{"id":6472,"date":"2017-11-12T12:01:00","date_gmt":"2017-11-12T14:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6472"},"modified":"2017-11-12T12:58:17","modified_gmt":"2017-11-12T14:58:17","slug":"o-dragao-chines-invade-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-dragao-chines-invade-america-latina\/","title":{"rendered":"O drag\u00e3o chin\u00eas invade a Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<h2>RODRIGO CRAVEIRO E PAULO DE TARSO LYRA, enviados especiais<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>Pequim \u2014<\/strong> Mais de 15 mil quil\u00f4metros separam a Am\u00e9rica Latina da China. A dist\u00e2ncia, no entanto, n\u00e3o \u00e9 obst\u00e1culo para o com\u00e9rcio. No ano passado, as rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre os dois povos chegaram a US$ 216 bilh\u00f5es (cerca de R$ 708 bilh\u00f5es). Nos oito primeiros meses de 2017, foram movimentados US$ 166,7 bilh\u00f5es (ou R$ 547 bilh\u00f5es). O presidente chin\u00eas, Xi Jinping, visitou 10 pa\u00edses da regi\u00e3o nos \u00faltimos quatro anos, manteve encontros multilaterais com quase todos os l\u00edderes e promoveu interc\u00e2mbio de agendas sobre governan\u00e7a e sobre temas de import\u00e2ncia regional e mundial. \u201cN\u00f3s alcan\u00e7amos v\u00e1rios acordos e resultados, algo sem precedentes no desenvolvimento de nossas rela\u00e7\u00f5es\u201d, comemora Zhang Run, vice-diretor-geral do Departamento de Assuntos de Am\u00e9rica Latina e Caribe do Minist\u00e9rio de Assuntos Exteriores da China.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O interesse de Pequim em investir na regi\u00e3o, sobretudo no Brasil, remonta aos tempos de governo de Dilma Rousseff, quando os chineses participaram de leil\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o dos campos do pr\u00e9-sal. Em 2013, ao lado da Petrobras, da anglo-holandesa Shell e da francesa Total, as estatais chinesas CNPC e CNOOC fizeram uma oferta \u00fanica e venceram o leil\u00e3o do campo de Libra, o maior campo de petr\u00f3leo descoberto do pa\u00eds. Eles ganharam o direito de explora\u00e7\u00e3o, por 35 anos, com expectativa de investimentos de R$ 400 bilh\u00f5es ao longo desse per\u00edodo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, o apetite aumentou. Dados da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria Brasil-China indicam que, em 2017, os chineses pretendem investir mais de US$ 20 bilh\u00f5es em ativos brasileiros \u2014 n\u00famero 87% maior que o do ano passado. O Correio apurou que o \u00edmpeto de investimentos precisa transpor uma barreira: a instabilidade pol\u00edtica do pa\u00eds. \u201c\u00c9 claro que o Brasil nos interessa, mas precisamos ter a certeza de qual ser\u00e1 o rumo de voc\u00eas. Isso deve ficar mais claro depois das elei\u00e7\u00f5es do ano que vem, quando ser\u00e1 escolhido um novo presidente\u201d, confidenciou um executivo de uma empresa chinesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es com a Am\u00e9rica Latina est\u00e3o respaldadas pela filosofia de Xi. Durante o 19\u00ba Congresso Nacional do Partido Comunista da China, o presidente defendeu a abertura de mercado e tra\u00e7ou o mapa do caminho para que a sua na\u00e7\u00e3o consolide a posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a at\u00e9 2050. \u201cN\u00f3s confiamos no desenvolvimento comum de todos os pa\u00edses em desenvolvimento, incluindo os da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. O presidente Xi prop\u00f4s s\u00e9rias estrat\u00e9gias e ideias para aperfei\u00e7oar essa coopera\u00e7\u00e3o, com metas de desenvolvimento para as nossas rela\u00e7\u00f5es. Nos \u00faltimos cinco meses, temos feito progressos extraordin\u00e1rios, e as mudan\u00e7as t\u00eam sido profundas no campo diplom\u00e1tico para com esses pa\u00edses\u201d, admite o vice-diretor da chancelaria chinesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Presen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Brasil, que exporta carne para a na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica, a China mant\u00e9m forte presen\u00e7a no Chile, na Col\u00f4mbia e no Peru. De acordo com Zhang, o Chile substituiu a Tail\u00e2ndia e se tornou o maior fornecedor de frutas secas para a China \u2014 as exporta\u00e7\u00f5es em 2015 atingiram US$ 1,2 bilh\u00e3o, principalmente de cerejas. A Am\u00e9rica Latina e o Caribe se tornaram o segundo maior destino internacional de investimentos chineses, superados pela \u00c1sia. \u201cN\u00f3s instalamos mais de 2 mil neg\u00f3cios nessas regi\u00f5es, e os investimentos acumulados diretos alcan\u00e7aram os US$ 207,15 bilh\u00f5es \u2014 15,3% do total mundial. No ano passado, nossos empreendimentos adquiriram campos de petr\u00f3leo brasileiros, em um neg\u00f3cio de US$ 3,77 bilh\u00f5es\u201d, explicou o diplomata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Peru, a mina de cobre de Las Bambas, uma das maiores em constru\u00e7\u00e3o no planeta, recebeu inje\u00e7\u00e3o de US$ 10 bilh\u00f5es de empresas chinesas. Companhias da China est\u00e3o construindo sete hidrel\u00e9tricas no Equador. Surpreendentemente, a parceria pol\u00edtica com na\u00e7\u00f5es como Cuba, Venezuela e Bol\u00edvia, de mesmo alinhamento ideol\u00f3gico com Pequim, n\u00e3o se reflete em alian\u00e7as econ\u00f4micas. \u201cN\u00f3s gostamos de negociar com governos ditos de direita. Eles respeitam contratos firmados e n\u00e3o criminalizam os lucros\u201d, disse o executivo da empresa chinesa consultado pela reportagem. \u201cEm pa\u00edses governados por socialistas, fica mais f\u00e1cil para entrarmos. Mas \u00e9 praticamente imposs\u00edvel crescermos l\u00e1 dentro.