{"id":6485,"date":"2017-11-13T13:00:48","date_gmt":"2017-11-13T15:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6485"},"modified":"2017-11-13T12:15:42","modified_gmt":"2017-11-13T14:15:42","slug":"desemprego-vai-cair-85-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/desemprego-vai-cair-85-em-2018\/","title":{"rendered":"&#8220;Desemprego vai cair a 8,5% em 2018&#8221;, avalia Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo"},"content":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Professor de tr\u00eas membros do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) \u2014 Ilan Goldfajn, Carlos Viana e Tiago Berriel \u2014, o economista-chefe da Opus Investimentos, Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, \u00e9 um dos principais especialistas do pa\u00eds em macroeconomia e mercado de trabalho. Otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da economia \u2014 ele espera que o Produto Interno Bruto (PIB) cres\u00e7a 4% em 2018 \u2014, avalia que o processo de retomada ser\u00e1 impulsionado pela reforma trabalhista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Camargo, a possibilidade de formaliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores por meio de contrato intermitente trar\u00e1 mais liberdade para a negocia\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, reduzir\u00e1 as press\u00f5es inflacion\u00e1rias e a taxa de juros estrutural, al\u00e9m de contribuir para que mais pessoas tenham a carteira assinada. \u201cMinha estimativa \u00e9 de uma taxa de crescimento de 4% em 2018, com infla\u00e7\u00e3o de 3,5%. E acho que teremos uma taxa de desemprego de um d\u00edgito no fim do ano que vem. Pela mesma raz\u00e3o. As pessoas est\u00e3o subestimando os efeitos da redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros real e da reforma trabalhista\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas contas dele, a taxa de desemprego terminar\u00e1 o ano entre 11% e 11,5%. E, em 2018, recuar\u00e1 para 8,5%. \u201cO auge do desemprego foi 13,7%. Hoje est\u00e1 em 12,4%. Caiu 1,3 ponto percentual em um per\u00edodo em que a taxa de desemprego deveria aumentar. Agora vamos entrar em um per\u00edodo em que a taxa de desemprego, sazonalmente, cai bastante. Historicamente, a taxa de desemprego cai entre 1 e 1,5 ponto percentual\u201d, diz. Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao<strong> Correio<\/strong>:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O mercado de trabalho reagiu mais cedo do que se esperava, movimento que surpreendeu economistas. Qual a explica\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nRealmente, o mercado de trabalho surpreendeu. Na nossa avalia\u00e7\u00e3o, ele se estabilizaria no segundo trimestre e come\u00e7aria a cair ao longo do terceiro. Mas come\u00e7ou a cair j\u00e1 no segundo. Por que reagiu mais r\u00e1pido? Dif\u00edcil saber. A primeira coisa importante, nesse contexto, \u00e9 que a economia come\u00e7ou a reagir no primeiro trimestre. De alguma forma, refor\u00e7ou a rea\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho no trimestre seguinte. O pa\u00eds gerou 1 milh\u00e3o de empregos este ano. \u00c9 um resultado substancial, principalmente, na sa\u00edda da recess\u00e3o. Outra coisa importante \u00e9 que t\u00ednhamos uma taxa de infla\u00e7\u00e3o de 10% ao ano que, em seis meses, caiu para 3,5%. Isso gerou um ganho de renda real e fez com que o consumo aumentasse mais r\u00e1pido, favorecendo o emprego. A queda da infla\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos fatores, a meu ver, que contribuiu para a rea\u00e7\u00e3o antecipada do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>O pa\u00eds est\u00e1 gerando emprego por conta pr\u00f3pria e sem carteira assinada. Isso \u00e9 uma mudan\u00e7a do mercado de trabalho?