{"id":6625,"date":"2017-12-02T06:23:39","date_gmt":"2017-12-02T08:23:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6625"},"modified":"2017-12-02T19:31:10","modified_gmt":"2017-12-02T21:31:10","slug":"correio-economico-recuperacao-em-marcha-lenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-recuperacao-em-marcha-lenta\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Recupera\u00e7\u00e3o em marcha lenta"},"content":{"rendered":"<h2>Ainda n\u00e3o h\u00e1 motivos para euforia, mas o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre do ano \u2014 aumento de minguado 0,1% \u2014 \u00e9 um sinal claro de que a retomada da atividade produtiva est\u00e1 se consolidando. Sem estripulias na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, o governo conseguiu pavimentar a recupera\u00e7\u00e3o do consumo e, ao que tudo indica, dos investimentos. Os pr\u00f3ximos dois trimestres, no entanto, ser\u00e3o decisivos para indicar se realmente o pa\u00eds tirou os dois p\u00e9s do atoleiro no qual Dilma Rousseff o meteu. N\u00e3o se pode esquecer que, entre 2014 e 2016, o PIB desabou mais de 8%.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o da economia ser\u00e1 lenta e gradual. Ao contr\u00e1rio de outras recess\u00f5es, quando a retomada se dava de forma mais r\u00e1pida e vigorosa, h\u00e1 quest\u00f5es estruturais que impedem um impulso maior da atividade. Com rombos fiscais monstruosos \u2014 apenas neste e no pr\u00f3ximo ano, ser\u00e3o R$ 318 bilh\u00f5es de deficit \u2014, o governo est\u00e1 incapacitado de ajudar a m\u00e1quina a girar. Nem mesmo investimentos em infraestrutura, vitais para dar competitividade \u00e0 economia, est\u00e3o sendo tocados. O Brasil caminha com pernas mancas. Curar as fissuras abertas nos \u00faltimos anos levar\u00e1 tempo e exigir\u00e1 paci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar do otimismo exalado pelo governo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, h\u00e1 muito a ser feito, a come\u00e7ar pela reforma da Previd\u00eancia Social. Quanto mais as mudan\u00e7as no sistema de aposentadoria forem adiadas, menor ser\u00e1 a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos. Da forma como os regimes p\u00fablico e privado est\u00e3o estruturados, os cofres federais entrar\u00e3o em colapso brevemente. Mesmo remota, est\u00e1 no horizonte dos investidores a possibilidade de o Brasil dar calote na d\u00edvida p\u00fablica. Quando inclu\u00eddos os juros da d\u00edvida, o deficit p\u00fablico encosta nos 10% do PIB. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds que aguente isso por muito tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse a grav\u00edssima situa\u00e7\u00e3o fiscal, o Brasil est\u00e1 caminhando para uma das mais complicadas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de sua hist\u00f3ria. H\u00e1 um desencanto geral da popula\u00e7\u00e3o com os pol\u00edticos tradicionais. Dois candidatos extremistas, com seus discursos populistas, lideram as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto. Os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o continuam dominando o notici\u00e1rio. O risco de surgir um salvador da p\u00e1tria vendendo promessas f\u00e1ceis \u00e9 enorme. Tudo isso deixa o quadro muito nebuloso. \u00c9 quase imposs\u00edvel tra\u00e7ar um cen\u00e1rio preciso do que pode ocorrer a partir de 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Todo cuidado \u00e9 pouco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Felizmente, as bases que v\u00eam sustentando o crescimento est\u00e3o preservadas. A infla\u00e7\u00e3o baixa, em torno de 3%, abriu espa\u00e7o no or\u00e7amento das fam\u00edlias. De outubro do ano passado at\u00e9 agora, o poder de compra do sal\u00e1rio m\u00ednimo aumentou cerca de 50%, pelos c\u00e1lculos do Banco Central. A taxa b\u00e1sica de juros (Selic) caiu, no mesmo per\u00edodo, de 14,25% para 7,50% ao ano, deve ceder para 7% na pr\u00f3xima semana e, com o ritmo lento de recupera\u00e7\u00e3o da economia, tende a recuar pelo menos at\u00e9 6,75% em janeiro do pr\u00f3ximo ano. J\u00e1 o desemprego, que superou os 14%, diminuiu quase dois pontos percentuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o em baixa ajuda, sobretudo, os mais pobres. As taxas de juros menores impulsionam o cr\u00e9dito e estimulam os investimentos produtivos. Mais gente empregada amplia o consumo. Esse contexto favor\u00e1vel ganha for\u00e7a com a supersafra agr\u00edcola, que derrubou os pre\u00e7os dos alimentos. N\u00e3o fossem a grave crise pol\u00edtica e as incertezas trazidas pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, diante de fatos t\u00e3o positivos, certamente os agentes econ\u00f4micos estariam mais confort\u00e1veis para ampliar as apostas na retomada do crescimento. \u00c9 o custo a ser pago quando se elegem governantes incompetentes, como Dilma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os eleitores, por sinal, deveriam levar em conta esse triste hist\u00f3rico da pior recess\u00e3o da hist\u00f3ria, que desempregou mais de 14 milh\u00f5es de pessoas e empurrou milh\u00f5es novamente para a pobreza, na hora de depositar os votos nas urnas. Se o pa\u00eds errar de novo na escolha de seus governantes, o pouco que se avan\u00e7ou nos \u00faltimos meses vai se perder por completo. N\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para aventuras. O Brasil j\u00e1 perdeu tempo demais. O momento \u00e9 de preservar conquistas, n\u00e3o de destru\u00ed-las.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h23min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 motivos para euforia, mas o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre do ano \u2014 aumento de minguado 0,1% \u2014 \u00e9 um sinal claro de que a retomada da atividade produtiva est\u00e1 se consolidando. 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