{"id":6649,"date":"2017-12-06T06:54:03","date_gmt":"2017-12-06T08:54:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6649"},"modified":"2017-12-06T11:55:59","modified_gmt":"2017-12-06T13:55:59","slug":"correio-economico-juros-em-queda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-juros-em-queda\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Juros em queda"},"content":{"rendered":"<h2>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) se reunir\u00e1 hoje pela \u00faltima vez no ano e reduzir\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 7% ao ano. Esse ser\u00e1 o menor patamar da hist\u00f3ria. No mercado, a expectativa de boa parte dos analistas \u00e9 de que o Banco Central (BC) cortar\u00e1 a Selic mais uma vez em fevereiro, no encontro do colegiado marcado para os dias 6 e 7. Apesar da euforia, os sinais de Ilan Goldfajn s\u00e3o cautelosos.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que 2018 n\u00e3o deve ser um ano de fortes press\u00f5es inflacion\u00e1rias, diante do alto n\u00edvel de desemprego, que n\u00e3o pressiona os pre\u00e7os, e da recupera\u00e7\u00e3o a passos lentos da economia. Essa combina\u00e7\u00e3o favorece o processo de redu\u00e7\u00e3o de juros, mas n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos pontos que devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o pelo BC na hora da decis\u00e3o. O pr\u00f3ximo ano promete ser de grande volatilidade para os mercados. Assim como em 2014, os rumos da elei\u00e7\u00e3o presidencial ter\u00e3o efeito nos pre\u00e7os dos ativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A possibilidade de vit\u00f3ria do ex-presidente Luiz In\u00e1cio da Silva pode levar o d\u00f3lar, por exemplo, a patamares semelhantes aos de 2002, acima de R$ 4. Uma vit\u00f3ria petista jogaria por terra a possibilidade de reforma da Previd\u00eancia, extremante criticada pelo petista. Al\u00e9m da volatilidade em ano eleitoral, as chances de aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia e da continuidade de uma agenda para melhorar o ambiente de neg\u00f3cios do pa\u00eds estar\u00e3o nessa conta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Evid\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Engana-se quem cr\u00ea que press\u00f5es externas n\u00e3o podem se materializar ao longo de 2018. O alerta \u00e9 da economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour. Em entrevista recente ao <strong>Correio<\/strong>, ela explicou que a forte recupera\u00e7\u00e3o da economia dos Estados Unidos, com a taxa de desemprego comportada e dados de atividade surpreendendo positivamente, pode pressionar os \u00edndices de pre\u00e7os da maior economia do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Solange explica que o risco \u00e9 de que o Federal Reserve (Fed) esteja atr\u00e1s da curva de juros, o que evidenciaria a necessidade de aumentar a taxa mais r\u00e1pido do que o esperado anteriormente. \u201cA infla\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos deve voltar em algum momento e, se houver alguma surpresa, o Fed ter\u00e1 de tomar medidas para evitar que a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os seja superior a sua meta. Esse risco existe\u201d, destacou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro risco pouco analisado tamb\u00e9m vem dos Estados Unidos e est\u00e1 ligado \u00e0 possibilidade de a maior economia do planeta entrar em conflito armado com pa\u00edses isl\u00e2micos ou contra Coreia do Norte. O clima de tens\u00e3o entre as duas na\u00e7\u00f5es permanece alto. O mercado n\u00e3o sabe precificar poss\u00edveis efeitos econ\u00f4micos causados por guerras. Entretanto, a hist\u00f3ria mostra uma fuga para portos seguros, o que afetaria a economia brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Riscos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como avaliaram diversos analistas, a equipe de Ilan Goldfajn conquistou credibilidade por ancorar expectativas, por peitar as press\u00f5es pol\u00edticas e empresariais pela antecipa\u00e7\u00e3o do ciclo de cortes de juros e por ser extremante transparente. N\u00e3o me parece que o presidente do BC e sua equipe pretendem ser ousados. Sempre foram extremamente cautelosos e cuidadosos, e os riscos de serem obrigados a subir os juros em 2018 n\u00e3o s\u00e3o desprez\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 claro que todo esse cen\u00e1rio mudar\u00e1 caso a reforma da Previd\u00eancia seja aprovada. O presidente Michel Temer tem se esfor\u00e7ado ao m\u00e1ximo para encerrar seu mandato com chave de ouro. Sabe que entrar\u00e1 para a hist\u00f3ria como um chefe de Estado reformista caso consiga aprovar as mudan\u00e7as nas regras para concess\u00e3o de benef\u00edcios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es t\u00eam sido intensas e, mesmo com a materializa\u00e7\u00e3o de parte desses riscos, a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia garantiria ao pa\u00eds mais seguran\u00e7a para enfrentar turbul\u00eancias. Todas essas vari\u00e1veis devem ser levadas em conta e o hist\u00f3rico recente mostra que o presidente do BC prefere ser criticado por demorar a tomar uma atitude do que se precipitar e fazer uma escolha errada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 06h54min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) se reunir\u00e1 hoje pela \u00faltima vez no ano e reduzir\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 7% ao ano. Esse ser\u00e1 o menor patamar da hist\u00f3ria. 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