{"id":6630,"date":"2017-12-04T00:10:53","date_gmt":"2017-12-04T02:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6630"},"modified":"2017-12-04T00:33:51","modified_gmt":"2017-12-04T02:33:51","slug":"reformas-so-avancam-em-momentos-de-aperto-diz-solange-srour","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/reformas-so-avancam-em-momentos-de-aperto-diz-solange-srour\/","title":{"rendered":"&#8220;Reformas s\u00f3 avan\u00e7am em momentos de aperto&#8221;, diz Solange Srour"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><em>O ambiente externo favor\u00e1vel tem ajudado o Brasil a enfrentar a crise econ\u00f4mica sem press\u00f5es adicionais, mas se engana quem acredita que a bonan\u00e7a durar\u00e1 para sempre, avalia a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour. Ela observa que a recupera\u00e7\u00e3o da atividade nas maiores economias do mundo tem sido acompanhada por queda nas taxas de desemprego. \u201cH\u00e1 um temor de que as taxas de juros subam l\u00e1 fora porque as maiores economias do mundo est\u00e3o crescendo fortemente, ainda sem infla\u00e7\u00e3o. Em algum momento, pode surgir a d\u00favida de que os bancos centrais ter\u00e3o de correr atr\u00e1s da curva\u201d, explica.<\/em><br \/>\n<em>Diante desse cen\u00e1rio, Solange destaca que a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia \u00e9 essencial para reequilibrar as contas p\u00fablicas e para que o pa\u00eds volte a crescer de maneira sustent\u00e1vel. Apesar disso, ela avalia que as mudan\u00e7as nas regras das aposentadorias s\u00f3 receber\u00e3o aval do Congresso Nacional no pr\u00f3ximo governo. \u201cH\u00e1 um calend\u00e1rio muito apertado e j\u00e1 estamos em clima eleitoral, com uma defini\u00e7\u00e3o importante do papel do PSDB no governo. J\u00e1 temos alian\u00e7as do PT com o PMDB em v\u00e1rios estados. Acho muito dif\u00edcil ser aprovada qualquer reforma nesse intervalo curt\u00edssimo de tempo\u201d, comenta.<\/em><br \/>\n<em>Solange avalia que o pa\u00eds deve crescer 1% em 2017 e 2,6% no pr\u00f3ximo ano. \u201cContudo, a proje\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionada \u00e0s turbul\u00eancias derivadas do cen\u00e1rio eleitoral\u201d, diz. Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao <strong>Correio<\/strong>.<\/em><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/12\/Solange-Srour.jpg\" rel=\"attachment wp-att-6632\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6632\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/12\/Solange-Srour.jpg\" alt=\"Solange Srour\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/12\/Solange-Srour.jpg 400w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/12\/Solange-Srour-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/12\/Solange-Srour-350x197.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/12\/Solange-Srour-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o lenta<\/strong><\/p>\n<p>Existem tr\u00eas motivos principais para que o processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia seja lento e gradual. Primeiro, as empresas e fam\u00edlias n\u00e3o est\u00e3o prontas para tomar cr\u00e9dito, mesmo com taxas de juros menores. No caso das fam\u00edlias, a desalavancagem j\u00e1 ocorreu, mas, nas empresas, esse processo ainda est\u00e1 acontecendo. Outra explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que os est\u00edmulos que foram concedidos em 2009, boa parte por bancos p\u00fablicos, n\u00e3o foram concedidos agora. A pol\u00edtica fiscal n\u00e3o deve ser expansionista, apesar da recess\u00e3o, porque h\u00e1 um total desajuste nas contas p\u00fablicas deixado pelo governo passado. O terceiro motivo est\u00e1 relacionado \u00e0 mudan\u00e7a da pol\u00edtica econ\u00f4mica como um todo. O Banco Central come\u00e7ou a cortar juros e trouxe as expectativas de infla\u00e7\u00e3o para perto da meta. O processo, que se mostrou correto, foi um pouco mais lento. Obviamente, isso retarda a recupera\u00e7\u00e3o do ciclo de crescimento, mas o torna mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PIB<\/strong><\/p>\n<p>A despeito de o crescimento ter sido de apenas 0,1% no terceiro trimestre, o