{"id":6569,"date":"2017-11-24T06:01:16","date_gmt":"2017-11-24T08:01:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6569"},"modified":"2017-11-24T16:05:21","modified_gmt":"2017-11-24T18:05:21","slug":"correio-economico-juros-e-inflacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-juros-e-inflacao\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Juros e infla\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>A surpresa do mercado com o resultado do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de novembro, que aumentou 0,32%, dar\u00e1 ainda mais muni\u00e7\u00e3o para que o Banco Central (BC) leve a taxa b\u00e1sica de juros para abaixo de 7% ao ano. A mediana das expectativas dos analistas era de que a pr\u00e9via da infla\u00e7\u00e3o teria varia\u00e7\u00e3o de at\u00e9 0,38%. As surpresas vieram da defla\u00e7\u00e3o de alimentos e de artigos de resid\u00eancia. Os custos com servi\u00e7os, que continuam baixos, tamb\u00e9m favoreceram o resultado.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelo sexto m\u00eas consecutivo, o pre\u00e7o dos alimentos caiu, fato que contraria a hist\u00f3ria. Os dados mostram que, no primeiro e no quatro trimestres do ano, os custos desses itens costumam a ser pressionados, mas isso n\u00e3o tem ocorrido. Nos \u00faltimos 12 meses encerrados em novembro, o item alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas registrou queda de 2,31%, fator que levou bancos e corretoras a revisarem proje\u00e7\u00f5es para o resultado do IPCA de 2017. O Ita\u00fa Unibanco, por exemplo, reduziu a estimativa para infla\u00e7\u00e3o de 3,3% para 3,1%, conforme o economista Elson Teles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O maior banco privado do pa\u00eds esperava uma alta de 0,37% do IPCA-15 de novembro. Teles ressaltou que a principal contribui\u00e7\u00e3o de alta no m\u00eas veio do grupo habita\u00e7\u00e3o, refletindo press\u00f5es nos pre\u00e7os da energia el\u00e9trica e do g\u00e1s de cozinha. \u201cPor outro lado, os grupos alimenta\u00e7\u00e3o e artigos de resid\u00eancia registraram taxas negativas. O maior desvio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa estimativa veio dos servi\u00e7os\u201d, destacou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com base nos dados do IPCA-15,Teles estimou que a infla\u00e7\u00e3o de novembro ser\u00e1 de 0,38%, com a taxa em 12 meses subindo para 2,9%. \u201cAssim como no IPCA-15, a principal contribui\u00e7\u00e3o de alta no m\u00eas vir\u00e1 dos pre\u00e7os administrados, ainda refletindo aumentos de energia el\u00e9trica, gasolina e g\u00e1s de cozinha. Para o grupo alimenta\u00e7\u00e3o, estimamos mais um m\u00eas com taxa negativa, que ser\u00e1 a s\u00e9tima consecutiva\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O debate sobre o tamanho do ciclo de cortes de juros, entretanto, depender\u00e1 do avan\u00e7o da reforma da Previd\u00eancia. Caso o texto receba o aval dos parlamentares, as chances de os juros ca\u00edrem abaixo de 7% aumentam significativamente. Se a proposta for barrada pelo Congresso, a tend\u00eancia \u00e9 de maior volatilidade e a Selic tende a subir. A estrat\u00e9gia do governo para que as mudan\u00e7as nas regras para concess\u00e3o de benef\u00edcios previdenci\u00e1rios seja aprovada por deputados e senadores tem com ponto principal o discurso de que os privil\u00e9gios ser\u00e3o extintos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esfor\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente Michel Temer dedicar\u00e1 todos os esfor\u00e7os para convencer 308 deputados de que as medidas s\u00e3o necess\u00e1rias. Para isso ganhou refor\u00e7o de peso dos economistas Marcos Lisboa, Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo e Paulo Tafner, que participaram do jantar oferecido pelo chefe do Executivo aos parlamentes, na quarta-feira. Todos concordam. Sem reforma, voltaremos a conviver com hiperinfla\u00e7\u00e3o, juros exorbitantes e o pa\u00eds voltar\u00e1 para o buraco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ambiente internacional ainda favor\u00e1vel ao pa\u00eds tem dado tranquilidade para que a equipe econ\u00f4mica e os coordenadores pol\u00edticos do governo fa\u00e7am o trabalho de convencimento da base aliada. Entretanto, \u00e9 preciso que fique claro para os parlamentares que corremos o risco de al\u00e7ar mais um voo de galinha caso a reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o seja aprovada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sustentabilidade da equipe de Ilan Goldfajn, de ancorar as expectativas de infla\u00e7\u00e3o e reduzir os juros, depende do trabalho do Congresso. Tudo que o presidente do BC e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, poderiam fazer para recuperar a economia foi feito. Deputados e senadores precisam entender que crescimento sustent\u00e1vel \u00e9 incompat\u00edvel com o rombo nas contas p\u00fablicas. Mesmo os contr\u00e1rios \u00e0 reforma sabem que, sem ela, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel governar o pa\u00eds a partir de 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto a reforma n\u00e3o \u00e9 debatida em plen\u00e1rio, o risco-pa\u00eds, medido pelos Credit Default Swaps (CDS), fechou ontem em 172 pontos, um a menos do que no dia anterior. Mas a tranquilidade no setor externo pode mudar em pouco tempo. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que o Congresso deixe claro que est\u00e1 comprometido com a recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a retomada do crescimento e a gera\u00e7\u00e3o de empregos. Sem reforma, isso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h06min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO A surpresa do mercado com o resultado do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de novembro, que aumentou 0,32%, dar\u00e1 ainda mais muni\u00e7\u00e3o para que o Banco Central (BC) leve a taxa b\u00e1sica de juros para abaixo de 7% ao ano. 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