<\/strong><br \/>\nTemos que separar as duas coisas: o emprego sem carteira assinada daquele por conta pr\u00f3pria. No in\u00edcio do processo de retomada, \u00e9 de se esperar que o emprego informal cres\u00e7a mais do que o formal. A segunda coisa importante \u00e9 que o trabalhador sem carteira \u00e9 empregado do empres\u00e1rio que n\u00e3o assina a carteira dele. O trabalhador por conta pr\u00f3pria n\u00e3o \u00e9 empregado. Ele \u00e9 um empreendedor. \u00c9 o pipoqueiro que est\u00e1 na esquina vendendo pipoca, que investiu comprando a carrocinha. Ele n\u00e3o tem patr\u00e3o. Independentemente de ser pouco qualificado ou pobre, ele est\u00e1 em outra categoria. O fato de que o emprego por conta pr\u00f3pria cresce mais do que o normal, na minha avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 um \u00f3timo sinal, porque \u00e9 um indicador antecedente de retomada da economia. Ele s\u00f3 est\u00e1 na esquina vendendo pipoca porque h\u00e1 demanda. Com a reforma trabalhista, estou convencido de que haver\u00e1 um grande aumento da formaliza\u00e7\u00e3o porque haver\u00e1 a possibilidade de contrata\u00e7\u00e3o por meio do trabalho intermitente, com qualquer jornada. Existe um conjunto grande de ocupa\u00e7\u00f5es na economia que s\u00e3o intermitentes. Um caso t\u00edpico \u00e9 do pintor. A vaga s\u00f3 existe em determinada fase da obra. Outro caso \u00e9 o com\u00e9rcio. Na hora do almo\u00e7o, o restaurante tem mais demanda do que no fim do dia. O restaurante n\u00e3o podia contratar um trabalhador para o hor\u00e1rio do almo\u00e7o porque a Justi\u00e7a do Trabalho n\u00e3o permitia. A partir de agora, isso ser\u00e1 poss\u00edvel. Como antes n\u00e3o era permitido, o empres\u00e1rio contratava informalmente. Agora, teremos formaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Quais avan\u00e7os as regras trabalhistas trar\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA mudan\u00e7a da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista \u00e9 um salto fora da era Vargas. Come\u00e7amos com o processo de privatiza\u00e7\u00e3o no governo Collor. Agora temos um processo de privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras, a depender do pr\u00f3ximo governo, ser\u00e1 poss\u00edvel privatizar a Petrobras. Mudamos a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Michel Temer fez uma quantidade de reformas impressionante para um ano e meio de governo. Mudou a lei do pr\u00e9-sal, acabou com o represamento de pre\u00e7os de combust\u00edveis. Est\u00e1vamos encalacrados nesse processo h\u00e1 d\u00e9cadas. \u00c9 dif\u00edcil sair de um processo de gastos p\u00fablicos e concess\u00e3o de benef\u00edcios. O lobby contr\u00e1rio a mudan\u00e7as se fortalece. Por isso, h\u00e1 resist\u00eancia \u00e0 reforma da Previd\u00eancia e \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Ap\u00f3s a reforma da Previd\u00eancia, precisaremos de mudan\u00e7as no ambiente de neg\u00f3cios?<\/strong><br \/>\nCertamente. \u00c9 necess\u00e1ria uma reforma tribut\u00e1ria para melhorar o ambiente de neg\u00f3cios. O sistema tribut\u00e1rio brasileiro \u00e9 confuso e dif\u00edcil, de maneira que \u00e9 fundamental simplificar a estrutura de impostos. \u00c9 micro, mas macro, tamb\u00e9m. Outra reforma importante \u00e9 a do cadastro positivo para melhorar o mercado de cr\u00e9dito e reduzir taxas de juros. Precisamos enfrentar a agenda da burocracia. Levamos muito tempo para abrir uma empresa no Brasil. Por que n\u00e3o conseguimos fazer isso em dois dias? Temos que reconhecer firma em cart\u00f3rio. Estamos na era da informa\u00e7\u00e3o e precisamos de carimbo. S\u00e3o coisas pequenas que t\u00eam lobby pesado.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>A expectativa do mercado \u00e9 de crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018. Por que a recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais lenta?