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Professora da Faculdade de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim, Guo Jie admite que a rela\u00e7\u00e3o se tornou mais compreensiva e balanceada. \u201cEla parece mais integrada \u00e0 estrat\u00e9gia diplom\u00e1tica do governo chin\u00eas como um todo\u201d, disse \u00e0 reportagem. \u201cDe fato, a Am\u00e9rica Latina \u00e9 muito importante em termos de aumentar o engajamento econ\u00f4mico global da China.\u201d Guo lembra que o desenvolvimento econ\u00f4mico tem sido a miss\u00e3o central do governo Xi. \u201cNos \u00faltimos anos, temos visto novas plataformas e mecanismos de ambos os lados para ampliarem a coopera\u00e7\u00e3o bilateral ou multilateral, tornando essa rela\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel e inclusiva.\u201d Para Matt Ferchen, especialista do Carnegie Endowment for International Peace, a China impulsionar\u00e1 essa coopera\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica e econ\u00f4mica. \u201cA Iniciativa da Rota da Seda provavelmente receber\u00e1 mais aten\u00e7\u00e3o, no formato de ideias de coopera\u00e7\u00e3o em infraestrutura\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Depoimento<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Com\u00e9rcio em acelera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA coopera\u00e7\u00e3o entre o nosso pa\u00eds e as na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina e do Caribe alcan\u00e7ou um progresso hist\u00f3rico. As iniciativas anunciadas pelo presidente Xi Jinping para a regi\u00e3o foram bem implementadas. Em janeiro de 2018, n\u00f3s realizaremos a segunda reuni\u00e3o de ministros da China e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Santiago do Chile. A coopera\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica tem se acelerado. Desde 2015, por causa do cen\u00e1rio internacional, houve leve queda no com\u00e9rcio. Onde h\u00e1 crise, existe oportunidade. Fizemos da coopera\u00e7\u00e3o industrial uma fa\u00e7anha. Promovemos a coopera\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica 1 (um plano) +3 (tr\u00eas motores: com\u00e9rcio, investimento e coopera\u00e7\u00e3o financeira) 6 (seis campos: energia, infraestrutura, constru\u00e7\u00e3o, agricultura, manufatura e inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica). Nossa estrutura de com\u00e9rcio se aprimorou.\u201d<\/p>\n<p><em>Zhang Run, \u00e9 vice-diretor-geraldo Departamento de Assuntos de Am\u00e9rica Latina e Caribe da chancelaria chinesa<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pontos de vista<\/p>\n<blockquote><p><strong>Vantagens especiais<\/strong><\/p>\n<p>Por GUO JIE<\/p>\n<p>\u201cA Iniciativa da Rota da Seda poderia ser comparada a uma cesta aberta, a qual suspostamente deveria ser preenchida com projetos de categorias id\u00eanticas ou similares. Ainda que a Am\u00e9rica Latina e o Caribe n\u00e3o tenham sido inclu\u00eddos no documento, n\u00e3o significa que a regi\u00e3o esteja fora do jogo. O Brasil, sob o meu ponto de vista, tem vantagens especiais para ser parte disso. Na condi\u00e7\u00e3o de maior economia da regi\u00e3o, o Brasil tem sido parceiro-chave da China em diferentes \u00e1reas, passou a ser o mais atraente destino para investidores chineses na Am\u00e9rica Latina e \u00e9 um dos membros fundadores do Banco de Investimentos em Infraestrutura Asi\u00e1tica (AIBB).\u201d<\/p>\n<p><em>Professora da Faculdade de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong>Mudan\u00e7a dr\u00e1stica<\/strong><\/p>\n<p>Por MATT FERCHEN<\/p>\n<p>\u201cPara a China, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe continuam a ser uma regi\u00e3o de import\u00e2ncia por motivos comerciais e diplom\u00e1ticos. Comercialmente, a Am\u00e9rica do Sul \u00e9 parceira-chave de Pequim, fornecendo materiais brutos e oferecendo um mercado para exporta\u00e7\u00f5es e investimentos chineses. A China inclui a Am\u00e9rica Latina em sua diplomacia \u2018Sul-Sul\u2019, com regi\u00f5es como a \u00c1frica. Tanto na frente econ\u00f4mica quanto na diplom\u00e1tica, a situa\u00e7\u00e3o mudou dramaticamente desde a decolagem das rela\u00e7\u00f5es, no in\u00edcio dos anos 2000. Economicamente, o boom de commodities, ocorrido entre 2003 e 2013, definitivamente se encerrou.\u201d<\/p>\n<p><em>Especialista em rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas com pa\u00edses emergentes do Carnegie Endowment for International Peace<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 12h01min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RODRIGO CRAVEIRO E PAULO DE TARSO LYRA, enviados especiais Pequim \u2014 Mais de 15 mil quil\u00f4metros separam a Am\u00e9rica Latina da China. A dist\u00e2ncia, no entanto, n\u00e3o \u00e9 obst\u00e1culo para o com\u00e9rcio. No ano passado, as rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre os dois povos chegaram a US$ 216 bilh\u00f5es (cerca de R$ 708 bilh\u00f5es). 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