{"id":6526,"date":"2017-11-20T06:15:13","date_gmt":"2017-11-20T08:15:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6526"},"modified":"2017-11-20T13:21:42","modified_gmt":"2017-11-20T15:21:42","slug":"selic-caira-para-675-diz-economista-chefe-do-bradesco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/selic-caira-para-675-diz-economista-chefe-do-bradesco\/","title":{"rendered":"Selic cair\u00e1 para 6,75%, diz economista-chefe do Bradesco"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><em>H\u00e1 quase um ano no comando da Diretoria de Estudos e Pesquisas Econ\u00f4micas do Bradesco, o economista Fernando Honorato Barbosa foi um dos primeiros a apostar que o Banco Central (BC) levar\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros para um patamar abaixo dos 7% ao ano em 2018. Cada vez mais gente pensa assim, embora n\u00e3o haja consenso no progn\u00f3stico.<\/em><\/h2>\n<h2><em>Segundo ele, pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 uma \u201carte bastante imprecisa\u201d. Barbosa ressalta que a equipe de Ilan Goldfajn adotou uma estrat\u00e9gia, que se mostrou vencedora, ao manter os juros mais altos por um tempo para ancorar as expectativas de infla\u00e7\u00e3o. \u201cExatamente da\u00ed que vem nossa proje\u00e7\u00e3o de juros de 6,75% no pr\u00f3ximo ano. Uma vez que ele incorreu no custo, que foi importante para ancorar as expectativas, por que raz\u00e3o ele n\u00e3o vai usar a favor dele esse b\u00f4nus conquistado?\u201d, indaga.<\/em><\/h2>\n<h2><em>O diretor do segundo maior banco privado do pa\u00eds ressalta que os juros abaixo de 7% ao ano teriam grande simbolismo para o pa\u00eds, uma vez que o Brasil teria, pela primeira vez, uma taxa menor que a do M\u00e9xico.Esse caminho n\u00e3o \u00e9 garantido, por\u00e9m. \u201cSe acharem que coloca em risco ficar com juros baixos por um bom tempo, talvez parem antes\u201d, alerta. Na avalia\u00e7\u00e3o de Barbosa, a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia \u00e9 essencial para o pa\u00eds reequilibrar as contas e continuar o processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia.<\/em><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os principais indicadores da economia brasileira ainda apresentam dados inconclusivos. O pior ficou para tr\u00e1s?<\/strong><br \/>\nSim. Nenhuma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 linear. Isso aconteceu nos Estados Unidos e na Europa no p\u00f3s-crise. Voc\u00ea v\u00ea que os dados come\u00e7am a melhorar, depois fraquejam um pouquinho. Mas o que importa \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o, e ela \u00e9 de melhora. Nesse sentido, dizemos que o pior ficou para tr\u00e1s. E por que temos alguma confian\u00e7a de que a dire\u00e7\u00e3o \u00e9 de melhora, a despeito do ru\u00eddo de curto prazo? Porque temos tr\u00eas teses b\u00e1sicas que fundamentam nosso cen\u00e1rio de retomada do crescimento, liderado pelo consumo. Primeiro percebemos uma melhora do balan\u00e7o das fam\u00edlias, com queda do endividamento. Segundo, h\u00e1 uma melhora do balan\u00e7o operacional das empresas. Os estoques estar\u00e3o muito baixo nas ind\u00fastrias. Se o consumo crescer, haver\u00e1 produ\u00e7\u00e3o, porque os estoques ca\u00edram. E o n\u00edvel de emprego na ind\u00fastria j\u00e1 alcan\u00e7ou um patamar de estabilidade. Com alta da produ\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 contrata\u00e7\u00e3o. O terceiro aspecto diz respeito \u00e0 aus\u00eancia de press\u00f5es inflacion\u00e1rias em 2018. Isso decorre do fato de que h\u00e1 ociosidade na economia, de um mercado de trabalho tamb\u00e9m ocioso, com diss\u00eddios bem-comportados e de folga nas contas externas. Se ocorrer uma acelera\u00e7\u00e3o forte de demanda, h\u00e1 espa\u00e7o para absorv\u00ea-la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O consumo j\u00e1 foi o motor do crescimento econ\u00f4mico no passado recente. N\u00e3o corremos o risco de ter um novo voo de galinha?