desempenho dos componentes do PIB mostra que a retomada est\u00e1 bem consolidada. Tivemos um crescimento do consumo mais forte do que esper\u00e1vamos, mesmo sem o impacto do FGTS, e a volta do crescimento dos investimentos, que estavam em retra\u00e7\u00e3o havia 15 trimestres seguidos. No lado da oferta, servi\u00e7os e ind\u00fastria apresentaram bom crescimento. Nossa expectativa \u00e9 de alta de 1% para o PIB de 2017. Para 2018, estimo expans\u00e3o de 2,6%. Contudo, a proje\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionada \u00e0s turbul\u00eancias derivadas do cen\u00e1rio eleitoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Previd\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 preciso ajustar as contas p\u00fablicas para tornar o crescimento sustentado. Primeiro, \u00e9 necess\u00e1rio fazer a reforma da Previd\u00eancia. Este governo aprovou medidas que ainda v\u00e3o se traduzir em crescimento. Mas isso leva tempo. Um exemplo \u00e9 a reforma trabalhista. Mas, sem d\u00favida, para ajustar as contas p\u00fablicas, \u00e9 preciso aprovar a reforma da Previd\u00eancia. Existe esse buraco e esperamos que a reforma seja realizada assim que o pr\u00f3ximo governo assumir. N\u00e3o acho que haja chances de essa reforma ser aprovada agora. H\u00e1 um calend\u00e1rio muito apertado e j\u00e1 estamos em clima eleitoral. Acho muito dif\u00edcil ser aprovada qualquer reforma nesse intervalo curt\u00edssimo de tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Reformas e elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Obviamente que um ano a mais de espera para aprovar a reforma da Previd\u00eancia tem um custo. Mas \u00e9 uma reforma que traz mais benef\u00edcios a m\u00e9dio prazo do que a curt\u00edssimo prazo. O Brasil pode se dar ao luxo de esperar porque o cen\u00e1rio externo \u00e9 benigno. Mas isso, obviamente, muda rapidamente, e, se isso ocorrer, teremos um custo maior por n\u00e3o ter aprovado a reforma em 2017. Por enquanto, podemos nos dar ao luxo de esperar, contanto que saia uma reforma completa, como a que foi enviada ao Congresso pelo governo. N\u00e3o uma proposta modificada. O que se espera \u00e9 que, em 2019, seja aprovada uma ampla reforma. N\u00e3o s\u00f3 um escopo reduzido, como se cogita aprovar agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Riscos externos<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um temor de que as taxas de juros subam l\u00e1 fora porque as maiores economias do mundo est\u00e3o crescendo fortemente. H\u00e1 o risco de a infla\u00e7\u00e3o voltar nesses pa\u00edses. A taxa de desemprego n\u00e3o para de cair nos Estados Unidos. O risco \u00e9 de os bancos centrais terem de apertar os juros mais do que est\u00e1 precificado nas curvas. Apesar de o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, estar subindo os juros, h\u00e1 o risco de ele estar atr\u00e1s da curva e de ter de acelerar esse processo. Tamb\u00e9m existem riscos geopol\u00edticos importantes, como os potenciais conflitos entre Estados Unidos e Coreia do Norte. E h\u00e1 sempre o medo de uma desacelera\u00e7\u00e3o mais forte na China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Reflexo no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Sempre que o ambiente externo \u00e9 favor\u00e1vel, a pressa de fazer o dever de casa \u00e9 menor. Acredito que, se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos t\u00e3o perto de um ano eleitoral, o governo tentaria aprovar a reforma da Previd\u00eancia com o mesmo afinco que mostrou inicialmente. Agora, fica muito dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 que o Brasil ignore o setor externo, mas a classe pol\u00edtica n\u00e3o tem total conhecimento de que o ambiente externo benigno \u00e9 tempor\u00e1rio. S\u00f3 conseguimos avan\u00e7ar com reformas importantes em momentos de aperto. Sempre foi assim na nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>O processo de recupera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e1 lento e gradual. No in\u00edcio, o trabalho informal e o por conta pr\u00f3pria crescem primeiro, porque a confian\u00e7a de que a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ser\u00e1 