{"id":6504,"date":"2017-11-16T06:32:42","date_gmt":"2017-11-16T08:32:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6504"},"modified":"2017-11-16T16:35:03","modified_gmt":"2017-11-16T18:35:03","slug":"eunicio-endurece-o-jogo-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/eunicio-endurece-o-jogo-da-previdencia\/","title":{"rendered":"Eun\u00edcio endurece o jogo da Previd\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h2>PAULO DE TARSO LYRA E NAT\u00c1LIA LAMBERT<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>O governo corre contra o rel\u00f3gio para aprovar a reforma da Previd\u00eancia ainda este ano na C\u00e2mara, na esperan\u00e7a de a mat\u00e9ria ser analisada, sem sustos, no Senado, no in\u00edcio do ano que vem. Mas, a depender dos senadores, o script imaginado est\u00e1 longe da realidade poss\u00edvel. Eles n\u00e3o est\u00e3o dispostos a chancelar, \u00e0s cegas, o eventual texto que vier a ser aprovado pelos deputados. \u201cO sistema \u00e9 bicameral. O Senado vai debater e, se chegarmos \u00e0 conclus\u00e3o que s\u00e3o necess\u00e1rias mudan\u00e7as, elas ser\u00e3o feitas e o texto voltar\u00e1 para a C\u00e2mara\u201d, avisou o presidente do Senado, Eun\u00edcio Oliveira (PMDB-CE). Se houver mudan\u00e7as, o texto volta \u00e0 C\u00e2mara.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na esperan\u00e7a de diminuir atritos, Temer resolveu honrar o acordo feito com os senadores e mandou as mudan\u00e7as na reforma trabalhista por meio de uma medida provis\u00f3ria e n\u00e3o projeto de lei, como queria o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). \u201cO que ele quis mostrar? Que cumpre acordos pol\u00edticos firmados. E que, ao atender o Senado, espera reciprocidade, na forma de rapidez, quando a reforma da Previd\u00eancia chegar \u00e0 Casa\u201d, analisou um interlocutor pol\u00edtico especializado na rela\u00e7\u00e3o entre os poderes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paralelo a isso, o governo desidratou a proposta original, restringindo a reforma \u00e0 idade m\u00ednima para aposentadoria (65 anos para homens e 62 anos para mulheres, com o estabelecimento de uma regra de transi\u00e7\u00e3o); reduzindo o tempo de contribui\u00e7\u00e3o (25 para 15 anos); definindo um teto \u00fanico de R$ 5,4 mil para aposentadorias nos setores privado e p\u00fablico; e excluindo os trabalhadores rurais e os inscritos no Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC). Pelos novos c\u00e1lculos, a economia com esse texto segue importante, mas cai pela metade: R$ 400 bilh\u00f5es em 10 anos, em vez dos R$ 800 bilh\u00f5es planejados antes das altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Planalto e a equipe econ\u00f4mica t\u00eam pressa porque sabem que o calend\u00e1rio eleitoral coloca ainda mais press\u00e3o nessa tramita\u00e7\u00e3o. A Casa ser\u00e1 renovada em 2\/3 nas elei\u00e7\u00f5es do ano que vem, e muitos parlamentares pensam em concorrer aos governos estaduais. A percep\u00e7\u00e3o no Legislativo \u00e9 de que os senadores j\u00e1 assumiram um \u00f4nus pesado ao aprovar a reforma trabalhista e a PEC dos Gastos, tornando-se alvo de minorias barulhentas e com poder de influenciar vota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Carentes<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 que boa parte das lideran\u00e7as pol\u00edticas da Casa \u2014 a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio Eun\u00edcio \u2014 \u00e9 do Nordeste, uma das regi\u00f5es mais carentes do pa\u00eds que ainda \u00e9 reduto eleitoral do PT. Uma das vozes mais ativas contra o governo e a reforma \u00e9 a do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Ao lado do filho Renanzinho, governador de Alagoas, ele foi o anfitri\u00e3o de Lula na excurs\u00e3o que o petista fez pelo Estado na caravana realizada ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o a nove anos e meio de pris\u00e3o pelo juiz S\u00e9rgio Moro. \u201cN\u00e3o podemos ter pressa. Precisamos fazer uma reforma que seja, de fato, boa para o pa\u00eds. A gente