<\/strong><br \/>\nA composi\u00e7\u00e3o do crescimento importa para o futuro do que ser\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o. A m\u00e1 not\u00edcia, nesse caso, \u00e9 que o governo n\u00e3o escolhe como ser\u00e1 a retomada do crescimento. O governo concede os incentivos, com o Banco Central cortando a taxa de juros, autoriza saques de contas inativas do Fundo de Garantia [do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS)] e do PIS\/PASEP \u2014 que s\u00e3o incentivos ao consumo. Mas, quando h\u00e1 uma reorganiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, por meio da aprova\u00e7\u00e3o de medidas como o teto dos gastos, cria Taxa de Longo Prazo (TLP), reduz os juros e tenta ajustar as contas p\u00fablicas, n\u00e3o fica claro por onde vir\u00e1 o crescimento. Gostar\u00edamos que fosse uma composi\u00e7\u00e3o mais equilibrada. Esse ponto traz um olhar de cautela para 2019. Acho dif\u00edcil que isso gere um problema de 2018. Se a \u00fanica coisa que vier a crescer for o consumo, e o investimento ficar parado ou crescer devagar, isso gerar\u00e1 press\u00f5es inflacion\u00e1rias com nova alta de juros. Temos no nosso cen\u00e1rio uma alta de juros em 2019 de 1,25 ponto percentual, com Selic voltando para pr\u00f3ximo de 8% ao ano. Em parte, porque o investimento est\u00e1 t\u00e3o baixo que essa demanda vai produzir alguma acelera\u00e7\u00e3o. Mas a pergunta \u00e9: \u00e9 um voo de galinha ou n\u00e3o \u00e9? Eu acho que depende do exerc\u00edcio de esticar as perspectivas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como o reequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas entra nesse processo? O que acontece se n\u00e3o aprovarmos a reforma da Previd\u00eancia?<\/strong><br \/>\nA\u00ed o filme acontecer\u00e1 de maneira muito mais r\u00e1pida. A infla\u00e7\u00e3o vai acelerar rapidamente, n\u00e3o teremos condi\u00e7\u00f5es de sustentar juros baixos. \u00c9 crucial, para que o teto dos gastos fique de p\u00e9, que haja uma reforma da Previd\u00eancia. Pode ser hoje ou em janeiro de 2019, com novo presidente eleito, de repente, com maioria no Congresso? Pode. N\u00e3o precisa ser necessariamente agora. O pa\u00eds n\u00e3o vai quebrar se a reforma acontecer hoje ou em 2019. Dito isso, se perdermos a perspectiva de ter uma reforma da Previd\u00eancia, o teto, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de cumprir com a reforma, fica absolutamente invi\u00e1vel. E a\u00ed teremos um problema olhando para frente. E como \u00e9 poss\u00edvel resolver o problema de um pa\u00eds que n\u00e3o quer reformar a Previd\u00eancia e que tem restri\u00e7\u00f5es como o teto dos gastos? Voc\u00ea pode resolver isso com infla\u00e7\u00e3o muito maior do que temos hoje em cinco ou 10 anos \u00e0 frente. Ou o teto dos gastos n\u00e3o \u00e9 cumprido e o governo aumenta os impostos. Nenhum dos caminhos \u00e9 adequado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica, o cen\u00e1rio de retomada econ\u00f4mica \u00e9 incerto?