forte e sustent\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande a ponto de as empresas come\u00e7arem a contratar e investir. O ponto positivo \u00e9 que reforma trabalhista muda isso. Ficou mais f\u00e1cil contratar e demitir. Isso tende a levar a um n\u00edvel maior de formaliza\u00e7\u00e3o. Do outro, tem a quest\u00e3o da pejotiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabemos o que ocorrer\u00e1. Isso ter\u00e1 impacto na arrecada\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria. Mas alguma regulamenta\u00e7\u00e3o deve ser feita sobre esse tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Divisor de \u00e1guas<\/strong><\/p>\n<p>A reforma da Previd\u00eancia \u00e9 um divisor de \u00e1guas. Ela n\u00e3o \u00e9 suficiente, mas \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o Brasil crescer. Se n\u00e3o ocorrer, podemos entrar em uma rota desagrad\u00e1vel de mais recess\u00e3o e equ\u00edvocos de pol\u00edtica econ\u00f4mica. Al\u00e9m dela, precisamos de outras reformas. A tribut\u00e1ria \u00e9 importante. A abertura do pa\u00eds para atrair mais investimentos e uma agenda de reformas para elevar a produtividade tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Corda no pesco\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Sabe-se h\u00e1 muito tempo da necessidade de reformar a Previd\u00eancia. Mas os pa\u00edses s\u00f3 fazem reformas impopulares, que afetem benef\u00edcios sociais, quando est\u00e3o em um momento muito dif\u00edcil. Tivemos isso na Europa. Espanha, Portugal e Gr\u00e9cia avan\u00e7aram nas reformas em um momento muito delicado. Foi um processo dolorido. O desemprego na Espanha teve que chegar a 25%. A Gr\u00e9cia precisou ficar pr\u00f3xima ao calote para reduzir benef\u00edcios sociais. O Brasil quase chegou a essa situa\u00e7\u00e3o quando resolveu entrar no debate da reforma da Previd\u00eancia. Para o nosso \u201cazar\u201d, o mundo ficou melhor e conseguimos \u201cescapar\u201d da reforma da Previd\u00eancia sem gerar uma grande crise dom\u00e9stica. A situa\u00e7\u00e3o benigna internacional n\u00e3o durar\u00e1 para sempre. Mas s\u00f3 fazemos as coisas com a corda no pesco\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Efeito JBS<\/strong><\/p>\n<p>Se n\u00e3o fosse o evento de maio (a den\u00fancia do empres\u00e1rio Joesley Batista contra o presidente Michel Temer), ter\u00edamos aprovado a reforma da Previd\u00eancia. Eu estava otimista, achava que sairia uma boa reforma, muito menos dilu\u00edda do que est\u00e1 se discutindo agora. A situa\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses que tiveram que enfrentar o problema e a crise que atingiu o Rio de Janeiro acabaram servindo de aprendizado. Mas a\u00ed veio o evento de maio que impediu a aprova\u00e7\u00e3o da reforma, e, de l\u00e1 para c\u00e1, o mundo conspirou a favor do Brasil. Os pre\u00e7os dos ativos est\u00e3o melhores. Foi um azar. Est\u00e1vamos quase l\u00e1, n\u00e3o fizemos o gol e o mundo melhorou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Consenso<\/strong><\/p>\n<p>Tirando os partidos de extrema esquerda, que dizem que tudo o que \u00e9 feito por esse governo est\u00e1 errado, vemos um consenso maior em torno da reforma da Previd\u00eancia. N\u00e3o s\u00e3o apenas os liberais. A maioria entende que a situa\u00e7\u00e3o precisa ser corrigida porque os estados est\u00e3o vivendo essa crise muito forte. N\u00e3o h\u00e1 dinheiro para nada, os sal\u00e1rios est\u00e3o atrasados. Isso pode acontecer em n\u00edvel federal tamb\u00e9m. O teto de gastos est\u00e1 a\u00ed. O pr\u00f3ximo governo, mesmo sem a corda no pesco\u00e7o, sendo ele de centro-direita, far\u00e1 a reforma porque n\u00e3o conseguir\u00e1 cumprir o teto dos gastos sem mudar a Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 00h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO O ambiente externo favor\u00e1vel tem ajudado o Brasil a enfrentar a crise econ\u00f4mica sem press\u00f5es adicionais, mas se engana quem acredita que a bonan\u00e7a durar\u00e1 para sempre, avalia a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour. 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