quanto mais demorar a vota\u00e7\u00e3o do projeto de mudan\u00e7a nas aposentadorias, mais o fisiologismo do Congresso se dar\u00e1 bem. Manter o ju\u00edzo neste momento \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 09h42min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, diz que o Brasil dever\u00e1 registrar um longo ciclo de crescimento, que pode durar 12 anos, mas tal previs\u00e3o pode se frustrar se o Congresso n\u00e3o aprovar a reforma da Previd\u00eancia. 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