<\/strong><br \/>\nA recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais lenta porque fam\u00edlias e empresas est\u00e3o muito endividadas. O crescimento, entre 2005 e 2015, foi baseado no aumento do endividamento. Tanto das fam\u00edlias que se endividaram para consumir, quanto das empresas que tomaram d\u00edvidas para investir. Em situa\u00e7\u00f5es como essa, a crise \u00e9 mais prolongada e a recupera\u00e7\u00e3o, mais lenta. Ocorreu nos Estados Unidos depois de 2008. \u00c9 normal. As evid\u00eancias emp\u00edricas mostram que todas as retomadas de situa\u00e7\u00f5es em que os agentes estavam muito endividados foram mais lentas. Mas estou mais otimista do que a m\u00e9dia do mercado. Eu acho que o mercado est\u00e1 subestimando os efeitos das reformas implementadas no \u00faltimo ano. Em especial, a trabalhista. Para diminuir o sal\u00e1rio nominal do trabalhador, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em negocia\u00e7\u00e3o coletiva uma vez por ano. Isso parece bom para o trabalhador, mas n\u00e3o \u00e9. Quando o empres\u00e1rio n\u00e3o consegue pagar o sal\u00e1rio, demite e contrata mais barato. Quando a recess\u00e3o \u00e9 profunda, n\u00e3o contrata ningu\u00e9m. O empres\u00e1rio n\u00e3o vai propor negocia\u00e7\u00e3o ao trabalhador porque, quando \u00e9 demitido, ele entra na Justi\u00e7a e ganha. Com o contrato intermitente, a negocia\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ocorrer.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>O que muda na pr\u00e1tica?<\/strong><br \/>\nTodo o processo do mercado de trabalho mudar\u00e1. A demiss\u00e3o do trabalhador mais caro por um mais barato ocorre em momento de ajuste. Com isso, a taxa de desemprego aumenta e afeta a infla\u00e7\u00e3o. Esse per\u00edodo demora 18 meses entre o come\u00e7o do processo at\u00e9 afetar a infla\u00e7\u00e3o. A partir de agora, vai demorar seis meses porque o empres\u00e1rio poder\u00e1 negociar o sal\u00e1rio do trabalhador, por meio do contrato intermitente. Assim, sinaliza que n\u00e3o quer demitir o empregado, mas precisa diminuir o sal\u00e1rio porque a receita cai. Em vez de pagar R$ 2 mil, pagar\u00e1 R$ 1,8 mil. Isso vai se refletir diretamente na taxa de infla\u00e7\u00e3o. Quanto maior a taxa de desemprego, menor a taxa de infla\u00e7\u00e3o. Essa rela\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 muito perversa. Para ter uma taxa de infla\u00e7\u00e3o de 4,5%, \u00e9 preciso de desemprego de 13%, como ocorreu no ano passado. Isso vai melhorar substancialmente porque o empres\u00e1rio poder\u00e1 negociar com o trabalhador um ajuste no sal\u00e1rio de tal forma que possa repassar para os pre\u00e7os e buscar aumentar a demanda pelo produto. Na pr\u00e1tica, precisar\u00e1 de juros mais baixos para a mesma taxa de infla\u00e7\u00e3o. Consequentemente, teremos mais crescimento porque ter\u00e1 mais acesso a cr\u00e9dito do que tinha antes.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Nesse sentido, quais s\u00e3o suas perspectivas para o crescimento econ\u00f4mico de 2018?<\/strong><br \/>\nMinha estimativa \u00e9 de uma taxa de crescimento de 4% em 2018, com infla\u00e7\u00e3o de 3,5%. Teremos uma taxa de desemprego de um d\u00edgito no fim do ano que vem. As pessoas est\u00e3o subestimando os efeitos da redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros real e da reforma trabalhista. Na Alemanha, depois da reunifica\u00e7\u00e3o em 1989, a taxa de desemprego explodiu e a economia estagnou. Entre 2003 e 2005, o governo alem\u00e3o conseguiu fazer uma reforma trabalhista na mesma dire\u00e7\u00e3o da nossa, para flexibilizar sal\u00e1rios e mudar as regras do seguro-desemprego, que era benevolente. O resultado foi r\u00e1pido e imediato. Foi uma queda substancial da taxa de desemprego e, em 2008, quando houve a crise internacional, foi o pa\u00eds que teve o menor aumento do desemprego no mundo. Quando voc\u00ea analisa o comportamento do mercado de trabalho na Alemanha, h\u00e1 um ind\u00edcio do que pode ocorrer com o brasileiro. Acho que teremos uma surpresa grande. Agora, por exemplo, o aumento da informalidade, com o crescimento de trabalhadores sem carteira assinada, \u00e9 por conta da entrada em vigor da reforma trabalhista. O empres\u00e1rio n\u00e3o assinou carteira porque poder\u00e1 contratar com contrato intermitente.