<\/strong><br \/>\nSe pararmos para pensar quanto o PIB do Brasil caiu, o per capita caiu 10%, do pico ao vale da crise. Foi uma perda enorme do PIB (Produto Interno Bruto) per capita. A partir da queda de juros e do m\u00ednimo de incentivo ao investimento privado, com ambiente de neg\u00f3cios favor\u00e1vel, era para esse PIB recuperar n\u00e3o os 2,8% que projetamos, mas 4% ou 4,5% ao ano. Para pelo menos recuperar os n\u00edveis pr\u00e9-crise, e depois haveria uma volta ao PIB potencial, seja l\u00e1 qual for, de 2% ou 3%. Se o Brasil for capaz de arrumar minimamente seu ambiente de neg\u00f3cios, que \u00e9 o que temos visto ser feito recentemente, eu consigo ver dois, tr\u00eas anos de crescimento forte. Mas n\u00e3o podemos flertar com uma d\u00edvida p\u00fablica que equivale a 90% ou 95% do PIB. N\u00e3o sabemos como os mercados reagiriam a isso. Uma coisa \u00e9 ter a Gr\u00e9cia ou a It\u00e1lia, com 150% ou 180% de d\u00edvida em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, fazendo parte da zona do Euro e tendo o Banco Central Europeu para salv\u00e1-los. Outra coisa \u00e9 ser um pa\u00eds emergente com a d\u00edvida equivalente a 90% do PIB. Existe sim, um cen\u00e1rio onde as coisas n\u00e3o d\u00e3o certo, que podem n\u00e3o caminhar. Mas sempre insisto na tese de que existe uma lei, uma emenda constitucional do teto dos gastos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Diante desse contexto, o BC tem cortado juros. Essa queda de juros \u00e9 sustent\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nA TLP e o teto dos gastos s\u00e3o duas ferramentas poderosas para ajudar que a taxa de juros, quando tiver que subir, suba menos que no passado. Acho que essa \u00e9 a diferen\u00e7a fundamental em rela\u00e7\u00e3o aos epis\u00f3dios passados em que ocorreu queda de juros. Com investimento em 16% do PIB, se a demanda crescer, haver\u00e1 infla\u00e7\u00e3o, e teremos que subir os juros l\u00e1 na frente. Acho bem prov\u00e1vel que a alta de juros seja bem menor. Imagine que o BC suba os juros para 8,5% ao ano, no pior cen\u00e1rio, aos 9% ao ano. Ele vem dos 6,75%, que \u00e9 nossa estimativa para o fim do ciclo, para 9% ao ano. Se os ciclos no Brasil ficarem contidos a varia\u00e7\u00f5es menores, isso ajuda muito na percep\u00e7\u00e3o dos investidores de que o pa\u00eds tem juros mais baixos, de forma permanente. Al\u00e9m de isso impactar na solv\u00eancia da d\u00edvida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 quem diga que o BC foi conservador e demorou a reduzir os juros. O que leva a crer que os juros ficar\u00e3o abaixo dos 7% ao ano?<\/strong><br \/>\nTudo em pol\u00edtica monet\u00e1ria tem custos e benef\u00edcios. No come\u00e7o o BC tinha uma estrat\u00e9gia, que se provou vencedora, de manter as expectativas superancoradas. E isso teve um custo. O custo disso foi manter os juros mais altos por um tempo. Dado que a infla\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 perto de 3%, poderiam ter come\u00e7ado a cortar mais cedo. Mas pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 uma arte bastante imprecisa. O b\u00f4nus de terem mantido os juros alto foi ter garantido a ancoragem das expectativas de infla\u00e7\u00e3o. Exatamente da\u00ed que vem nossa proje\u00e7\u00e3o de juros de 6,75% no pr\u00f3ximo ano. Uma vez que ele incorreu no custo, que foi importante para ancorar as expectativas, por que raz\u00e3o ele n\u00e3o vai usar a favor dele esse b\u00f4nus conquistado? Bancos centrais que t\u00eam alta credibilidade e que t\u00eam as expectativas ancoradas por um per\u00edodo longo muitas vezes conseguem praticar a pol\u00edtica monet\u00e1ria s\u00f3 na verbaliza\u00e7\u00e3o. O Ilan est\u00e1 nesse processo de ancoragem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas o BC n\u00e3o tem sinalizado isso explicitamente para o mercado.