{"id":6661,"date":"2017-12-07T06:38:52","date_gmt":"2017-12-07T08:38:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6661"},"modified":"2017-12-07T16:44:22","modified_gmt":"2017-12-07T18:44:22","slug":"correio-economico-sera-que-agora-vai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-sera-que-agora-vai\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Ser\u00e1 que agora vai?"},"content":{"rendered":"<h2>Em meio \u00e0s intensas negocia\u00e7\u00f5es do governo para garantir o apoio \u00e0 reforma da Previd\u00eancia Social, o Banco Central engrossou o discurso do presidente Michel Temer de que o momento \u00e9 de consolidar as conquistas na economia. Com a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses abaixo de 3%, o piso da meta definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), a institui\u00e7\u00e3o reduziu a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) para 7% ao ano, o menor n\u00edvel da hist\u00f3ria, e a perspectiva dos especialistas \u00e9 de que o indicador cair\u00e1 at\u00e9 6,5% nas pr\u00f3ximas duas reuni\u00f5es do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) em 2018.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Temer, os partidos da base aliada precisam entender que seu projeto de governo est\u00e1 dando certo. Mas, para continuar al\u00e9m de 2019, necessita ter a seguran\u00e7a proporcionada pela reforma da Previd\u00eancia. Se o Congresso der o aval \u00e0s mudan\u00e7as no sistema de aposentadorias, alega o presidente, os investimentos produtivos v\u00e3o voltar e o pa\u00eds conseguir\u00e1 reduzir o desemprego dos atuais 12% para algo entre 8% e 9% ainda no primeiro semestre do pr\u00f3ximo ano. A reforma, acrescenta Temer, permitir\u00e1 ao BC manter os juros baixos por um longo per\u00edodo, pois ter\u00e1 a garantia de que as contas p\u00fablicas ser\u00e3o saneadas e de que o risco de o Brasil dar calote ser\u00e1 afastado de vez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer explicou todos esses argumentos no almo\u00e7o que teve no domingo com presidentes dos partidos que apoiam o governo. Foi expl\u00edcito: num quadro de normalidade, unidas, as legendas que lhe d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de eleger pelo menos 300 deputados nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Com esse contingente, ser\u00e1 maioria na C\u00e2mara, podendo usufruir dos projetos que a m\u00e1quina p\u00fablica tocar\u00e1, j\u00e1 que, com a economia trazida pela reforma, retomar\u00e1 a capacidade de investimentos. Sem a reforma, o pa\u00eds vai desandar, a oposi\u00e7\u00e3o ganhar\u00e1 musculatura e boa parte dos atuais parlamentares n\u00e3o se reeleger\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dos partidos da base, reconhece o Planalto, os dois que ainda provocam apreens\u00e3o s\u00e3o o PSD, do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, porque um dos l\u00edderes da legenda \u00e9 casado com uma procuradora que \u00e9 totalmente contr\u00e1ria \u00e0 reforma, e o PR, que cobra muito mais espa\u00e7o no governo. De nada, por\u00e9m, adiantar\u00e1 a uni\u00e3o dos partidos se o PSDB ficar de fora do acordo pr\u00f3-mudan\u00e7as no regime previdenci\u00e1rio. O Planalto precisa de, no m\u00ednimo, 35 votos favor\u00e1veis dos tucanos. \u201cTemos dito que a continuidade do projeto que est\u00e1 dando certo passa pela reforma da Previd\u00eancia. Ent\u00e3o, temos que nos unir para preserv\u00e1-lo. N\u00e3o podemos entreg\u00e1-lo de m\u00e3o beijada para a oposi\u00e7\u00e3o\u201d, diz um integrante do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Privil\u00e9gios<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do ponto de vista econ\u00f4mico, o governo tem sido muito ajudado pelas \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es do campo. A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola recorde fez a infla\u00e7\u00e3o, que encostou nos 11% em 2015, desabar. Estima-se que os pre\u00e7os dos alimentos tenham tido a maior queda em quase 40 anos. O recuo da infla\u00e7\u00e3o permitiu um acr\u00e9scimo de quase R$ 8 bilh\u00f5es na renda das fam\u00edlias. Se esse ganho for somado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos juros e \u00e0s libera\u00e7\u00f5es das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) e do PIS e do Pasep, o refor\u00e7o no caixa dos lares passar\u00e1 de R$ 150 bilh\u00f5es at\u00e9 o fim de 2018. O governo tem plena convic\u00e7\u00e3o de que essa bolada ajudar\u00e1 a difundir a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar na popula\u00e7\u00e3o, em especial, na mais pobre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Planalto, inclusive, acredita que as conquistas, mesmo que lentas, da economia j\u00e1 est\u00e3o ajudando a derrubar a percep\u00e7\u00e3o negativa que as pessoas t\u00eam da reforma da Previd\u00eancia. Tamb\u00e9m est\u00e1 contribuindo para a redu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 propaganda maci\u00e7a contra os privil\u00e9gios dos servidores p\u00fablicos. O governo conseguiu abrir um buraco no discurso do funcionalismo contra a reforma. Mostrou que a gritaria contr\u00e1ria \u00e0s mudan\u00e7as est\u00e1 apenas querendo manter regalias que a grande maioria dos trabalhadores n\u00e3o tem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo ainda n\u00e3o quer cantar vit\u00f3ria. Mas, pelos corredores do Planalto, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a aprova\u00e7\u00e3o da reforma ficou bem mais perto. Bom para os candidatos \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de 2018, que estar\u00e3o livres desse desgastante debate ao longo da campanha. Bom, sobretudo, para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h38min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0s intensas negocia\u00e7\u00f5es do governo para garantir o apoio \u00e0 reforma da Previd\u00eancia Social, o Banco Central engrossou o discurso do presidente Michel Temer de que o momento \u00e9 de consolidar as conquistas na economia. 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