morre e o pa\u00eds fica. Por isso, temos que fazer algo consistente\u201d, completou Eun\u00edcio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem retorno<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O l\u00edder do governo no Senado, Romero Juc\u00e1 (PMDB-RR), trabalha com a ideia de que o texto n\u00e3o retorne para a C\u00e2mara. Ele reconhece que 2018 ser\u00e1 complicado. Em mar\u00e7o abre-se uma janela partid\u00e1ria, em abril \u00e9 o prazo para desincompatibiliza\u00e7\u00f5es e, a partir da\u00ed, as conven\u00e7\u00f5es, as alian\u00e7as e os acordos pol\u00edticos come\u00e7ar\u00e3o a tomar conta da agenda pol\u00edtica. Juc\u00e1 j\u00e1 est\u00e1 \u00e0s voltas com as dificuldades na aprova\u00e7\u00e3o do projeto de lei da privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras, na qual tem a certeza de que enfrentar\u00e1 problemas n\u00e3o apenas na oposi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m com integrantes da base.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nomes como Eduardo Braga (PMDB-AM), Renan, K\u00e1tia Abreu (PMDB-TO) e Roberto Requi\u00e3o (PMDB-PR) far\u00e3o bastante barulho. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s palavras de Eun\u00edcio quanto \u00e0 reforma da Previd\u00eancia, a an\u00e1lise de interlocutores do l\u00edder governista \u00e9 de que o peemedebista busca se posicionar entre seus pares, tentando passar uma imagem de independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Planalto. Eun\u00edcio ainda n\u00e3o decidiu se tentar\u00e1 novamente concorrer ao governo do Cear\u00e1 \u2014 em 2014 foi derrotado por 50 mil votos \u2014 ou busca a reelei\u00e7\u00e3o para o Senado, o que lhe daria o direito de pleitear mais dois anos como presidente da Casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o falamos por hip\u00f3tese, apenas quanto ao m\u00e9rito. Ap\u00f3s os deputados votarem a reforma, reunirei a bancada para definir nossas propostas\u201d,\u00a0confirmou o l\u00edder do PMDB na C\u00e2mara, Raimundo Lira (PB). \u201cMas \u00e9 evidente que esse tema \u00e9 delicado, e suscita uma s\u00e9rie de questionamentos, e traz problemas para o consenso\u201d, admitiu o peemedebista. O presidente nacional do DEM, senador Jos\u00e9 Agripino (RN), endossa as palavras de Eun\u00edcio e Lira. \u201cO Senado precisar\u00e1 discutir um tema, apresentar suas propostas e construir uma reforma que seja boa para o pa\u00eds\u201d, resumiu ele. \u201cPode ser que a C\u00e2mara, se conseguir votar, aprove um texto sem retoques e n\u00e3o precisemos alterar nada. Mas, ainda assim, \u00e9 de esperar um debate intenso \u201d, adiantou o senador do DEM.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A novela de uma reforma ministerial<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente Michel Temer pode rever a estrat\u00e9gia de fazer uma ampla reforma ministerial at\u00e9 meados de dezembro, como pretendia inicialmente. Alguns aliados alertaram que talvez o mais prudente, agora, seja promover mudan\u00e7as pontuais, aproveitando, sobretudo, o desembarque dos ministros do PSDB. E deixar para abril do ano que vem, prazo legal para desincompatibiliza\u00e7\u00e3o dos ministros candidatos, a reforma mais efetiva. A linha de corte das elei\u00e7\u00f5es ainda \u00e9 considerada o principal crit\u00e9rio, defendido pelos principais auxiliares de Temer: os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil). Alguns ministros ainda n\u00e3o decidiram se ser\u00e3o ou n\u00e3o candidatos, caso de Henrique Meirelles (Fazenda), Gilberto Kassab (Comunica\u00e7\u00f5es) e Marcos Pereira (Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULO DE TARSO LYRA E NAT\u00c1LIA LAMBERT O governo corre contra o rel\u00f3gio para aprovar a reforma da Previd\u00eancia ainda este ano na C\u00e2mara, na esperan\u00e7a de a mat\u00e9ria ser analisada, sem sustos, no Senado, no in\u00edcio do ano que vem. Mas, a depender dos senadores, o script imaginado est\u00e1 longe da realidade poss\u00edvel. 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