<\/strong><br \/>\nO Ilan tem dito duas coisas. Uma \u00e9 que o fim do ciclo ser\u00e1 gradual e aqui existem interpreta\u00e7\u00f5es distintas. H\u00e1 colegas que falavam que o gradual seria uma queda de 0,75 ponto percentual e outra de 0,5 ponto percentual. Mas por que o gradual n\u00e3o s\u00e3o quedas de 0,75, 0,5 e 0,25 ponto percentual? Eu consigo ler da comunica\u00e7\u00e3o do BC que contempla a possibilidade fazer tr\u00eas cortes. O que foi crucial no nosso cen\u00e1rio foi a proje\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio de Infla\u00e7\u00e3o em que mostrou que, com Selic a 7% em todo o horizonte at\u00e9 2019 a infla\u00e7\u00e3o ficava um pouco abaixo do centro da meta. Seja em 2018, seja em 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os juros abaixo de 7% ao ano teriam algum simbolismo?<\/strong><br \/>\nSim. Eu sei que isso n\u00e3o motivar\u00e1 a decis\u00e3o do BC. Tenho certeza de que o BC tomar\u00e1 a decis\u00e3o mais adequada do ponto de vista t\u00e9cnico. Mas poder olhar e dizer que o Brasil, pela primeira vez na hist\u00f3ria, ter\u00e1 juros abaixo do M\u00e9xico tem um simbolismo. Mas, mais importante que isso, \u00e9 eles acreditarem que podem manter os juros baixos por mais tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O seu cen\u00e1rio traz uma alta de juros em 2019. Mas 2018 \u00e9 um ano de elei\u00e7\u00e3o. Os juros n\u00e3o podem subir no pr\u00f3ximo ano se houver instabilidade pol\u00edtica?<\/strong><br \/>\nSe olharmos o ambiente pol\u00edtico hoje, j\u00e1 \u00e9 seguro dizer que houve um razo\u00e1vel descolamento da pol\u00edtica e da economia. Se par\u00e1ssemos para pensar que o presidente da Rep\u00fablica foi submetido a dois testes no Congresso e a bolsa flertava com o recorde hist\u00f3rico, o risco pa\u00eds em 170 pontos e o d\u00f3lar bem-comportado, j\u00e1 \u00e9 percept\u00edvel o deslocamento da economia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica. O que teremos de potencial volatilidade em 2018 tem muito a ver com a forma como os candidatos v\u00e3o se portar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 agenda econ\u00f4mica. A estrat\u00e9gia vitoriosa do governo Temer foi colocar uma equipe econ\u00f4mica forte e ele tem habilidade de dialogar com o Congresso. Essa combina\u00e7\u00e3o que traz o descolamento. Porque seria poss\u00edvel ter uma equipe econ\u00f4mica forte e um presidente sem capacidade de avan\u00e7ar na agenda de reformas. Ou poderia ter um presidente muito forte politicamente com uma equipe econ\u00f4mica fraca. Nenhuma dessas combina\u00e7\u00f5es teria sucesso. Quando olho para 2018, teremos taxa de juros baixa, com infla\u00e7\u00e3o baixa, com crescimento acelerando e emprego acelerando. H\u00e1 um incentivo grande para que os candidatos se posicionem a favor de uma agenda de continuidade da pol\u00edtica econ\u00f4mica porque estaremos colhendo os frutos das medidas tomadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Congresso tem consci\u00eancia da import\u00e2ncia da agenda de reformas?<\/strong><br \/>\nVolto ao exemplo recente. Se olharmos a configura\u00e7\u00e3o do Congresso um dia antes do impeachment de Dilma Rousseff, eu n\u00e3o saberia te dar essa resposta. Diria que n\u00e3o pareceria que os pol\u00edticos que est\u00e3o no Congresso saibam que \u00e9 preciso votar teto dos gastos e as demais reformas. O fato \u00e9 que ele votaram. O que quero dizer com isso? \u00c9 que depende muito da habilidade do presidente de dialoga<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h15min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO H\u00e1 quase um ano no comando da Diretoria de Estudos e Pesquisas Econ\u00f4micas do Bradesco, o economista Fernando Honorato Barbosa foi um dos primeiros a apostar que o Banco Central (BC) levar\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros para um patamar abaixo dos 7% ao ano em 2018. 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