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Qual seria a taxa de desemprego em um d\u00edgito?<\/strong><br \/>\nEntre 8,5% e 9%. Essa deve ser a taxa no fim de 2018. Este ano, vamos fechar com desemprego entre 11% e 11,5%. N\u00e3o entendo por que o mercado est\u00e1 t\u00e3o pessimista. O emprego come\u00e7ou a reagir antes do esperado. O auge do desemprego foi 13,7%. Hoje est\u00e1 em 12,4%. Caiu 1,3 ponto percentual em um per\u00edodo em que deveria aumentar. Agora, vamos entrar em uma fase em que a taxa de desemprego, sazonalmente, cai bastante entre 1 e 1,5 ponto percentual. Ou seja, teremos desemprego de 11,4%. A conta \u00e9 simples. Todo ano \u00e9 assim. Todos os sinais s\u00e3o de desemprego mais pr\u00f3ximo de 11%.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>O Natal dos brasileiros ser\u00e1 melhor?<\/strong><br \/>\nSer\u00e1 melhor, n\u00e3o tenho a menor d\u00favida. Muito melhor do que o dos dois \u00faltimos anos. A d\u00favida \u00e9 zero. Uma coisa importante \u00e9 que, se o meu cen\u00e1rio realmente se materializar, vamos chegar no fim do ano com uma sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar da popula\u00e7\u00e3o muito diferente do que a gente tem hoje. Na verdade, isso j\u00e1 come\u00e7ou a ser notado. Daqui a um ano, teremos infla\u00e7\u00e3o de 3,5%, taxa de desemprego de 8,5% e economia crescendo 4%.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>A infla\u00e7\u00e3o baixa \u00e9 fruto de todo esse processo?<\/strong><br \/>\nEla \u00e9 fruto de um Banco Central (BC) respons\u00e1vel e competente, que se recusou a reduzir juros, em agosto do ano passado, quando existia press\u00e3o por conta da expectativa para a infla\u00e7\u00e3o de 2018 e 2019 acima da meta. O BC bateu o p\u00e9 e s\u00f3 come\u00e7ou a diminuir juros quando as expectativas para a infla\u00e7\u00e3o convergiram para a meta. Em regime de metas para a infla\u00e7\u00e3o, as expectativas s\u00e3o fundamentais. Se voc\u00ea d\u00e1 aos agentes a ideia de que n\u00e3o vai respeitar a \u00e2ncora, a infla\u00e7\u00e3o cresce. Apesar de toda a crise pol\u00edtica, a economia est\u00e1 crescendo. A taxa de infla\u00e7\u00e3o \u00e9 de 3%. A de desemprego est\u00e1 caindo, apesar de toda a crise pol\u00edtica. Quando voc\u00ea imaginaria, h\u00e1 cinco anos, algo desse tipo? Nunca! Esse \u00e9 o ponto. O Brasil \u00e9 mais forte do que cinco anos atr\u00e1s porque fez as reformas.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>O BC levar\u00e1 os juros abaixo de 7% ao ano?<\/strong><br \/>\nSe a reforma da Previd\u00eancia for aprovada, n\u00e3o tenho a menor d\u00favida. Se n\u00e3o for, o BC ter\u00e1 de esperar para ver a rea\u00e7\u00e3o do mercado. O Brasil est\u00e1 se tornando um pa\u00eds mais normal. E a normalidade internacional passa por taxas de juros mais pr\u00f3ximas de 3% e 4% do que de 7% e 8%. \u00c9 verdade que temos elei\u00e7\u00e3o em outubro do ano que vem. Teremos volatilidade, mas, se o cen\u00e1rio positivo se verificar, a possibilidade de eleger um presidente apoiado pelo governo \u00e9 grande. Estou otimista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO &nbsp; Professor de tr\u00eas membros do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) \u2014 Ilan Goldfajn, Carlos Viana e Tiago Berriel \u2014, o economista-chefe da Opus Investimentos, Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, \u00e9 um dos principais especialistas do pa\u00eds em macroeconomia e mercado de trabalho. 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