{"id":6601,"date":"2017-11-30T06:14:16","date_gmt":"2017-11-30T08:14:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6601"},"modified":"2017-11-30T11:28:12","modified_gmt":"2017-11-30T13:28:12","slug":"correio-economico-heranca-de-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-heranca-de-dilma\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: A heran\u00e7a de Dilma"},"content":{"rendered":"<h2>Os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff se gabaram, ao longo de anos, de terem executado pol\u00edticas que reduziram as desigualdades sociais do pa\u00eds. Em alto e bom som, assumiram o discurso de que fizeram pelos pobres o que nenhuma outra administra\u00e7\u00e3o havia realizado. Embalados por um marketing poderoso, os dois ex-presidentes conseguiram difundir a imagem de grandes defensores dos necessitados e oprimidos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE) divulgados na quarta-feira, 29, refor\u00e7am, por\u00e9m, a certeza de que muito do que foi dito pelos petistas n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A desigualdade continua gritante no Brasil. Apesar de o IBGE ter mudado a metodologia de sua pesquisa, pode-se garantir que o fosso que separa ricos e pobres se aprofundou em 2016, depois de j\u00e1 ter crescido no ano anterior. A disparada da infla\u00e7\u00e3o e a recess\u00e3o que destruiu quase 8% do Produto Interno Bruto (PIB) e elevou para mais de 14 milh\u00f5es o total de desempregados prejudicaram, sem d\u00f3, a popula\u00e7\u00e3o de mais baixa renda. O rendimento m\u00e9dio de quase a metade da popula\u00e7\u00e3o ficou em R$ 750, 15% abaixo do sal\u00e1rio m\u00ednimo da \u00e9poca. A remunera\u00e7\u00e3o do 1% mais rico alcan\u00e7ou R$ 27 mil, ou seja, 36 vezes superior \u00e0 dos 50% mais pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O IBGE mostrou que os 10% mais ricos do pa\u00eds concentram 43,4% dos rendimentos. Pela metodologia antiga, esse \u00edndice era de 38%, indicando que a desigualdade aumentou diante do estrago provocado pela combina\u00e7\u00e3o perversa de infla\u00e7\u00e3o alta com retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e desemprego em disparada. Em 2015, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) encostou em 11%. No ano passado, ultrapassou os 6%. Os mesmos que sofreram com a carestia ficaram sem trabalho. Numa casa com quatro pessoas, sendo duas desempregadas, a renda per capita despencou. N\u00e3o por acaso, constatou a FGV Social, a desigualdade medida pelo \u00edndice de Gini subiu 1,6% entre 2015 e 2016, depois de 22 anos em queda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desastre contratado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o das conquistas sociais obtidas no primeiro mandato de Lula come\u00e7ou em 2010, quando o ent\u00e3o presidente descambou para uma pol\u00edtica econ\u00f4mica populista e irrespons\u00e1vel para eleger Dilma Rousseff. A gastan\u00e7a excessiva e o descaso com a infla\u00e7\u00e3o ficaram evidentes. Depois da posse de Dilma, acreditou-se que o governo retomaria o rumo da responsabilidade, mas o que se viu foi exatamente o contr\u00e1rio. A petista pisou no acelerador das medidas irrespons\u00e1veis, acreditando que poderia impulsionar o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para isso, ela lan\u00e7ou m\u00e3o do que chamou de \u201cnova matriz econ\u00f4mica\u201d, um misto de invencionice e de interven\u00e7\u00e3o. Dilma obrigou o Banco Central a reduzir os juros para o n\u00edvel mais baixo da hist\u00f3ria, 7,25% ao ano, mesmo com a infla\u00e7\u00e3o subindo. Baixou uma medida provis\u00f3ria determinando a redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 20% das tarifas de energia el\u00e9trica. Mandou a Petrobras congelar os pre\u00e7os dos combust\u00edveis. Criou uma penca de empresas estatais para abrigar aliados pol\u00edticos. Destruiu os cofres p\u00fablicos e foi conivente com a corrup\u00e7\u00e3o. Tudo isso empurrou o pa\u00eds para a beira do precip\u00edcio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de ser destitu\u00edda do poder, a petista ainda teve um gesto de lucidez ao nomear Joaquim Levy para o Minist\u00e9rio da Fazenda. Mas n\u00e3o resistiu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o populista e \u00e0 arrog\u00e2ncia. Voltou rapidamente a cometer estripulias sob o falso argumento de que seu governo estava voltado para a prote\u00e7\u00e3o dos mais desfavorecidos. A grande verdade, contudo, era que a ent\u00e3o presidente estava empurrando novamente para a pobreza parcela da popula\u00e7\u00e3o que havia migrado para a classe C. Dilma, com sua heran\u00e7a maldita, destruiu sonhos e adiou o futuro para muita gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Risco das elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que, agora, os mais pobres estejam sentindo uma sensa\u00e7\u00e3o de melhora. Com a infla\u00e7\u00e3o caindo, rodando pr\u00f3xima de 3%, abriu-se espa\u00e7o na renda das fam\u00edlias para a satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades mais prementes de consumo. Mas tudo indica que a desigualdade continuou aumentando ao longo deste ano. Para se ter uma ideia, o PIB do pa\u00eds s\u00f3 voltar\u00e1 aos n\u00edveis de 2013 em meados de 2019. No caso do PIB per capita medido em d\u00f3lar, ser\u00e3o necess\u00e1rios 10 anos para retornarmos aos patamares de 2014. Ser\u00e1 preciso um longo per\u00edodo de crescimento sustentado da atividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Toda a destrui\u00e7\u00e3o de riqueza durante o governo Dilma e o aumento da desigualdade relatado pelo IBGE devem servir de li\u00e7\u00e3o neste momento, em que as pesquisas eleitorais apontam para dois candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica com discursos extremistas, um de direita, outro de esquerda. Se o pa\u00eds insistir no erro, o resultado ser\u00e1 um s\u00f3: a perpetua\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h14min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff se gabaram, ao longo de anos, de terem executado pol\u00edticas que reduziram as desigualdades sociais do pa\u00eds. Em alto e bom som, assumiram o discurso de que fizeram pelos pobres o que nenhuma outra administra\u00e7\u00e3o havia realizado. 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