{"id":662,"date":"2016-03-26T09:37:00","date_gmt":"2016-03-26T12:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=662"},"modified":"2016-03-26T09:54:32","modified_gmt":"2016-03-26T12:54:32","slug":"proximos-da-ruina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/proximos-da-ruina\/","title":{"rendered":"PR\u00d3XIMOS DA RU\u00cdNA"},"content":{"rendered":"<p>A pol\u00edtica econ\u00f4mica da presidente Dilma Rousseff, com todos os seus equ\u00edvocos, colocou o setor produtivo pr\u00f3ximo do colapso. Dados coletados por t\u00e9cnicos do governo mostram que empresas de todos os portes est\u00e3o com um p\u00e9 na fal\u00eancia e, se quebrarem, v\u00e3o levar o desemprego para muito al\u00e9m dos 9,5% captados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O quadro \u00e9 t\u00e3o complicado, que as principais institui\u00e7\u00f5es financeiras j\u00e1 enviaram um sinal de alerta ao Banco Central. Dependendo do tamanho da ru\u00edna das companhias, alguns bancos tamb\u00e9m podem vir a apresentar problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante da grav\u00edssima recess\u00e3o na qual o pa\u00eds est\u00e1 mergulhado, as vendas desabaram. Em alguns casos, o faturamento nos dois primeiros meses deste ano caiu \u00e0 metade do observado em igual per\u00edodo de 2015. O fluxo de caixa n\u00e3o est\u00e1 sendo suficiente para cobrir todas as despesas operacionais, inclusive a folha de sal\u00e1rios. Desde a segunda metade do ano passado, quando a atividade come\u00e7ou a despencar, as empresas v\u00eam cobrindo os gastos com empr\u00e9stimos, por meio de linhas de capital de giro. Mas, como v\u00e1rias delas estouraram seus limites de cr\u00e9dito, os bancos fecharam as torneiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao deixar as empresas \u00e0 m\u00edngua, por\u00e9m, o setor financeiro deu in\u00edcio a um processo de asfixia que pode resultar em uma bolha de inadimpl\u00eancia, com consequ\u00eancias graves para a economia real. A onda de calote se estenderia \u00e0s pessoas f\u00edsicas, v\u00edtimas do aumento das demiss\u00f5es. A situa\u00e7\u00e3o, que hoje est\u00e1 sob controle, daria in\u00edcio a um movimento de p\u00e2nico, o que s\u00f3 agravaria um cen\u00e1rio que j\u00e1 \u00e9 bastante conturbado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC garante que o sistema financeiro est\u00e1 forte o suficiente para lidar com qualquer tipo de estresse. Os bancos v\u00eam se preparado para as dificuldades. Tanto que as provis\u00f5es para cr\u00e9ditos de dif\u00edcil liquida\u00e7\u00e3o deram um salto expressivo entre dezembro de 2014 e janeiro deste ano, passando de R$ 147,3 bilh\u00f5es para R$ 186,2 bilh\u00f5es. Esse volume de dinheiro \u00e9, no entender da autoridade monet\u00e1ria, mais do que compat\u00edvel com a alta da inadimpl\u00eancia das empresas, que, no mesmo per\u00edodo, subiu de 3,4% para 4,7%, e das pessoas f\u00edsicas, que pulou de 5,3% para 6,2%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Modelo da ditadura<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do governo, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 para que o BC apresse um programa para socorrer as empresas em dificuldades. A ideia, como j\u00e1 informou o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, \u00e9 liberar parte dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios que os bancos det\u00eam com a autoridade monet\u00e1ria. A libera\u00e7\u00e3o de recursos deve vir acompanhada do afrouxamento de regras prudenciais, para que as institui\u00e7\u00f5es financeiras possam assumir mais riscos. H\u00e1 o perigo, por\u00e9m, de, na \u00e2nsia de criar um fato positivo, o governo perder as r\u00e9deas do programa de incentivos. O hist\u00f3rico, como se sabe, \u00e9 muito ruim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ex-diretor do BC, o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes lembra que o modelo de socorro que o governo est\u00e1 preparando j\u00e1 foi usado nos anos 1970, quando M\u00e1rio Henrique Simonsen era ministro da Fazenda. Pelo programa de refinanciamento compensat\u00f3rio, o BC liberava recursos para que os bancos pudessem renegociar d\u00edvidas de empresas e de pessoas f\u00edsicas em dificuldade. Com isso, se evitava uma quebradeira em massa. As opera\u00e7\u00f5es eram controladas e prevaleceram em um espa\u00e7o espec\u00edfico de tempo. Quer dizer, foram tempor\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Thadeu, n\u00e3o h\u00e1, hoje, problema de falta de recursos para que os bancos possam emprestar. Muito pelo contr\u00e1rio, as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o com o caixa abarrotado, engordando os lucros com os altos juros pagos pelos t\u00edtulos p\u00fablicos emitidos pelo Tesouro Nacional. O entrave est\u00e1 na falta de confian\u00e7a. Os bancos n\u00e3o acreditam mais na clientela. Temem perder dinheiro com a severa recess\u00e3o que assombra o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o economista, o BC pode at\u00e9 liberar compuls\u00f3rios e facilitar as regras para os bancos operarem. Mas \u00e9 vital que o dinheiro injetado no caixa das institui\u00e7\u00f5es seja carimbado, isto \u00e9, possa ser usado apenas para refinanciar e alongar as d\u00edvidas problem\u00e1ticas. De nada adiantar\u00e1 ampliar a liquidez do sistema, se os bancos n\u00e3o favorecerem a clientela e destinarem os recursos para a compra de pap\u00e9is do governo. A quebradeira vai acontecer de qualquer jeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Discurso furado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel por boa parte do desastre que o pa\u00eds est\u00e1 vivendo, j\u00e1 que foi um dos mentores da nova matriz econ\u00f4mica, que trouxe de volta a infla\u00e7\u00e3o, o desemprego e a recess\u00e3o, Nelson Barbosa est\u00e1 empurrando para o Congresso a responsabilidade para a salva\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Alega que todas as medidas para tirar o pa\u00eds do atoleiro dependem da aprova\u00e7\u00e3o de deputados e senadores que s\u00f3 pensam no impeachment da presidente Dilma. \u00c9 muito c\u00f4modo para o ministro usar esse tipo de desculpa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Barbosa foi o respons\u00e1vel por o Brasil perder o selo de bom pagador das tr\u00eas principais ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco, ao enviar para o Congresso proposta de Or\u00e7amento deficit\u00e1rio em 2016. Ali, em agosto do ano passado, ele rasgou de vez o compromisso do governo com o ajuste fiscal. Quando cobra responsabilidade da C\u00e2mara e do Senado, o ministro s\u00f3 quer uma coisa: licen\u00e7a para gastar. Ao obter aval do Legislativo, ele poder\u00e1 ampliar o rombo previsto nas contas p\u00fablicas. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 como levar a s\u00e9rio um chefe de equipe econ\u00f4mica que tem como maior projeto o desequil\u00edbrio fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 09h36min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pol\u00edtica econ\u00f4mica da presidente Dilma Rousseff, com todos os seus equ\u00edvocos, colocou o setor produtivo pr\u00f3ximo do colapso. 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